Introducing Paper

O Facebook lançou Paper, uma app que permite criar um jornal personalizado. A app faz as vezes do cérebro do utilizador, dando ao consumidor a capacidade de apenas ler os artigos e notícias que lhe interessam.

Embora esta seja uma notícia incrível para aqueles que se sentem perdidos no mar de informações inócuas que lemos em todas as plataformas, vai acabar por atormentar jornalistas em todo o mundo. A razão é simples: se podemos apenas ler e ver conteúdos que nos interessam, isso pode significar o fim do jornalismo. De facto, de um conjunto de profissionais cujo trabalho é prodigalizar ao leitor aquilo que necessita saber para perceber o mundo em que vive, passaremos a um mundo de conteúdos vazios, apenas lançados na web porque se sabe que a maioria dos utilizadores escolhe Miley Cyrus, Futebol e Reality Tv como únicas fontes dignas de conhecimento.

Ao contrário de Circa e outras news apps, Paper continua a ser uma plataforma social, o que significa que continuaremos a ser invadidos por notificações, pedidos de amizade, etc. Uma outra diferença prende-se com a estrutura. Esta divide-se em categorias como Well Lived (Saúde) ou Glow (beleza). O consumidor exigente e inteirado daquilo que lhe importa poderá querer apenas ser mergulhado em notícias de beleza, confrontando-se com blogues de moda e receitas de celebridades com corpos esculturais.

Esta nova app vem confirmar finalmente a teoria do futurólogo Alvin Toffler. Na obra “The Third Wave”, publicada em 1980, Toffler previu um mundo em que as notícias são escolhidas a dedo por vários nichos. O telejornal que contém as notícias do dia pode mesmo vir a ser coisa do passado, no sentido em que é ao espectador que cabe a responsabilidade de saber aquilo que deseja filtrar do mundo noticioso.

Será que estamos a ser confrontados com o derradeiro fim do jornalismo? Será que as redações e plataformas digitais passarão a escrever notícias picantes e sedutoras na tentativa de, não informando, terem uma clientela viciada em trivialidades e disposta a ler mais um perfil de uma moça da Casa dos Segredos? Ficam as perguntas, o medo de sabermos que pode haver gente que nunca ouvirá falar de mutilação genital feminina ou de revoluções ucranianas e, claro, fica o vídeo de apresentação da empresa do senhor Zuckerberg.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s