Detector de mentiras para redes sociais

NOTÍCIA DO DIÁRIO DIGITAL, 20 Fevereiro 2014

CIENTISTAS DESENVOLVEM «DETECTOR DE MENTIRAS» PARA REDES SOCIAIS

Um projecto que envolve várias universidades e empresas europeias está a desenvolver um detector de mentiras para verificar rumores que circulam em fóruns online e em redes sociais.

O sistema analisará em tempo real se uma publicação é verdadeira e identificará se uma conta ou perfil de uma rede social foi criada apenas para espalhar informações falsas.

Os dados analisados incluirão publicações no Twitter, comentários em fóruns sobre temas relacionados com questões de saúde e comentários públicos no Facebook.

O objectivo do sistema é ajudar organizações, inclusive governos e serviços de emergência, a responder de forma mais efectiva a novos acontecimentos.

O projecto surgiu a partir de uma pesquisa sobre o uso das redes sociais durante os conflitos de Londres em 2011.

Segundo os especialistas, os rumores online serão classificados em quatro tipos:

Especulação – como, por exemplo, se pode haver uma alta na taxa de juros 
Controvérsia – como a que ocorreu com a vacina tríplice viral, que foi acusada, em vários países, de provocar o autismo 

Má informação – se uma informação falsa é disseminada sem intenção 
Desinformação – se uma informação falsa é disseminada intencionalmente

«Depois dos conflitos de 2011, foi sugerido que as redes sociais fossem bloqueadas para impedir que os manifestantes se organizassem», disse Kalina Bontcheva, líder do projecto na Universidade de Sheffield.

«Mas as redes sociais também dão acesso a informações úteis. O problema é que tudo isso acontece muito rápido e não conseguimos diferenciar o que é verdade do que é mentira com a mesma velocidade. Isso torna difícil reagir a rumores, por exemplo, impedindo que serviços de emergência invalidem uma mentira para manter a tranquilidade numa dada situação.»

O sistema também categorizará as fontes das informações para avaliar a sua autoridade. Elas incluirão serviços de notícias, jornalistas, especialistas, testemunhas, cidadãos e bots – contas que publicam automaticamente em redes sociais. O sistema também examinará o histórico de uma conta para identificar se esta foi criada apenas para disseminar rumores falsos.

Conversas em redes sociais serão analisadas para ver como evoluem. Fontes serão verificadas numa tentativa de confirmar se a informação é verdadeira ou não. «Apenas o texto será analisado», disse Bontcheva. «Não analisaremos imagens, não temos como saber se uma foto foi alterada. Isso é muito difícil tecnicamente.»

Os resultados das buscas feitas pelo sistema serão exibidos num «painel visual» para que as pessoas possam verificar se um rumor se sustenta.

A primeira série de resultados deve ficar pronta em 18 meses e será testada principalmente com grupos de jornalistas e profissionais de saúde. «Temos que ver o que funciona ou não e ter certeza de que temos o equilíbrio correcto entre análises feitas por máquinas e por pessoas», disse Bontcheva.

Chamado de Pheme, nome da deusa grega conhecida por espalhar rumores, o projecto envolve cinco universidades – Sheffield, Warwick, King’s College London, Saarland, na Alemanha, e Modul, em Viena – e durará três anos. Quatro empresas – Atos, iHub, Ontotext e Swissinfo – também participam.

No final, espera-se que seja produzida uma ferramenta feita especialmente para jornalistas.

 

COMENTÁRIO

            Hoje em dia todas as pessoas acreditam que podem espalhar notícias. Com a tecnologia providenciada pelos smartphones qualquer pessoa que assista a um acontecimento importante pode partilhá-lo, na hora, na internet. Ou seja, quem estiver no lugar certo à hora certa, e tiver um telemóvel com acesso à internet, poderá publicar logo algo no seu facebook ou no twitter relatando o que acabou de ver ou assistir.

            Ora, o problema é que muitas vezes a informação que circula nas redes sociais é falsa ou está incorrecta, mas como se propaga rapidamente vai alcançar muita gente em pouquíssimo tempo, que provavelmente também irá partilhá-la. Assim, um dos problemas dos dias de hoje é este fenómeno de qualquer um achar que pode ser jornalista e da má informação que chega à internet se alastrar velozmente.

            No entanto, as redes sociais muitas vezes transmitem factos verdadeiros e tornam-se úteis para fazer circular informação importante, por isso o que é necessário é existir uma espécie de filtro, tendo sido criado o sistema “Pheme” precisamente para essa função. Este sistema irá ajuda na triagem desses factos. Um dos seus aspectos positivos é o facto de categorizar as fontes das informações (serviços de notícias, jornalistas, especialistas, testemunhas e cidadãos) para assim se avaliar a sua autoridade. Conseguirá ainda identificar se uma conta foi criada apenas para disseminar rumores falsos.

            Este é um sistema muito útil na actualidade, uma vez que todos nós utilizamos pelo menos alguma rede social e nos informamos sobre o que se passa, no mundo e no país, através da internet.

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