Blendle – o i-tunes para as notícias

Um grupo de jovens holandeses está convicto de que encontrou a solução para levar a audiência mais jovem a pagar pelas notícias. Mas o que é espantoso é que conseguiu convencer os principais jornais e revistas da Holanda de que poderá funcionar.

blendle imagem

A ideia de partida é no mínimo ousada: “desencapsular o jornalismo e vender histórias à peça como se fosse um i-tunes para as notícias”. Os jornais deixam de ser vistos como uma entidade indissociável e passam a estar disponíveis, uns ao lado dos outros, agregados por uma plataforma externa, que é dona da usabilidade, dos mecanismos de busca, da apresentação e da selecção dos conteúdos. O preço é diferenciado de publicação para publicação, sendo decidido pelo dono dos conteúdos.

Segundo Alexander Klöpping, um dos fundadores da plataforma, se este sistema resultou para a música (com a desencapsulação dos álbuns e a venda de canções à peça no i-tunes) porque não experimentar para as notícias. Ele vai mais longe e afirma: “As a consumer, you only want to pay for content you actually consume, you want algorithms and social to help you filter, and you want everything in one place. While consumers changed, newspapers and magazines didn’t adapt”.

Nasceu o Blendle. Neste momento ainda está em versão beta, para poucos milhares de utilizadores, mas já tem mais de 15.000 pessoas em lista de espera. Depois da Holanda, querem instalar a plataforma em mais países da Europa.

Este sistema levanta várias questões:

1- Qual será a evolução das marcas de jornalismo como contextualizadoras de informação? Se a curadoria é feita na plataforma e se o processo de busca é conduzido por algoritmos ou por pessoas externos às marcas é muito possível que esta função de contextualização se esvazie, passando as marcas a ser meras produtoras de notícias modulares indiferenciadas.

2- O valor da curadoria terá também de ser pago e, com o tempo, poderá ganhar maior relevância, em relação à produção de notícias.

3- Sendo o preço decidido por cada marca é possível que na informação mais generalista aconteça uma guerra de preços com tendência para levar o preço para zero. Por outro lado, a informação mais especializada e exclusiva tenderá a ser mais valorizada. No entanto, neste último caso, poderemos assistir a uma preponderância do jornalista como produtor de notícia, com autonomia, em relação às marcas tradicionais.

4- Em resumo: este ecossistema poderá ser positivo para curadores e contextualizadores na plataforma e para jornalistas como marca autónoma de produção de notícias e negativo para as marcas tradicionais, por perda de relevância nos dois extremos do negócio.

5- E o que vem seguir? Criar o Spotify das notícias? Paga-se uma subscrição única e consome-se tudo? Quem vai ganhar com isso?

Esta plataforma poderá vir a provar-se como um modelo válido. Poderá mesmo criar novo valor e novas profissões. Mas uma coisa é certa: o negócio de media está a mudar e, tal como no caso da música, nada voltará a ser como antes para as marcas tradicionais.

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