Será o online o “filho sobrevivente”?

“O `site` do jornal A BOLA totalizou 294 912 008 `page views`, apenas no mês de janeiro, ficando à frente de todas as páginas `web` de conteúdos noticiosos, em Portugal, na contagem de visualizações.”. Este é o início de uma pequena notícia publicada no ‘site’ A Bola no passado dia 21 de Fevereiro.

Ao que parece, as lutas de audiências começam a pesar mais, quando se trata de visitantes dos ‘sites’ noticiosos. Orgulhosamente A Bola confirma, também, que teve mais visualizações que todo o grupo Cofina, que abarca diários como o Correio da Manhã, o Record e o Jornal de Negócios, os jornais gratuitos Metro e Destak e revista como a Sábado e a Máxima (entre outras).

Mas será esta uma verdadeira vitória?! Aqui teríamos que abordar tópicos como os jornais mais lidos – que são os desportivos –, os leitores e as suas preferências – que acabam por ser temas mais fáceis-, e o facto de o ‘online’ continuar de uma maneira ou de outra a ser gratuito. A meu ver, uma verdadeira vitória seria ter vendido, só no mês de Janeiro, 294 milhões de exemplares de jornais. Uma vez, que a nível de retorno, seria francamente mais positivo, nem que seja pelo facto que a publicidade ‘online’ ser bem mais barata quando comparada com a publicidade no papel.

Mas esta aparente satisfação de conquistar cada vez mais leitores ‘online’ não se cinge apenas a Portugal. O IrishTimes publicou no mesmo dia uma notícia em sobre o aumento de leitores no ‘online’ e no jornal impresso como um todo. Contudo o diretor coordenador do Nacional Newspaper of Irland, Frank Cullen, afirma que é muito positivo “mas não surpreendente, ver que o número de leitores do ‘online’ está a crescer a um passo tão saudável”.

Positivo, a meu ver, são as possibilidades que a Internet produz. Possibilidades estas que não envolvem a transferência de leitores, total ou parcial, de um lado para o outro, mas sim a possibilidade de criar novos e diferentes conteúdos e não apenas publicar as mesmas notícias num lado e noutro.

Felizmente os olhos começam a abrir-se nessa direção e um dos sinais foi o facto de ter sido atribuído pela primeira vez no ano passado um Prémio Gazeta Multimédia, em Portugal. Mas um longo caminho ainda falta ser percorrido. Há, então, que existir um esforço por parte de jornalistas, diretores e até publicitários, em usar a Internet, para criar novas coisas e não apenas fazer um corta e cola como se fazia antigamente.

Numa notícia publicada no passado dia 25 de Fevereiro, no Canaltech.Corporate, dá conta que o Yahoo vai alterar a maneira como os seus leitores vêm a publicidade. Segundo a CEO da empresa, Marissa Mayer, numa entrevista para o The New York Times, a Yahoo pretende aproximar-se da publicidade feita nas revistas de moda como a Vogue, onde o conteúdo e a propaganda se misturam. A meta para 2014 passa por tornar a publicidade atraente e integrada nas notícias e informações que os leitores procurem no motor.

Este não seria um exemplo ético a seguir pelos jornais, mas já é uma maneira de pensar na publicidade feita de uma forma diferente para a Internet.

internet_versus_impressoInternet e papel são dois mundos muito diferentes e não tem qualquer sentido tentar que as mesmas palavras, ditas da mesma maneira, tenham o mesmo impacto no leitor. Porque na verdade não o têm.

O papel dos jornais portugueses passa por mostrarem ao leitor, que tanto o jornal impresso como os ‘sites’ têm dois objectivos diferentes e que são ambos necessários para manter o cidadão informado – isto claro que houver interesse de manter vivo o “primeiro filho”.

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