E se de repente a informação voltasse a ser paga?

O artigo de Daniel Oliveira «E se de repente a informação voltasse a ser paga?», de 15 de Novembro de 2013, começa por referir que o site do Público passará a ser pago e depois explica a “encruzilhada em que se encontra a imprensa”.

Com a internet habituámo-nos a ter acesso a quase tudo gratuitamente, os utilizadores da internet estão habituados a terem acesso a toda a informação sem precisarem de pagar e isso foi um dos factores a colocar em perigo o jornalismo tradicional. A maioria dos jornais e revistas procuraram marcar presença online e foram piorando ainda mais a sua situação, pois começaram por apenas transpor para o digital a informação que produziam no papel, fazendo assim concorrência aos próprios produtos impressos. Caíram no erro de acreditar que o digital diminuiria os custos, mas o meio digital exige mais recursos, pois alia texto, imagem, som e vídeo, e obriga à contratação de profissionais que dominem os meios e tenham competências digitais.

Deveriam era ter apostado num serviço diferenciado, em boas reportagens, bem contextualizadas, boas imagens só garantidas por profissionais que mereçam ser bem pagos e por jornalistas que investiguem e produzam conteúdos que façam com que os leitores sintam que vale a pena pagar para ser melhor servido.

 

Daniel Oliveira fala das revoluções necessárias que são bem difíceis de alcançar:

«A dos leitores: têm de se habituar à ideia de que se quiserem continuar a informar-se gratuitamente terão de ter como única fonte o “diz que disse”.

A da regulação: empresas que usam informação produzida por outros para obter lucro têm de pagar por ela.

A dos jornalistas: terão de provar que há uma diferença entre receber informação deles ou de um qualquer boateiro. Nunca a credibilidade, numa rede cheia de lixo, foi um bem tão valioso. E têm de produzir informação própria, não se limitando a usar as fontes institucionais (responsáveis pela esmagadora maioria da informação jornalística). Têm de adaptar-se ao digital, não repetindo o que funciona no papel mas não é seguro que funcione num site. Mas não repetindo um lugar comum por provar: não é verdade que a internet só aguente textos curtos e assuntos leves.

A dos empresários: para garantirem muito mais velocidade e qualidade, os sites exigem mais investimento. E exigem uma fronteira menos clara entre os vários meios do mesmo grupo, com os riscos que isto traz para o pluralismo de informação. E exigem ofertas inovadoras, que compensem a vontade de fazer assinaturas digitais. (…) E exigem outras formas de financiamento por experimentar.

A dos anunciantes: não é preciso torturar os leitores com publicidade insuportavelmente intrusiva para ser eficaz. É preciso mais criatividade e trabalho de casa: a vantagem da rede é que permite direccionar a publicidade com mais eficácia e, em alguns casos, oferecer o produto no mesmo lugar onde ele é anunciado.»

 

Em resumo precisa-se de mais qualidade, de mais conteúdo, de mais criatividade e de mais investimento para que o leitor sinta que aquilo que lhe estão a fornecer vale realmente a pena ser pago, porque não o vai encontrar em mais lado nenhum e porque acrescenta valor. Não se pode viver sem jornalismo, mas ainda não existe uma forma de manter a actividade jornalística economicamente sustentável. 

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