Manobras Editoriais

Manobras Editoriais

Este texto do The Guardian, que pode ser lido se o leitor deste blogue clicar na foto, conta-nos a história dos nossos dias; conta a forma como a Espanha marca mais uns pontos para os jovens investidores de média. Pelos vistos, a migração de leitores que abandonaram a velha imprensa e abraçaram a causa online ajuda a explicar a crise que se instalou nos três mais importantes títulos na terra de nuestros hermanos.

De facto, tanto La Vanguardia, como El País, como El Mundo viram os seus editores mudar. Esta transformação é mais uma prova da falência dos média tradicionais, que já vem sendo notada em várias nações dos Estados Federados da Velha Europa.

Uma das razões apontadas para este efeito destrutivo/criador nos média vizinhos tem que ver com a juventude: os mais jovens criadores de oportunidades jornalísticas, que criam start-ups quase diariamente, estão prontos a fazer perguntas que a velha elite rejeita.

Outra prende-se com a questão do financiamento: os jornais tradicionais, tal como sucede em Portugal, estão nas mãos de poderosos grupos económicos. Estes contribuem para as suspeitas de leitores, apostados em ler e ouvir as opiniões de outras pessoas que (ainda) mantêm um idealismo livre de amarras empresariais.

Embora os jornais “antigos” ainda tenham uma audiência superior, isso pode estar a mudar. Os novos empreendimentos mediáticos apostam forte na publicidade, vendendo a ideia de que não são tão susceptíveis de serem corrompidos pelo poder. Por outro lado, como é habitual nesta nova vaga de rapazes interessados em publicar, também não têm as mesmas responsabilidades éticas de confirmação das histórias e das fontes – o que explica a lentidão dos média decanos em soltar um furo jornalístico.

Esperemos que nem o El País acabe, nem as start-ups se revelem herdeiras do Huffington Post. Pode ser uma esperança vã, mas também poderemos ser surpreendidos por uma Espanha que reconhece o valor dos jornais que “fizeram” a transição democrática e deram ao país o seu sangue e esforço na luta pela verdade.

Nota: De relevar que os repórteres do El País hesitaram em falar com Ashifa Kassam, jornalista do periódico inglês. Isto parece ter sido encomendado por Hallin e Mancini que, na sua obra crucial, avisaram que uma das grandes diferenças a separar os profissionais dos média do Sul da Europa aos do Norte era a liberdade que os últimos sentiam na sua rotina diária. Fica o texto. Fica o aviso. Fica a referência bibliográfica.

HALLIN, Daniel C.; MANCINI, Paolo. Comparing Media Systems, Cambridge University Press, 2004.

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