Identificar ou não identificar, heis a questão!

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Num artigo de opinião, publicado no jornal Publico hoje, de José Vítor Malheiros, a questão gira em torno das fontes de informação. O colunista defende que o dever de rigor de informação está em primeiro lugar com os leitores e, ao contrário do que normalmente se defende, não com a ocultação da identidade das fontes.

«“Pois, pois, eu sei, os jornalistas nunca revelam as suas fontes…” A frase é em geral dita ao jornalista com um sorriso sabido e acompanhada de uma piscadela de olho em sinal de cumplicidade. Na verdade, a frase é um disparate absoluto.»

Segundo o ponto numero 6 do Código Deontológico do Jornalista, “o jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes.”. Este mesmo ponto ainda defende o contrário, “o jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as sus fontes confidenciais de informação (…).”.

Este ponto cria uma divergência, que dá ao jornalista liberdade para, nos seus trabalhos, identificar as fontes ou não. O que o cronista aqui defende é que acima das fontes estão os leitores e que estes têm o direito de conhecer a informação e a fonte que a sustenta, com o objetivo de eles próprios puderem avaliar credibilidade destas.

Malheiros aponta ainda que as fontes, provenientes da administração pública ou da agenda politica, devem ser identificadas, com o objetivo do jornalista promover a responsabilização dos poderes.

Contudo o cronista não defende a possibilidade de proteção das fontes, mas que deve ser uma exceção:

– Quando a fonte corre o risco de sofrer represálias:

“É o caso de um funcionário de uma organização que denuncie ilegalidades praticadas por essa organização e que deve ser penalizado por cumprir um dever de cidadania. O anonimato dever servir para proteger os mais fracos, não os mais fortes.”

– Ou quando a fonte apenas oferece informação em troca do anonimato. Contudo neste caso a informação tem de ter uma grande relevância para o público: “Trata-se de uma cedência feita pelo jornalista em nome do superior interesse dos leitores”.

 

Ou seja, o normal seria a identificação clara e aberta das fontes e a exceção seria o seu “anonimato”, aplicando-se a raros exemplos e só para defender os mais fracos ou transmitir informação “mais que valiosa”. Contudo olhando para os jornais vemos que não é assim.

Avaliando as notícias de economia, onde muitas vezes não se consegue identificar a parte económica sem ser os números, uma vez que o jornalismo económico em Portugal é muito politizado, as fontes provenientes da esfera politica ou da administração pública são “protegidas”.

 

Esta é uma notícia pública no Publico, no dia 24 de Janeiro de 2014, mas este é apenas de muitos exemplos. E a questão que surge aqui é: afinal de quê e quem protegem os jornalistas?

Ao não identificar a fonte o leitor, no caso se verificar que a notícia é falsa, não vai atribuir culpa à fonte porque desconhece-lhe uma “cara”, mas vai culpabilizar o jornalista. E não lhe é dada, ao leitor, a possibilidade de atribuir a essa mesma fonte credibilidade – quem atribui é o profissional.

O jornalismo que se apelida de livre e isento, tem em Portugal, por vezes, muito pouco disso.

 

 

– Artigo de Opinião na Integral: http://www.publico.pt/portugal/noticia/os-jornalistas-nao-podem-ser-cumplices-de-encobrimento-1630495

– Código Deontológico do Jornalista: http://static.publico.pt/nos/livro_estilo/29-codigo-d.html

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