Tablóide Entretido ensina Telégrafo Introvertido

Tablóide Entretido ensina Telégrafo Introvertido

Muitos já se devem ter perguntado qual a relação que deve ser mantida entre os velhos produtores de conteúdos mediáticos (profissionais) e os novos rebentos que contribuem com a sua visão para um jornalismo mais completo (leitores-contribuidores). Neste artigo, o editor do Telegraph Media Group ilumina-nos o caminho.

Segundo o excelentíssimo Mr. Jason Seiken, o consumidor/produtor deve ser um dos principais factores a ter em causa na actual produção jornalística. Para ele, os tempos do editor imperial, que tentava perceber aquilo que o público devia conhecer, estão a acabar de forma célere e é preciso uma adaptação relâmpago a essa realidade.

Neste admirável mundo novo, é necessário construir jornais que respondam aos anseios do público. Este, escrevendo e comentando, cria uma onda democrática que influencia o tipo de informação contida num diário de referência: “What is just as important these days is data, information, knowing the customer, making sure the customer has a voice in the coverage.”

Para além deste respeito pelo consumidor, Seiken avisa que o Telegraph não deve ser apenas diferenciado por ser um jornal moderadamente conservador. Neste terreno de alta competição – no qual o editor é atleta testado diariamente – é fundamental apostar no entretenimento, estimulando a audiência global.

O autor deste texto chega mesmo a sugerir que o Telegraph possa “copiar” uma estratégia tablóide. Ora, o que temos nesta opinião é o registo de uma tendência que pode ser preocupante: para que os velhos lobos-do-mar jornalístico tenham uma chance de se manter à tona da água, precisam de mergulhar na lama do entretenimento, da celebridade vazia e do conteúdo feito para alegrar as massas.

Isto significa que, ao invés de serem os tablóides a aprender com as publicações “sérias”, dá-se um fenómeno oposto; em vez de termos uns média que consigam opor-se ao tipo de conteúdos de clique fácil do Daily Mail, temos uma capitulação digna de uma referência à Crimeia.

Dito isto, parece que não estamos a assistir ao desabrochar de uma rede mediática constituída por um jornalismo prosumer que aposta na qualidade para se diferenciar. Estamos, pelo contrário, a entrever o fim de um profissional imbuído de escolha, que deixará de narrar factos importantes com medo de perder audiências santificadas.

De facto, ao invés de parecer estimular a criatividade e a diferença, a constante actualização de editores dá-nos mais do mesmo: menos jornalismo sério; maior aposta na disseminação virtual de conteúdos vazios.

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