Até onde vai o serviço público em Portugal?!

No artigo de opinião de David Marçal, publicado no Publico no passado dia 28, aborda o problema da Ciência não ter muita cobertura no “Grande Ecrã”. Mas que a ciência é um tema que pouco surge nas notícias dos telejornais não é preciso nenhum relatório que o comprove.

O que temos de ter em atenção aqui, também, é o que significa Serviço Publico e por Serviço Publico, entende-se, segundo a RTP, entre outras coisas, o dever de assegurar uma programação variada e abrangente que corresponda às necessidades dos diferentes públicos e uma programação de referência, exigente e educacional.

Estes “deveres” que o canal aqui em questão defende, não estão de acordo, segundo o relatório Ciência no Ecrã, realizado pela Entidade Reguladora da Comunicação e pelo Instituo Gulbenkian de Ciência e segundo o cronista.

Segundo o relatório, apenas 0,8% do tempo dos telejornais, em horário nobre, é dedicado à ciência e a duração média das peças de ciência no Telejornal da RTP é de três minutos e vinte e quatro segundos. Este tamanho é dado a peças com menos importância mas que devem ser referidos – ou seja, as peças sobre Ciência têm pouca importância.

O que David Marçal, como bioquímico, acha ultrajante é que em nome da Ciência, a televisão pública tenha atribuído um espaço cativo a que chamou Acreditar, mas que de científico pouco tinha.

 

 

 

Dia

Tempo (minutos)

Tema

17 de Março

7

“Medicina Popular” – especialista faz diagnóstico medindo, em palmos, a roupa dos pacientes.

18 de Março

7

“Endireita” – senhor que tem um dom, para o qual não tem explicação, trata problemas de ossos

19 de Março

6,15

Cartomante

20 de Março

7,24

Fitoterapeuta que diz fazer diagnósticos de doentes através da leitura da iris

21 de Março

7

Médium que incorpora espíritos

 

Conclusão: em cinco dias, a RTP, ou seja a televisão pública utilizou 34 minutos e 39 segundos do Telejornal, para «fazer publicidade» – palavras do cronista – a produtos e serviços, supostamente, milagrosos. O que David Marçal, e qualquer outra pessoa a meu ver, defende é que isto não é Ciência e nem Serviço Publico.

Serviço Publico seria uma abordagem mais profissional, mais jornalística, dos temas.  Fazer reportagens onde se fala com os «especialistas», com clientes satisfeitos, e os não satisfeitos também, mas também com alguém do lado da ciência que dê a sua opinião profissional sobre o assunto – «apresentar também um contraponto racional. Porque isto não é jornalismo. ».

Embora para o cronista, como homem da ciência que é, é lhe difícil, ou mesmo impossível, acreditar em «fenómenos sobrenaturais», mas o que aqui fica em discussão não é o facto de a RTP usar tempo em horário nobre para temas e pessoas como estas, porque há quem acredita e recorra a elas, mas sim a maneira como foi feita.

Em primeiro lugar isto não é, de facto, ciência onde as «descobertas» e factos são provados de alguma maneira e nas quais se pode confiar, estes temas, não podem ser reportados como de pessoas e fenómenos 100% fiáveis se tratasse.

Em segundo lugar, este espaço Acreditar parece, de facto, publicidade, porque mostram apenas um serviço e não reportam a existência deste tipo de negócios, indo ao encontro de terceiros que os tenham utilizado. Ou de pessoas da ciência que os justifiquem ou não. Mostram apenas um e só um lado: o negócio. Porque, do “além” ou não, as pessoas pagam por todos estes serviços e pagam bem.

Em terceiro e último lugar, surge o facto de a televisão que recebe dinheiro de todos os contribuintes portugueses, utilizar este tipo de programas em serviço público, como se disso se tratasse.

«É extraordinário que, não tendo a ciência uma presença regular no Telejornal, esse espaço seja dado à pseudociência. Não sei o que se passa pela cabeça dos responsáveis pela informação na RTP. Nem que conceção delirante de serviço público justifica esta opção. Mas isto é uma iniciativa (deliberada ou inadvertida) que contribui para acabar com a ideia de serviço público de televisão.»

 

Artigo na integral: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/jornalismo-oculto-no-telejornal-da-rtp-1629971

Definição de Serviço Publico: http://www.rtp.pt/wportal/grupo/governodasociedade/missao.php

 

Até onde vai o serviço público em Portugal?!

No artigo de opinião de David Marçal, publicado no Publico no passado dia 28, aborda o problema da Ciência não ter muita cobertura no “Grande Ecrã”. Mas que a ciência é um tema que pouco surge nas notícias dos telejornais não é preciso nenhum relatório que o comprove.

O que temos de ter em atenção aqui, também, é o que significa Serviço Publico e por Serviço Publico, entende-se, segundo a RTP, entre outras coisas, o dever de assegurar uma programação variada e abrangente que corresponda às necessidades dos diferentes públicos e uma programação de referência, exigente e educacional.

Estes “deveres” que o canal aqui em questão defende, não estão de acordo, segundo o relatório Ciência no Ecrã, realizado pela Entidade Reguladora da Comunicação e pelo Instituo Gulbenkian de Ciência e segundo o cronista.

Segundo o relatório, apenas 0,8% do tempo dos telejornais, em horário nobre, é dedicado à ciência e a duração média das peças de ciência no Telejornal da RTP é de três minutos e vinte e quatro segundos. Este tamanho é dado a peças com menos importância mas que devem ser referidos – ou seja, as peças sobre Ciência têm pouca importância.

O que David Marçal, como bioquímico, acha ultrajante é que em nome da Ciência, a televisão pública tenha atribuído um espaço cativo a que chamou Acreditar, mas que de científico pouco tinha.

 

 

 

Dia

Tempo (minutos)

Tema

17 de Março

7

“Medicina Popular” – especialista faz diagnóstico medindo, em palmos, a roupa dos pacientes.

18 de Março

7

“Endireita” – senhor que tem um dom, para o qual não tem explicação, trata problemas de ossos

19 de Março

6,15

Cartomante

20 de Março

7,24

Fitoterapeuta que diz fazer diagnósticos de doentes através da leitura da iris

21 de Março

7

Médium que incorpora espíritos

 

Conclusão: em cinco dias, a RTP, ou seja a televisão pública utilizou 34 minutos e 39 segundos do Telejornal, para «fazer publicidade» – palavras do cronista – a produtos e serviços, supostamente, milagrosos. O que David Marçal, e qualquer outra pessoa a meu ver, defende é que isto não é Ciência e nem Serviço Publico.

Serviço Publico seria uma abordagem mais profissional, mais jornalística, dos temas.  Fazer reportagens onde se fala com os «especialistas», com clientes satisfeitos, e os não satisfeitos também, mas também com alguém do lado da ciência que dê a sua opinião profissional sobre o assunto – «apresentar também um contraponto racional. Porque isto não é jornalismo. ».

Embora para o cronista, como homem da ciência que é, é lhe difícil, ou mesmo impossível, acreditar em «fenómenos sobrenaturais», mas o que aqui fica em discussão não é o facto de a RTP usar tempo em horário nobre para temas e pessoas como estas, porque há quem acredita e recorra a elas, mas sim a maneira como foi feita.

Em primeiro lugar isto não é, de facto, ciência onde as «descobertas» e factos são provados de alguma maneira e nas quais se pode confiar, estes temas, não podem ser reportados como de pessoas e fenómenos 100% fiáveis se tratasse.

Em segundo lugar, este espaço Acreditar parece, de facto, publicidade, porque mostram apenas um serviço e não reportam a existência deste tipo de negócios, indo ao encontro de terceiros que os tenham utilizado. Ou de pessoas da ciência que os justifiquem ou não. Mostram apenas um e só um lado: o negócio. Porque, do “além” ou não, as pessoas pagam por todos estes serviços e pagam bem.

Em terceiro e último lugar, surge o facto de a televisão que recebe dinheiro de todos os contribuintes portugueses, utilizar este tipo de programas em serviço público, como se disso se tratasse.

«É extraordinário que, não tendo a ciência uma presença regular no Telejornal, esse espaço seja dado à pseudociência. Não sei o que se passa pela cabeça dos responsáveis pela informação na RTP. Nem que conceção delirante de serviço público justifica esta opção. Mas isto é uma iniciativa (deliberada ou inadvertida) que contribui para acabar com a ideia de serviço público de televisão.»

 

Artigo na integral: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/jornalismo-oculto-no-telejornal-da-rtp-1629971

Definição de Serviço Publico: http://www.rtp.pt/wportal/grupo/governodasociedade/missao.php

 

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