Nyamata – reportagem 360° do genocídio de Ruanda

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“The world is too complex, and the Internet too flexible, to justify telling stories with just columns of text and still images.” Martin Edström 

É em Abril de 1994 que, após o assassinato do presidente Juvénal Habyarimana, Ruanda enfrenta um dos maiores genocídios, onde o povo minoritário tutsi é vítima de perseguições e torturas por parte dos extremistas hutu, que levam a rivalidade étnica ao limite com o massacre de mais de 500.000 pessoas.

“Nyamata – Visiting a scene from the Rwanda Genocide” é a terceira narrativa multimédia de Martin Edström que explora o espaço do genocídio através do panorama de 360°, técnica cada vez mais procurada pelas reportagens contemporâneas.O jornalista e fotógrafo sueco, conhecido pelo seu entusiasmo por conteúdos humanitários e ambientais, construiu a reportagem “Nyamata” de modo a incluir o espectador na narrativa e de o aproximar a um espaço esquecido e pessoas anónimas, com uma história violenta.

A narrativa começa com o rio Nyabarongo, situado a 20km da capital Kigali, rio esse que, em 1994, estava coberto por corpos que boiavam na sua superfície. É através do mapa no canto direito que o espectador faz o percurso e passa do rio para a entrada da igreja católica de Nyamata, refúgio dos milhares de habitantes que acreditaram estar a salvo do massacre.

No dia 10 de Abril de 1994 acabaram por morrer quase 10,000 pessoas na igreja. Mulheres, homens e crianças de étnia tutsi e até hutu. Hoje em dia a igreja é um museu, um marco aberto ao público. No seu interior permanecem pilhas de roupas dos refugiados. Os túmulos que carregam os ossos e crânios humanos servem como memória não das pessoas, pois grande parte são desconhecidas, mas do genocídio de Nyamata, onde os habitantes de Ruanda perderam a vida pela sua étnia.

É graças à perspectiva 360° e à qualidade da imagem que é possível fazer zoom e observar no interior da igreja as balas no tecto, disparadas há 20 anos atrás, assim como os objetos ao pormenor. O som cria o ambiente e envolve a pessoa que observa não um artigo ou uma imagem, mas um espaço e aquilo que ficou, a sua história.

Cada vez mais as reportagens complementam o texto com a imagem, estática ou em movimento, e com o som. É  a interação do observador com a imagem que torna a narrativa real e transporta o espectador para outro espaço, onde ele próprio passa a existir.

“Instead of putting it to words, or trying to portray the site in a few photographs, I’ve tried to convey the silent story of Nyamata through a 360-reportage. To let you not only read about, but truly wander through, this memorial — bearing witness to one of this world’s worst genocides. As if you were there.” Martin Edström in “How do you tell a story of a genocide?” 

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