Poiares Maduro quer internacionalizar a comunicação social

Segundo uma notícia publicada no Diário de Notícias, do dia 2 de Abril, o ministro-adjunto e responsável pela comunicação do Governo, Miguel Poiares Maduro, quer a internacionalização de todos os órgãos de comunicação social portugueses. Poiares Maduro

Maduro defende que a língua portuguesa é um ativo e um potencial económico para o nosso país, afirmando que “na área do audiovisual temos um potencial de exportação muito grande”. A primeira coisa que me veio à cabeça quando li esta citação foi: “Ai queres?”. A segunda foi perceber que o ministro-adjunto responsável pela comunicação do Governo está a falar de um assunto que nada abrange as suas competências e por que razão está então ele a falar do que quer para Comunicação Social portuguesa.

Já para não falar que aborda as questões económicas e por aí é outra questão. Porque toda gente sabe que o grande problema do jornalismo é toda gente querer alguma coisa dele, ou seja, querer de uma maneira ou de outra, beneficiar através dele. Porque é certo e sabido que uma notícia positiva sobre uma empresa vai automaticamente valoriza-la e uma notícia negativa desvaloriza-la.

 

Maduro mistura ainda no mesmo bolo, políticos e jornalistas: “Os jornalistas são os editores da nossa democracia” e “todos os que intervêm no espaço público, como políticos e jornalistas, têm a responsabilidade muito grande de construir um espaço onde todas as ideias possam ser ouvidas, com tranquilidade e serenidade, e esgrimidos todos os argumentos e confrontadas as nossas próprias ideias”. Poiares Maduro salientou, ainda, os benefícios de o jornalismo “debater” os temas internos e informar sobre o que se passa internamente no país, mas “atendendo à necessidade de contextualizar a informação à luz do que se passa no mundo”.

Embora o intuito seja dar uma notícia positiva, onde se exalta o bom jornalismo que em Portugal se faz – daí o intuito de o exportar – eu não consigo ver nada de bom neste discurso! Porque primeiro trata da comunicação social portuguesa e, em especial o jornalismo, como um mero negócio que têm como tarefa divulgar notícias assim como talhante corta a carne. Tornando, assim, o jornalista um mero trabalhador cuja autonomia é nula.

A meu ver, este discurso, além de ofensivo para a própria classe, vem ilustrar a maneira como os políticos vêm o jornalismo em Portugal: um peão que utilizam para passar informações cá para fora.

 

 

Noticia na Integral:

– Diário de Notícias: Ministro quer internacionalização da comunicação social 

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