Mês: Maio 2014

O futuro do jornalismo e dos media, segundo a Google

Uma pergunta para uma resposta de um milhão de dólares: como vai ser o futuro do jornalismo e dos media? Os homens fortes da Google, Eric Schmidt e Jared Cohen, ensaiam a resposta em A Nova Era Digital.

Segundo os autores, o “papel dos meios de comunicação tradicional será primordialmente de agregador, zelador e verificador, uma espécie de filtro de credibilidade que peneire todos os dados e destaque o que vale e o que não vale a pena ler, compreender e crer”[1].

Por outro lado, a enorme inflação de peças noticiosas e de informação de baixa qualidade na Internet fará com que as elites continuem a confiar nas instituições de comunicação social tradicionais, que, embora em menor número, continuarão a ter um papel fundamental como mediadores da nossa realidade social. Mas a proliferação de sites de informação anónimos e de figuras públicas tenderá a aumentar, pondo permanentemente em causa a sobrevivência de algumas organizações mais conservadoras e inertes.

Os autores garantem que, no futuro, de modo a garantir a confidencialidade das comunicações, o jornalismo criará uma categoria nova de colaboradores: os especialistas em criptografia. Esta tendência, apoiada por audiências cada vez maiores, resultado da expansão da conectividade a países onde a imprensa ainda não é livre, garantirá que, “mesmo que o sistema judicial de um país seja demasiado corrupto ou inepto para lidar devidamente com as maçãs podres, elas podem ainda assim ser julgadas online através dos media[2].

Referências:

[1] Eric Shmidt & Jared Cohen, A Nova Era Digital, p. 65.
[2] Ibid., p. 71.

Jornalismo dos “megadados” exige novos compromissos éticos

O programa de vigilância eletrónica PRISM, revelado por Edward Snowden, mostrou ao grande público a natureza do mercado de data mining – o processo de explorar grandes quantidades de dados à procura de padrões consistentes. Os dados são recolhidos a partir de redes sociais, motores de busca e aplicações para smartphones, e depois são agregados e analisados com o propósito de serem utilizados para publicidade direcionada. Convencionou-se chamar a estes dados BIG DATA (“megadados”).

Cada vez mais, investigadores em ciências sociais e jornalistas usam os “megadados”, tanto como objecto de reportagem como ferramenta de recolha de informação. Esta nova realidade de recolha e análise de grandes quantidades de dados requer um repensar de como os princípios éticos são cumpridos.

Com as alterações tecnológicas e o aumento dos custos, é fácil que jornalistas e investigadores subvalorizem as questões éticas relacionadas com os “megadados”. Podem sentir, compreensivelmente, que garantir a autorização de cada pessoa que tenha contribuído para o conjunto de dados é impraticável por razões de custo. Então, como pode o princípio ético da autonomia ser garantido? O custo de obtenção da autorização não deve desvirtuar o princípio.

Por outro lado, também não é possível fazer um compromisso prévio absolutamente inflexível – exigir o consentimento informado tradicional de milhões de utilizadores do Facebook para um estudo não é realista. O que é necessário é uma estrutura filosófica que combine a flexibilidade para inovar com uma obrigação ética. Para isso, o dever subjacente ao princípio deve permanecer intacto, de forma a que a inovação possa focar-se em novas formas de satisfazê-lo.

Segundo Fairfield e Shtein, o intuicionismo de William David Ross é a corrente ética que melhor combina estabilidade e flexibilidade. Por um lado, a abordagem baseada no dever evita a erosão dos princípios face ao aumento dos custos; por outro, a característica maleável da sua doutrina permite uma adaptação dos princípios às rápidas alterações tecnológicas.

O rápido fluxo tecnológico torna mais necessário do que nunca que investigadores e jornalistas, que utilizam ferramentas de recolha e análise de dados, tenham compromissos éticos flexíveis mas firmes. Caso contrário, as obrigações éticas básicas dissolver-se-ão por entre os dados.

Referências:

Fairfield & Shtein, Big Data, Big Problems: Emerging Issues in the Ethics of Data Science and Journalism.
Wikipedia, Ethical intuitionism.
Wikipedia, W.D. Ross.

India: uma terra de oportunidades

Os jornais estão por todo o lado na Índia e a imprensa continua a crescer. Este crescimento é sinónimo de modernização, tornando-se apetecível para quem quer ver o seu projeto crescer.

Samir Patil, um empreendedor na área dos media, já adaptou vários meios de comunicação de imprensa escrita para o digital e, lançou em janeiro o seu novo projeto, o Scroll.In, um site que oferece informação sobre a Índia em diversas áreas. Nos seus primeiros meses de vida, foi visitado por um milhão de visitantes únicos e, mais de metade deles, acederam ao site através de smartphones. Isto atrai os publicitários e fez com que se tivesse que desenvolver uma aplicação o mais rápido possível.

O BuzzFeed e o Huffinton Post também foram atraídos pelo mercado indiano, pelo que vão abrir escritórios no país ainda este ano. O The Guardian está a estudar a possibilidade de desenvolver um site com informação sobre o país. O chefe do grupo do The Guardian acredita que a Índia tem “imenso potencial”. Já Koda Wang, da divisão internacional do Huffington Post clarifica: “Não é criar um Huffington Post na Índia, mas criar um Huffington Post indiano”. Como tal, as empresas de comunicação a estabelecerem-se no país não pretendem usar correspondentes, mas sim repórteres locais.

Porquê fazê-lo? Mais de 130 milhões de indianos estão online diariamente, principalmente nos seus telemóveis.

Referência : Global Digital News Brands See Growth Opportunity in India

Avaliações na BBC

Os trabalhadores da BBC podem vir a ser avaliados numa escala de 1 a 5 em relação ao seu trabalho e percepção do que são os “BBC values”. O problema desta avaliação é que já foram sugeridas as percentagens de trabalhadores que devem conseguir cada nota.

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Como se pode ver na tabela, apenas 5% dos trabalhadores vão ter a nota máxima, o 1, que corresponde ao “top performers”, aqueles que se demonstraram ser firmes e constantes em relação à aplicação dos valores da BBC. Entre 15 a 20% dos trabalhadores serão avaliados com 2; 60 a 70% com 3; 10 a 15% com 4 e, por fim, 5% com 5. Estas últimas duas classificações, correspondem aos trabalhadores que mostraram um desempenho inconsistente e um desempenho inaceitável, respetivamente.

O que está a revoltar as pessoas é que ainda não foram realizadas as avaliações e, como tal, não se sabe ao certo se a maioria das pessoas pertencem realmente ao 3 (mediano), ou se realmente as percentagens pré-definidas correspondem à realidade.

Segundo o “The Guardian”, esta informação foi divulgada ao staff da BBC através de um e-mail. Alguns trabalhadores da BBC já fizeram queixa no “National Union of Journalists” e no “Bectu” (sindicato de técnicos). Os dois sindicatos querem falar com a BBC para tentarem deixar sem efeito esta medida.

 

Referência: 

BBC stars and staff could be rated from 1 to 5 under appraisal plan

Jornalistas: uma ameaça para as forças anti-Kiev

O clima na Ucrânia é instável e isso não facilita o trabalho dos jornalistas nesse país. O “Reporters Without Borders” expressou a sua preocupação perante as ameaças que os media locais sofrem na Ucrânia. O grupo revelou que as forças anti-Kiev começam a marcar os jornalistas já que a população confia neles. A “Reporters Without Borders” disse também que os grupos anti-Kiev não querem perder a sua força para os jornalista. Isso pode causar uma certa tensão e ter um “impacto desastroso”.

O mais alarmante é a quantidade de jornalistas e membros de equipas de reportagem que já foram atacados, presos e feitos reféns. O “Comittee to Protect Journalists” estima que 42 pessoas ligadas aos media foram atacadas enquanto cobriam os protestos anti-governamentais em Kiev. Mas não são apenas os media locais que sofrem. Repórteres da CBS, BuzzFeed e Sky News, por exemplo, já foram detidos por grupos pró-Russia.

Esta situação é preocupante já que os jornalistas se encontram em risco a fazer o seu trabalho: transmitir informação à população. 

Infinisterra – A JOURNEY TO THE EAST THROUGH THE EYES OF TWO ARCHITECTS

Infinisterra é um projeto iniciado em Março de 2013 por uma equipa que viajou pela Ásia com o simples propósito de conhecer aquela região do globo e trazer um pouco dela de volta em formato fotográfico, filme, som e através da escrita. Apesar de se tratar de um ajuntamento de dois arquitetos, o trabalho levado a cabo pelos mesmos acabou por resultar numa exposição atualmente patente no Lx Factory, que retrata jornalisticamente a sua passagem por estes países, trazendo deles vários retratos, tanto do ponto de vista urbano e sociológico, como até do ponto de vista antropológico.

A viagem passou por 6 países sobre os quais se informaram profundamente antes de visitar, Rússia, Mongólia, China, Nepal, Índia e Sri Lanka, e da sua passagem por eles resultou um ínfimo registo fotográfico, cinematográfico, e de entrevistas a pessoas das várias nacionalidades, que em muito transformaram progressivamente a sua ideia inicial, acrescentando-lhe um enriquecimento progressivo.

A Arquitetura, Fotografia e Instalação foram os instrumentos utilizados para elaborar a interpretação crítica da viagem a partir de material completamente original.

No meio de tudo isto, fica no ar a ideia de que, apesar de ser um trabalho levado a cabo por arquitetos, podia perfeitamente ter sido um trabalho realizado por jornalistas. O trabalho jornalístico, seja fotográfico, documental ou escrito, pode ser exercido por qualquer pessoa, estando aberto para ser ocupado por qualquer pessoa, em diferentes circunstâncias.

http://www.infinisterra.sqsp.com

Pessoal da BBC News foi alertado para “não fazer nada estúpido” nas redes sociais

Os trabalhadores da BBC News foram informados pelos seus chefes que deviam ter cuidado com o que colocam nas redes sociais, sendo clara a mensagem: “não façam nada estúpido”. Tal aconteceu depois de uma editora do canal, Jasmine Lawrence, postar um tweet mostrando que era contra o partido Ukip (#WhyImVotingUkip#), onde dizia que os homens da política de hoje em dia eram racistas e sexistas.

O tweet foi publicado um dia antes do início do início eleições europeias e, apesar de Lawrence ter excluído esse tweet da sua conta, foi retirada a cobertura eleitoral da BBC.  

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Na decorrência destes factos, Mary Hockaday , chefe de redacção da BBC , enviou um e-mail aos jornalistas lembrando-os da “orientação de média social muito clara” da corporação. Hockaday recordou as orientações da BBC em redes sociais, estabelecidas no seu website: “Como um membro BBC – e, especialmente, como alguém que trabalha com notícias – há especiais considerações a ter em conta e todas elas podem ser resumidas como: ‘não faça nada estúpido’.”

Uma vez que as redes sociais são uma parte essencial do trabalho dos jornalistas, onde é possível angariar novas audiências e estabelecer contacto com as pessoas, é necessário ter cuidado com o que se coloca lá. Assim os jornalistas não devem indicar as suas preferências políticas ou dizer qualquer coisa que comprometa a sua imparcialidade.

Fonte: http://www.theguardian.com/media/2014/may/23/bbc-news-stupid-social-media-tweet-jasmine-lawrence-ukip