Censura Debelada

Censura Debelada

Uma das questões mais surpreendentes do jornalismo actual prende-se com o número de profissionais que – passados anos em que tantas metas foram cortadas na corrida para a liberdade – ainda são vítimas de censura na imprensa. De facto, o jornal Al-Shorouk, diário árabe publicado no Egipto, seguiu uma linha comum nalguns países e optou por negar a publicação de um texto a um dos seus contribuintes.

No entanto, há um aspecto relevante: o censurado, Belal Fadl, anunciou esta intromissão no Twitter: “I will look for another paper that doesn’t deceive its readers with slogans about freedom of thought, which is being strangled every day”. Isto significa que, embora o Egipto continue a demonstrar uma incapacidade notável para admitir uma imprensa livre, já não se pode dizer que o mundo dorme cego, surdo e mudo.

O Twitter, bem como outras redes sociais espalhadas pelo mundo, pode não ser a plataforma ideal para que os filhos destes regimes autoritários exerçam o seu “direito de resposta”. Contudo, essa é uma realidade que surge como forma de combater uma barreira que impede que as informações sejam divulgadas.

Esta tendência de passar mensagens pouco abonatórias sobre regimes, cartéis ou grupos económicos já foi analisada academicamente. Andrés Monroy-Hernández, por exemplo, estudou o poder afirmativo da rede social no caso mexicano. Para Hernández (2012), esta é amiúde a única forma que os cidadãos têm de serem informados: “Many government agencies leverage technology to inform the public, but what is provided is insufficient (…) In response to this, social media has also provided a venue to present a counter narrative.”

Tal como no caso do país da América Central, o Twitter continua a provar a sua popularidade: não na medida das imagens e dos shares publicados sobre uma estrela do basquete, mas sim na maneira como pode tornar-se um dos poucos veículos de expressão mais dificilmente censurados.

Belal Fadl, o jornalista, conseguiu que este contratempo lhe desse uma nova oportunidade: publicou o artigo indesejado noutros locais, provavelmente menos receosos do poder que espreita, controla e asfixia.

A censura, essa prática condenada, continuará um caminho tortuoso, debelado por plataformas variadas. Até à sua aniquilação total, estas novas formas de comunicar, tendo surgido há poucos anos, continuarão a ser um privilégio para aqueles que nelas vêem uma fiel promessa de informação livremente disseminada.

Bibliografia:

Monroy-Hernández, Andrés. (2012) The New War Correspondents: The Rise of Civic Media in Urban Warfare.

Link: http://research.microsoft.com/pubs/182251/civic-media-warfare-CSCW2013.pdf

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