Venezuelanos sem papel

Em português falta de papel pode ter dois significados: falta de dinheiro ou falta da matéria propriamente dita. A imprensa venezuelana encontra-se em estado de emergência por falta da matéria enquanto o país se encontra sem dinheiro.

Segundo o Diário de Notícias um dos mais populares diários, El Universal, reduziu na passada sexta-feira (dia 9 de Maio) cerca de 30% do seu número de páginas. O diário diz, ainda, que apenas tem papel para publicar até dia 18 de Maio.

O país vive, segundo a mesma notícia, desde 2003 sob um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção da moeda estrangeira no país e obriga empresas a pedirem ajuda às autoridades para conseguirem ter acesso aos dólares oficiais para as importações. E a falta de papel decorre deste controlo.

Segundo o “El Universal” a demora para ser conseguida autorização de importação “não permitiu receber um carregamento de papel de jornal, necessário às operações do diário e obriga À urgente tomada de decisões para racionalizar ainda mais um produto fundamental para os meios de comunicação em papel”. Mas esta não é a primeira vez que o diário se vê forçado a racionalizar nas páginas que publica, a primeira teve lugar no passado 15 de Abril.

Em Março a Associação Colombiana de Editores de Diários e Meios Informativos emprestou 52 toneladas de papel aos jornais venezuelanos “El Nacional”, “El Nuevo País” e “El Impulso”, garantindo o seu funcionamento até aos finais do mês de Maio. Contudo os jornais mais pequenos começam a fechar portas por não conseguirem papel.

Para a Sociedade Interamericana de Imprensa este não passa de um golpe do Governo para acabar com a imprensa nacional. Desde de Janeiro que um lote de 600 toneladas de bobinas se encontra “preso” no porto de La Guaira.

Aqui não está apenas em perigo a imprensa venezuelana mas também milhares de postos de trabalhos. E foi neste sentido que o Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa se dirigiu ao presidente Maduro no passado domingo para o alertar, ou tentar alertar, para a frágil situação da imprensa e dos seus trabalhadores.

A carta enviada ao Presidente, o Sindicato tentou alertar não só para o facto de todos os dias os jornais estarem a reduzir o número de páginas que publicam, assim como para o facto de os jornais mais antigos empregarem um número significativo de empregados. “O ‘El Impulso’, que tem 110 anos, o ‘El Universal’ (105) e o ‘El Nacional’ (71) empregam 284, 830 e 504 trabalhadores directos, respectivamente”. A estes números têm que se somados à equação os trabalhadores indirectos, como os distribuidores ou os vendedores de jornais. Neste sentido o Sindicato solicitou a Maduro a atribuição dos recursos necessários para importar o papel e conseguir normalizar a actividade jornalística.

Do outro lado estão os supermercados sem bens essenciais nas prateleiras. Segundo o jornal brasileiro, Estadão, as filas às portas dos supermercados tornou-se paisagem quotidiana na Venezuela. O país, com as suas taxas de cambio, vive um momento de escassez de produtos básicos. Arlen Valero detêm um mini-mercado na favela 23 de Janeiro e há mais de um ano que não tem nas prateleiras os itens de maior procura – farinha de milho açúcar, café, óleo, leite e papel higiénico. Hospitais e farmácias sofrem o mesmo dilema. Empresas como a Toyota, a Ford e a General Motors suspenderam suas actividades por falta de dólares para a importação de partes e peças. As concessionárias estão fechadas.

Segundo o Economista Orlando Ochoa nenhum outro país da região vive tal «disfunção económica». O relatório que coordenou
conclui que o governo embarcou num círculo vicioso de práticas incapazes de prover estabilidade económica à Venezuela”.Mas a resposta aos protestos populares, contra toda a situação politica e económica do país, tem sido a repressão e a violência.

 

O país que está a ficar sem papel, sem dinheiro e sem bens essenciais, mas que se enche de conflitos e manifestações populares está à beira da ruptura, mas pouca cobertura é dada pelos media dos dos outros países. E porque será? Esta é uma situação bastante crítica e sinceramente impensável no mundo em que vivemos.

 

 

Noticias na integra:

Diário de Noticias‘El Universal’ deixará de circular por falta de papel

Estadão – Venezuela à beira da falência 

Jornal de NoticiasMilhares de empregos em risco devido à falta de papel na Venezuela 

 

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