«Terroristas» recebem um Pulitzer

Os jornais The Washington Post e a edição norte-americana do The Guardian foram distinguidos no dia 14 de Abril com o Prémio Pulitzer – Serviço Público – pelas notícias publicadas sobre os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA). Este é o prémio – entre 14 – mais importante dos atribuídos pelo júri.

Segundo uma notícia publicada no Publico, em comunicado, a comissão dos Prémios Pulitzer destaca a contribuição das duas edições norte-americanas por terem originado “o debate sobre a relação entre o governo e os cidadãos em assuntos relacionados com a segurança e a privacidade”, através de artigos que “ajudaram o público a perceber de que forma as revelações se enquadram na discussão mais abrangente sobre segurança nacional”.

Estas publicações surgiram no início de Junho de 2013 pela mão dos jornalistas Glenn Greenwald – ao serviço do The Guardian – e Barton Gellman – ao serviço do The Washigton Post – mas foram também abordadas pela documentarista norte-americana Laura Portras e Ewen MacAskill, correspondente do The Guardian nos Estados Unidos.

A documentarista e os dois jornalistas entrevistaram e filmaram Edward Snowden num hotel em Hong Kong, poucos dias depois das primeiras revelações sobre os programas de espionagem. O jornalista Barton Gellman foi outro dos jornalistas contactados por Edward Snowden para a divulgação dos documentos, mas nunca trabalhou em colaboração com Greenwald, Poitras ou MacAskill.

Segundo a mesma notícia, Edward Snowden – num comunicado publicado no The Guardian – acredita que esta decisão é um reconhecimento para todos os que acreditam que os cidadãos têm um papel na governação e que isto se deve ao esforço dos jornalistas que continuam a trabalhar apesar das intimidações que possam sofrer.

 

Aos jornalistas têm sido atribuídos outros prémios – George Polk – assim como grandes elogios pela parte da opinião pública em todo o mundo. Contudo, ainda segundo a mesma notícia do Publico, as autoridades norte-americanas e britânicas acusam os jornalistas de terem posto em risco a segurança nacional dos dois países e no «mundo» dos média há quem não defenda os jornalistas.

Normalmente quem põe em perigo os países são os terroristas, que por questões religiosas ou políticas metem em perigo milhares de vidas de civis – ou chegam mesmo a matar. Agora a questão que tem que ser aqui abordada é: correu alguém perigo depois das primeiras publicações? Ficou a segurança nacional realmente em risco? Ou se os próprios civis se sentiram em perigo ou não.

Segundo um artigo de opinião publico no The Guardian, feito por Roy Greenslade, no dia 22 de Abril, e segundo uma pesquisa da opinião publica, 37% dos britânicos consideram correto o facto destes jornais terem publicado as fugas de informação sobre a espionagem da NSA.

A pesquisa do YouGov, que inquiriu dois mil cento e secenta e seis adultos, perguntaram ainda aos inquiridos, se consideravam bom ou mau, para a sociedade, estas publicações e 46% consideram bom contra 22% que consideraram mau.

 

 Do outro lado estão as pessoas do Governo. Segundo Greenslade, o antigo Secretário da Defesa, Liam Fox, considera Snowden um narcisista, enquanto o Congresso dos Estados Unidos consideraram este prémio uma «desgraça». São ainda muitas as vozes oficiais que consideram Snowden um traidor e que os jornais ajudaram nesse acto.

 

Temos, assim, de um lado os cidadãos que consideram correto o que os jornais fizeram e temos do outro lado o Estado – ou as pessoas que dele fazem parte – a considerarem que foi cometido aqui um acto de traição contra as duas nações e foi posto em perigo a segurança nacional.

Mas quem faz parte do Governo não são apenas os políticos mas também toda a Nação e questões como estas deveriam ser do conhecimento comum. Se não o são, não está a causa apenas a segurança do país mas sim interesses que não deverão ser conhecidos por todos, por não serem «correctos» ou éticos.

Aqui fica em debate também a ética dos jornalistas. Mas a meu ver esta não foi posta em causa, porque a responsabilidade dos jornalistas não é para como Estado mas para com os cidadãos e se algum tem conhecimento – e provas – de factos como este, tem o dever de o publicar e de o dar a conhecer ao cidadão. Quem faz o país são os cidadãos e não um comité eleito que possuindo «o queijo e a faca na mão» tudo fazem e apenas escolhem o que é tornado publico.

 

Enquanto o Governo – ou os seus membros (será que há alguma diferença?) – considerou estas publicações um acto de traição e que pôs em perigo a segurança nacional, considerou então estes jornalistas terroristas, mas no final de contas que perigo causaram eles? A única vitima aqui foi a verdade e o raptor foi o Governo. Os jornalistas foram os heróis que a trouxeram – em parte – de volta para a pátria.

 

 

 

Noticias na íntegra:

Publico – The Guardian e The Washington Post recebem Pulitzer por revelações sobre espionagem 

The Guardian – Guardian’s Edward Snowden revelations receive backing in poll

 

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