Homewrecked homepage

Homewrecked homepage

Parece oficial que a humanidade tem vindo a assistir a um infindável número de falecimentos de instituições consideradas fundamentais. Agora, segundo os números do recente relatório do The New York Times, podemos também estar a assistir aos últimos suspiros da homepage.

Num desorientado mundo de redes interligadas pela privilegiada internet, o número de visitas directas às páginas mediáticas tem vindo a reduzir. O leitor, ao invés de se sentir atraído para a homepage do “Público” ou do “I”, é hoje assaltado por informação digerida pelo FaceTwitterTumblrReddit e escolhe clicar em hiperligações que o conduzem a uma base de dados enorme de notícias, sem a cansativa caracterização do site A ou B.

No futuro, ao que tudo indica, os sites de grupos de média serão apenas bares nos quais famintos consumidores procurarão adquirir pequenas porções informativas. O tempo das alianças eternas acabou: interessa clicar na rapidez percepcionada do que se gosta e ler listas, ver gráficos, admirar a comédia existente em Cat lols e viver desse entretenimento.

Isto significa que o jornalismo de qualidade – que depende de tempo que o utilizador saltimbanco não possui – talvez deva passar a ser relegado a algumas plataformas que se especializem apenas e só em longform. O mesmo poderá acontecer com perfis ou reportagens, a não ser que consigam mostrar um lado da Miley Cyrus que TMZ, Perez Hilton e Instagram ainda não conseguiram vislumbrar.

As notícias consideradas relevantes para a percepção pública dos problemas actuais passarão a ser notas de rodapé mal estilizado com design pouco atractivo. A não ser que se apostem em títulos que capturam a atenção preguiçosa do olho vivo, podemos inclusivamente viver num mundo criado por risos, flashes, celebridades, blogs de séries televisivas e todo esse consagrado universo escapatório.

Segundo Derek Thompson, os profissionais de média são hoje criativos do cluster e da capacidade de caçar consumidores sedentos de novidade em stream de autoestrada: Even within hard news stories, we see clustering around headline tropes (“You Won’t Believe…”; “… in 1 Graph”; “X-Number Things You Y-Verb”) across many different sites that should ostensibly be serving different audiences. When you know what works, you do it again and again.”

Again and again, para sempre, num vórtex de repetição, luzes, som e ininterruptamente insana clicagem virtual. Pode ter efeitos positivos, como a criação de consumidores que conseguem perceber de onde vem a qualidade de um rol disperso de hiperligações chamativas; ou pode ter efeito contrário, servindo como ingrediente para o fim do debate informado e, subsequentemente, do conhecimento necessário para se viver numa democracia clara.

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