Visual Storytelling in the Age of Post-Industrialist Journalism, World Press Photo

Entre Julho de 2012 e Abril de 2013 a World Press Photo, associada à Fotografen Federatie, a associação alemã de fotógrafos, realizou uma pesquisa para avaliar a evolução das plataformas multimédia, particularmente no campo do storytelling, através do fotojornalismo.

O projeto foi conduzido por David Campbell, um escritor, investigador, professor, realizador, documentarista e produtor, que analisou a fórmula visual ao longo do tempo e a evolução do storytelling. (www.david-campbell.org)

O objetivo do estudo foi analisar as transformações ocorridas ao longo dos últimos anos na maneira como a atenção do público se vira cada vez mais para a complementaridade de conteúdos vídeo, imagem, áudio e texto, disponíveis nas plataformas digitais, e em que medida é que essa mudança preservou a qualidade da informação.

Através do multimédia descobriu-se uma nova forma de dar às histórias uma nova envolvência, complementando texto com imagem e som, satisfazendo uma exigência que cada vez mais se via no público, a de ouvir contar histórias de novas maneiras.

O estudo baseou-se essencialmente na avaliação das tendências multimédia particularmente nos EUA, Europa e China, procurando nas três regiões do globo responder a cinco questões principais. Como é que o multimédia está a ser produzido? Como está a ser financiado? Como está a ser publicado e distribuído e por quem? Como é que o espetador está a consumir essas plataformas? Quais os assuntos que mais atraem a atenção do espetador? (critérios de sucesso)

Para a sua realização foram convocadas três conferências, em Amesterdão, Nova Iorque e Guangzhou e enviados questionários a 25 empresas com impacto internacional das quais apenas quinze enviaram resposta, a maioria pedindo que não fosse citada nas suas convicções, truques e apostas para o futuro. Também algumas entrevistas a personalidades de especialização exclusiva na área fizeram parte do estudo, tendo os seus depoimentos contribuído em grande parte para o apuramento dos factos que figuram a evolução em estudo.

Para efeitos práticos, o trabalho encontra-se dividido em oito secções, que poderão entender-se como perguntas para as quais se procurava uma resposta. Sendo elas:

–       Qual a história da multimédia, a sua relação com a fotografia e com o fotojornalismo e o porquê de agora se falar em “visual storytelling”?

–       Quais as noticias pelas quais o público mais se interessa?

–       Que direção tem tomado o multimédia como plataforma de informação e quais as fórmulas que tem adotado?

–       Quais as rupturas a que se tem assistido com antigos hábitos e de que forma é que essa ruptura representa mudanças na forma como a informação é dada atualmente?

–       Quais as possibilidades que o multimédia representa?

–       Onde se pensa atualmente que estará a resposta para o problema da sustentabilidade económica do online?

–       Conclusão e implicações para análise.

–       Agradecimentos, participantes e biografia do autor.

No desenvolvimento do trabalho o multimédia é descrito como a fronteira entre a imagem estática e a imagem em movimento, a junção entre a fotografia, vídeo com música, etc, tendo o aparecimento de câmaras digitais significado muita da mudança nesta evolução, no que respeita particularmente à descoberta da complementaridade que em muito enriquece as histórias.

Uma das primeiras rupturas do jornalismo no emergir do storytelling independente dá-se nos anos sessenta aquando da subida dos preços de impressão de fotografia, que dava aos fotógrafos um motivo para começar a emancipar-se, desenvolvendo os seus próprios trabalhos, publicando os seus próprios livros.

No decorrer da análise do storytelling da atualidade verificou-se a crescente aposta na interatividade, nos sites userfriendly (intuitivos), no dinamismo, para cativar interesse dos leitores, e na complementaridade media, tendo-se chegado a conclusão que os vídeos e slideshows são as plataformas mais vistas pelos utilizadores. Dados da Media Storm afirmam que a maior qualidade do online e da multimédia é que os conteúdos continuam a ser consultados muito tempo depois de serem lançados verificando-se a longa vida como o factor de maior importância.

Relativamente à questão do financiamento põe-se o problema de o jornalismo nunca se ter sustentado por si próprio, tendo vivido sempre da publicidade e do patrocínio de marcas sendo o mais provável acontecer o mesmo com a a atual questão do online, que pode vir a verificar-se dependente dessa aliança. (Exemplo: youtube com anúncios antes de visionar vídeos mais vistos). No entanto evidencia-se no estudo, a propósito da mesma questão, a relação direta do financiamento com o interesse do público. O ser humano paga por interesses diretos, não por conteúdos generalistas, ou seja, a forma de autossustento está relacionada com o conteúdo das plataformas, que devem ser direcionadas para assuntos específicos, para um determinado alvo/target que irá adquiri-lo.

No que respeita às possibilidades do multimédia levanta-se a questão da consulta da internet ser uma ideia fugaz, uma visita que durará não mais de cinco minutos, tendo-se verificado o aparecimento dos dispositivos móveis uma mais valia para o storytelling, uma vez que torna possível escreverem-se grandes histórias que o leitor pode ir lendo no seu tempo livre, a pouco e pouco. Os serviços “read-it-later” geraram novas possibilidades e a multimedia pôde engradecer-se com isso. Os próprios jornais começam a apostar no online como fonte não só de pequenas noticias do momento como para contar grandes histórias. (Ex: Snowfall teve no dia em que foi lançado 2 milhões e 900 mil visitantes sendo que cada um passou em média cerca de 12 minutos no site).

Para terminar, nenhum sector dos media tradicionais permanece intacto com o surgimento das plataformas digitais, nos EUA, Europa e China estas são já indicadores das tendências dos consumidores. Apesar do papel se manter ainda vivo, os ecrãs são agora a principal fonte de informação dos cidadãos que os transportam no bolso e utilizam como meio de acesso primordial à informação. A multimédia não se trata de uma política de convergência mas sim o resultado de uma ecologia de informação.No fim tudo se resume à história, mas a forma como a contamos pode significar metade do seu sucesso.

No final do estudo são deixadas algumas sugestões para todos os que pretendem vir a ter um espaço online, sendo algumas delas as especificadas em baixo:

–       ter um espaço digital compatível com todos os dispositivos móveis e sistemas operativos;

–       atualizar diariamente a informação, urgência na atualização;

–       aprender a utilizar conteúdos de edição de vídeo e áudio, ambiente e voz, da forma mais limpa possível;

–       explorar novas formas de apresentar as histórias que funcionem para o máximo de pessoas e plataformas possível;

–       encontrar pessoas especializadas em diferentes áreas com quem trabalhar, fotógrafos, editores, câmaras, sonoplastas, designers gráficos;

–       procurar pessoas com a mesma visão;

–       expandir as social networks em que se esta inscrito para que nos mantenhamos a par da evolução e para que possamos divulgar melhor o nosso trabalho.

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