25 anos depois do massacre da Praça de Tiananmen a repressão continua

Fez na passada terça-feira, dia 3 de Junho, 25 anos que se sucedeu o massacre da Praça da Paz Celestial, na China, onde tanques atropelaram os manifestantes que «gritavam» por liberdade. Sem certezas, estima-se que cerca de 3 mil pessoas tenham morrido e que outras 60 mil tenham ficado feridas. Esta semana, devido ao “aniversário” o governo aumentou o número de polícias para patrulhar as ruas de Pequim, prendeu opositores do governo e montou postos de controlo ao redor da praça.

Estas medidas fazem parte da mesma operação de segurança que impôs elevadas restrições aos activistas políticos, artistas, advogados e opositores do governo, que tiveram de deixar Pequim ou que estão proibidos de sair de suas casas ou foram detidos.

O governo Chinês interrompeu ainda alguns canais da Internet. Segundo o Publico, o site GreatFire, que reúne e divulga informação sobre o bloqueio de sites e motores de busca na China, afirma que estão bloqueados os serviços de pesquisa, de imagens, de tradução, o Gmail e quase todos os outros produtos da empresa norte-americana, bem como as alternativas Google Hong Kong (a versão chinesa do Google), Google.com e versões de outros países. Uma medida que é comum na China, que já bloqueia canais como o Twitter, o Facebook e o Youtube, e existem ainda pessoas contratadas para fiscalizar os websites chineses.

O canal GreatFire sublinha também o aumento da repressão: «este é o bloqueio mais grave que registou desde a suspensão dos serviços do motor de busca em 2012, quando este esteve sem acesso durante 12 horas». Charlie Smith, fundador do GreatFire.org, adiantou ao South China Morning Post, que as perturbações verificadas são mais sofisticadas do que há dois anos atrás. “Em 2012, o acesso foi completamente bloqueado. Desta vez, apenas 90% do acesso ao Google está bloqueado. Os utilizadores pensam que se trata de um problema do Google ou do seu computador, quando na verdade é censura”.

Segundo o DW, todos os anos as autoridades têm vindo a aumentar as medidas de segurança nesta data, mas afirma que este ano estão a ser bastante mais duras: “activistas que só recebiam um alerta foram presos”. Segundo o jornal The New York Times, perto de uma dúzia de conhecidos académicos, intelectuais e dissidentes foram detidos por atos como publicar “selfies” tiradas na praça, enquanto faziam o sinal de vitória com os dedos.

A polícia também anunciou que os jornalistas estrangeiros, que cobrirem assuntos delicados sobre a data sofrerão sérias consequências”. Um canal francês afirmou que os seus correspondentes foram interrogados durante seis horas por estarem a fazer entrevistas na rua sobre o massacre. Menções ao massacra estão, assim, estritamente proibidos na televisão, nos jornais e na Internet.

Embora a repressão seja muita, são algumas as vozes que começam a não querer calar. Numa notícia publicada no dia 3 de Junho no Washigton Post, afirma que os jornalistas chineses começam a fazer resistência face à censura imposta pelo Governo: “By substantial numbers, students in some of China’s leading journalism schools oppose censorship, doubt the credibility of their domestic media, and don’t believe journalists should be members of the Communist Party.”

Num questionário online feito à Univerisade Linkjun Fan of Shantou, onde mais de 120 estudantes responderam anonimamente. Três quartos dos estudantes desejam a imprensa livre:

-“The news media should not become a tool for political propaganda. It should be a social platform fot citizens to monitor the government”;

– “the average citizen and the public conscience should be allowed to speak”:

– “a more open media environment helps social justice.”

 

Alguns dos estudantes já trabalharam em agências de notícias na China e a sua visão, igual aos dos repórteres do Southern Weekly, aqueles que em Janeiro de 2013 protestaram contra a censura gritando por uma reforma politica.

 

Em relação a serem membros do Partido Comunista Chinês, 79 dos 107 que responderam á pergunta, se os jornalistas deveriam ou não pertencer ao partido, afirmaram que os jornalistas deveriam permanecer independentes. Contudo eles sabem que esta é uma posição muito difícil: “It’s hard to remain objective if you join a political party. But the problem is, in China, it’s hard for you to work in the mainstream media if you are not a Party member.”

 

Shirley Yam, vice-director da Associação de Jornalistas de Hong Kong, disse ao The Wall Street: “I have been in this industry for 30 years. I would say this is the worst time,”:

 

O presidente está a restringir o acesso a notícias estrangeiras e às reportagens muçulmanas feitas por jornalistas chineses e as autoridades têm detido algumas figuras importantes: o advogado dos direitos humanos Pu Zhiqiang e o jornalista Gao Yu, assim como o porta-voz das “Mães Tiananmen”, Ding Zilin, que se encontra em prisão domiciliária.

 

“The 25th Tiananmen anniversary was a critical test for President Xi’s claims to be delivering greater openness. But Xi has opted for repression over reform,” afirmou Salil Shetty, Secretária Geral da Amnistia Internacional. Pelo que podemos perceber a China vive uma dos momentos mais duros de repressão e censura, talvez por a população começar agora a pedir por liberdade.

 

The iconic tank man from June 5, 1989

The iconic tank man from June 5, 1989

 

(O questionário foi feito por Weber, antigo chefe de correspondentes do BusinessWeek, leciona na University of Nebraska’s College of Journalism and Mass Communications.)

 

DW – “Pequim aumenta repressão nos 25 anos do massacre da Praça da Paz Celestial” 

Publico – Google bloqueado na China em véspera do aniversário do massacre na Praça de Tiananmen”

Washigton Post “Chinese journalists are beginning to fight their government’s censorship”

 

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