Estagiários os novos escravos: UK (2)

A procura dos estágios tem crescido nos últimos anos, principalmente nas indústrias do jornalismo e de moda. Em 2010 havia cerca de 100 mil estagiários que não eram pagos em Inglaterra. Neste sentido, no passado dia 13 de Maio, foi aprovado na “The House of Commons” uma moção para a proibição dos estágios não remunerados. A moção ganhou com 181 votos contra 19.

A moção foi proposta por Alec Shelbrooke sob o argumento de que os estágios não remunerados favoreciam os jovens que tivessem bons contactos. O MP afirmou ainda que há membros da “House of Commons” que tenham sido cúmplices desta prática, contratando estagiários sem receberem nada, por períodos de tempo longos.

Shelbrook – e a moção aprovada – defende que a experiência de trabalho não remunerado não deveria alongar-se mais que quatro semanas, a partir das quais o trabalhador deveria ser considerado um estagiário e receber pelo menos o salario mínimo. O MP acredita que esta medida acabará com a prática de trabalho não remunerado.

 

Contudo toda esta situação tem sido muito criticada porque vem responder a um problema criado pela intervenção do governo no mercado de trabalho.

– Ryan Bourne, responsável pelas políticas públicas do Instituto dos Assuntos Económicos (IEA sigla em ingles), critica a visão de Shelbrook: “It’s well known in the labour economics literature that the existence of minimum wages means employers become choosier about who to recruit, preferring more experienced workers to the young and inexperienced.”

– Barry Sherman, MP do trabalho, avisou que o fim de estágios não remunerados podia acabar com a oportunidade de jovens ganharem experiência de trabalho.

 

Mas Sherman acredita nos benefícios dos estágios e da experiência de trabalho e não é o seu objetivo acabar com eles, com esta moção: ” in their assumption that simply banning longer unpaid internships will not lead to fewer opportunities for young people. The truth is that existing government interventions already make young people less likely to be hired”.

 

Esta medida vem responder para o fenómeno que têm vindo a surgir em Inglaterra e no resto do mundo: a falta de emprego para o numero de licenciados que saem das Universidades. Uma realidade inglesa, uma realidade americana, uma realidade em Portugal.

Em 2013, num artigo publicado pela BBC da conta de que governo aconselhou o antigo Juiz James Caan a não dar um estágio à sua filha, sem qualquer tipo de recrutamento, na sua própria empresa, por poder ser considerado hipocrisia. Porque para pessoas cujos pais não tenham a sua própria empresa, a competição para conseguir estágios nunca esteve tão difícil.

 

 

Segundo Yara Silva, uma estudante, que já tem nove estágios, ninguém pode sair da universidade sem experiência de trabalho: “So many people get degrees, you have to stand out. And now 61% of graduates end up working for the company they have interned for. It’s how it works now.”

 

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Rhiannon tem 17 anos quer trabalhar no jornal local mas não consegue: “I tried to get one with the local newspaper. It is not a very big one, but the waiting list was just ridiculous. I was told they had absolutely no space for the next three years – even to shadow someone for a week. It was insane.”

 

 

A experiência de trabalho é para Rhiannon, uma parte muito importante para conseguir entrar na Universidade que pretende. É importante mostrar que há a priori interesse no tema que quer estudar e que já teve experiência profissional e não apenas interesse académico.

Mas a jovem acredita que tudo gira à volta de interesses e conhecimentos: “If parents have a business, then they take on their child or their child’s friends. It is really hard because you might have the enthusiasm and the qualifications for it, but if someone else is related to them or knows them, they will have the upper hand on you.”

 

Contudo certas empresas defendem a sua imparcialidade:

– Conseguir um estágio da Deloitte é com conseguir um bilhete de ouro: para as 350 vagas anuais, eles recebem 10 mil candidaturas que têm de ser enviadas um ano antes. Rob Fryer, chefe de recrutamento dos jovens, diz que o sistema é justo: “Every candidate goes through the same application process regardless of their background”.

– Para o Barclays, o processo pode começar um ano antes de começar o estágio: o website abre as candidaturas em Agosto ou Setembro para a entrada dos futuros graduados. “In an effort to beat their competition to the best talent, firms are reviewing applications earlier and earlier and on a rolling basis, so waiting until the deadline can sometimes be too late,” afirma Jane Clark responsável pelo recrutamento do banco.

– Corrina Pyke, a diretora de marketing da “Borough Wines” afirma recrutar a maior parte dos seus estagiários do Instituto do Vinho, porque eles já trazem consigo experiência e conhecimento do vinho. Afirma ainda que evita aceitar filhos de amigos porque são pouco motivados: “It’s like having another job, finding their kids projects and explaining everything. They end up being annoying.”. Ao contrário destes, aqueles que se candidatam por iniciativa própria, são pessoas mais motivadas para trabalhar.

A competição esta a crescer cada vez mais: “Banks, law firms, the whole market is changing. It used to be who you know, but that’s not the case any more.”, afirma Mr Sidwell. Para Simon Pullin do website milkround.com, especializado em oportunidades para pessoas jovens: “The company gets a chance to vet the intern during their time there, and see if they might fit in permanently.”

A estudante de 22 anos, Yara candidatou-se para vários estágios enquanto tirara o seu MA de Jornalismo na City University: “Some never replied but some did. During my time at university I’ve done nine internships – around 18 weeks of work – as well as working as an editor on the uni paper, and I’m lucky I could live at home and do that. I learned so much, and wouldn’t have felt ready to start my career if I’d not done that. Now I just need to find a job.”

 

City Am: “UK comes one step closer to banning unpaid internships” 

 

BBC News – “Internships: The competitive world of work experience”

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