O Lugar da Opinião No Jornalismo

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Uma notícia da BBC News despertou a minha atenção para uma questão que frequentemente se debate no meu pensamento: Que lugar tem a opinião no jornalismo? Se por um lado é importante e pertinente veicular opiniões ou posições relevantes de partes integrantes de uma história, onde, exactamente, é que encaixa o papel do jornalista enquanto emissor e veiculador de opinião? Deve o jornalista comprometer-se com uma parcialidade assumida, explícita e vincada?

Sempre gostei de ler uma jornalista. As entrevistas e reportagens que fazia apresentavam sempre uma escrita sublime e um intelecto astuto e refinado. Até que um dia li uma entrevista a um político por ela conduzida, em que estava implícita uma ideologia política que, para além de flagrante, era quase insultuosa para a memória colectiva nacional.

Uma de duas coisas estava ali a acontecer: ou o político havia manipulado de forma exímia a jornalista para que ela desse interpretasse aquela visão programada dos acontecimentos, ou ela, conscientemente, havia querido implicar aquela mensagem com a sua peça. Qualquer dos casos era mau.

Mais tarde, num artigo de opinião da mesma jornalista, a dúvida deixa de o ser: manifestava-se abertamente a favor daquele político e defendia toda e qualquer acusação de que fosse alvo. Pior, comprometia-se com a sua inocência, invocando indícios sem qualquer sustentação real de prova.

O resultado foi simples: nunca mais voltei a ter vontade de ler qualquer peça escrita por esta jornalista. Sentia que também eu tinha sido enganado. Não era a sua opinião que me chocava. Era o facto de ela se comprometer com a palavra de alguém. Algo que um jornalista, a meu ver, nunca deveria fazer. 

Olhando a situação de fora, o que aconteceu aqui foi a descredibilização de um profissional da informação, por emissão de partidarismo ao assumir uma palavra e causa que, como jornalista, se deveria ter resguardado de fazer publicamente. Cabe aos jornalistas a emissão de opinião em espaços a essa prática destinados. Mas questiono-me sempre sobre o perigo inerente a essa tomada de partido. Há valores universais, como a dignidade e a defesa dos direitos humanos, que qualquer jornalista não se deve coibir de assumir e defender. Mas há outros que envenenam a credibilidade que o jornalista deve ter perante o público.

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