O TGV DIGITAL E O JORNALISMO

Uma reportagem da SIC Notícias no programa Toda a Verdade, intitulada: “Que Futuro para o Jornalismo?” permitiu-me refletir sobre as mudanças ocorridas no campo jornalístico. Na base desta reflexão estão a entrevista realizada a Nicolau Santos, diretor-adjunto do Expresso e as informações recolhidas no 1º Workshop sobre Jornalismo Digital realizado pela Genius y Meios na Rádio Renascença e na 6.ª conferência anual da ERC – “Media na era digital”.

O modo de fazer jornalismo está a mudar perspetivas e a definir novos horizontes. O jornalismo em papel não é um jornalismo morto mas a realidade leva a crer que a complementaridade com o meio online é a chave vital.

O gatekeeping é fundamental para um jornalismo de qualidade mas os novos timings criam novas formas de fazer jornalismo e a produção de conteúdos noticiosos é agora mais do que nunca “contra-relógio”. O jornalismo digital não tem pausas nem interrupções e os fluxos noticiosos são constantes, ininterruptos e contínuos.

A imprensa está, segundo Nicolau Santos “a tentar adaptar-se a uma mudança estrutural”. Os meios de comunicação ditos clássicos estão a atravessar um período de transição para o meio digital e a concorrência é implacável.

Agregadores de conteúdos, como o The Huffington Post, e bloggers invadem o meio digital, dispersam a atenção do leitor e contribuem, segundo alguns jornalistas, para a destruição do jornalismo. Contudo, a gratuidade dos jornais em meio online levou a que muitos leitores cancelassem as suas assinaturas em papel contribuindo para a diminuição das margens de lucro.

É importante demonstrar aos leitores que o jornalismo de qualidade deve ser pago. A chamada paywall permite fidelizar o leitor mostrando-lhe a perspetiva do jornalista francês Edwy Plenel: “… se estamos na imprensa de qualidade, de informação, de referência, na internet, é preciso defender o valor e não se pode colocar a gratuidade de um lado e o subscritor do outro. É preciso escolher, é preciso correr o risco, que é a alavanca de criação de valor.” Exemplo pioneiro é o The New York Times com cerca de 700 mil assinantes na versão digital, de acordo com Bill Grueskin.

É cada vez mais essencial que o jornalista esteja onde o leitor está, saiba o que ele consome, (algo que é incompatível com o jornal impresso) e consiga fidelizá-lo aos seus conteúdos. É cada vez mais imprescindível que possa fazê-lo recorrendo ao multimédia imersivo, que permite conjugar texto, imagem, som e infografias em simultâneo. Mas, também é fundamental que não se esqueça dos seus consumidores tradicionais. Dan Gross, ex-editor chefe da Newsweek, refere: “As marcas estabelecidas têm o enorme fardo de tentar ir ao encontro dos seus atuais consumidores e, ao mesmo tempo, tentar investir e criar a próxima geração quando a tecnologia muda a cada seis a doze meses.”

Na perspetiva de Pedro Leal, diretor-adjunto de Informação da Rádio Renascença “o jornalista já não está mais a competir com o seu parceiro” mas sim com um conjunto de meios de comunicação a nível nacional e principalmente transnacional.

É essencial procurar ser cada vez mais plural, criativo e encontrar um modelo de negócio que promova o jornalismo multiplataforma. As técnicas de SEO (Search engine optimization) são também imprescindíveis, de acordo com Pedro Rios, editor online e fundador do site Porto24, já que funcionam como motor de pesquisa e permitem ao leitor aceder aos conteúdos de forma mais rápida.

O mundo está a mudar as suas rotinas, os seus hábitos e as suas formas de encarar a realidade. Os meios de comunicação tradicionais concorrem para verem o seu valor reconhecido e as start-ups tecnológicas (como o Buzzfeed) ganham dimensão no mercado noticioso. Aproveitando os conhecimentos tecnológicos organizam os conteúdos noticiosos com base na forma como os leitores consomem notícias, sempre com o olhar nas redes sociais.

A comunicação já não é apenas realizada de um para muitos mas de todos para todos. Os chamados prosumers estão a mudar a forma como as notícias circulam no mundo digital. E, de acordo com Elinar Thorsen: “Citizens are actively participating in online news reporting too, through publishing eyewitness accounts, commentary, crowdsourcing and fact checking information” (Thorsen, 2013, p. 123).

Muitos são os que acreditam que o jornal em papel não irá desaparecer porque se se conseguir exercer um jornalismo de qualidade, a complementaridade com o meio digital é um acréscimo à notoriedade do meio de comunicação. Mas, a disciplina da verificação tem de existir sempre. O erro e o não cumprimento do código deontológico no meio digital podem colocar em risco a credibilidade do meio de comunicação. Ter boas estórias não chega, é preciso saber como, onde e a quem as contar.

Artigos consultados:

Thorsen, E. (2013). Live Blogging and Social Media Curation: Challenges and Opportunities for Journalism. Em K. F. Wall , & S. Allan (Edits.), Journalism: New Challenges . Centre for Journalism & Communication Research Bournemouth University.

Fontes:

  • Toda a Verdade: “Que Futuro para o Jornalismo?”

https://www.youtube.com/watch?v=P7-uxICRBZs

  • 1º Workshop sobre Jornalismo Digital realizado pela Genius y Meios na Rádio Renascença

https://storify.com/workshopjd/workshop-de-jornalismo-digital

  • 6ª conferência anual da ERC – “Media na era digital”

https://www.facebook.com/conferenciaERCmedianaeradigital

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