A Rádio na Teia Digital

A revolução digital provocou uma revolução nas estruturas onde é produzida e disseminada a informação. A rádio não é exceção e tem vindo a alargar o seu espectro social funcionando como um meio global e transversal de consumo e de acesso ao conhecimento.

“A educação para os media foi consagrada na declaração de Grunwald (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, 1982) como vital para a vida de todos/as os/as cidadãos/ãs, advogando-se que o exercício inclusivo e abrangente da cidadania requer o uso esclarecido e crítico dos media” (Sebastião, 2014, p. 3).

RadioActive 101: Comunicar Cidadania

Com origem em Inglaterra, o projeto RadioActive 101, alargou as suas bases à Europa e foi reconhecido em Portugal, a 8 de Janeiro de 2015, com o Prémio Inclusão e Literacia Digital. A distinção da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) visa promover “o desenvolvimento e implementação de ideias inovadoras e, ainda estimular a partilha e disseminação de modelos de boas práticas.”

A cerimónia de entrega do Prémio aconteceu ontem em Lisboa no Teatro Thalia e juntou os 17 vencedores. Maria José Brites, investigadora do RadioActive 101 e coordenadora do projeto RadioActive Europe, recebeu da Secretária de Estado de Educação e Ciência, Leonor Parreira, a prova dos bons resultados obtidos em território nacional. A distinção permitirá ao Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), com o apoio do programa Escolhas, ampliar o RadioActive a novos centros durante este ano.

Financiado pela Comissão Europeia entre 2012 e 2014 no âmbito do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, o RadioActive está também no Reino Unido, Alemanha, Malta e Roménia. Protagonizado por jovens em risco de exclusão, encarna o papel de mediador entre os conteúdos e os ouvintes, estimula a capacidade de comunicação e permite associar o divertimento ao ambiente jornalístico. O método informal de aprendizagem promove, de acordo com o CIMJ, “a inclusão e a empregabilidade em contextos mais vulneráveis.”

A literacia digital e o universo radiofónico 

“A literacia digital é operacionalizada como a capacidade de aceder à Web, compreendê-la e utilizá-la, criando conteúdos, partilhando-os e consumindo-os de forma crítica, ética, segura e intencional. Neste sentido, a literacia digital possui três níveis: o acesso (à Web), a compreensão dos seus conteúdos (o que são, quem os produz, porque produz, como usa) e a utilização (das ferramentas digitais) (Sebastião, 2014, p. 4).”

Desenvolvido pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), em centros do Programa Escolhas do Porto, de Gondomar e de Coimbra, o RadioActive 101 é um produto de cidadania, um motor da literacia mediática e um meio de transmissão de informação.

Constituindo-se como uma plataforma na internet e adotando as potencialidades da Web 2.0, o projeto, coordenado por uma equipa de profissionais da comunicação (Maria José Brites, Sílvio Correia Santos, Ana Jorge, Daniel Catalão, António Granado e Catarina Navio), foca assuntos perenes numa sociedade caduca de valores sociais. Assim, questões subordinadas a temas como o racismo, a descriminação, a liberdade de expressão, a justiça social ou centradas em situações específicas dos bairros sociais onde se encontram as diferentes Rádios, são matéria informativa radiofónica.

Quatro Projetos, Um Destino – A Inclusão

Incluir, integrar, aprender, educar, conhecer, cooperar, desafiar, interagir, partilhar e comunicar são alguns dos verbos que definem os quatro projetos (Catapulta, Metas E5G, Trampolim E5G e EntrEscolhas Geração D’Ouro E5G). Procuram estimular a aprendizagem, promover o conhecimento, tendo sempre em mente a igualdade de oportunidades e de acesso à EDUCAÇÃO. Funcionam como rádios-web e estão presentes no facebook acompanhando o paradigma digital.

“A ideia que esteve subjacente ao projeto foi a de implementação de uma rádio online que servisse como ferramenta educativa junto de comunidades que estivessem em risco ou já em exclusão do sistema de ensino ou então da empregabilidade”, afirmou Maria José Brites, em entrevista à RTP.

Os jovens são incentivados a escolher as matérias noticiosas que querem ver expostas no seu programa, bem como a contactar com os especialistas adequados a responder às suas principais questões. Além de aperfeiçoarem as técnicas de entrevista, potenciarem a capacidade de comunicação com pessoas fora do seu núcleo de conhecimentos, acompanharem a realidade mediática e aprenderem a trabalhar em grupo, não esquecem a língua portuguesa e transportam as técnicas aprendidas em rádio para a apresentação de trabalhos em contexto escolar.

A autoconfiança  cresce e o interesse por acontecimentos e factos relevantes na história de Portugal e dos portugueses também porque são motivados a criar, a estruturar projetos novos com os quais se identifiquem, como por exemplo colocar em rap a música “Grândola, Vila Morena.”

A capacidade de iniciativa, a autonomia, a exploração das potencialidades individuais são outras das linhas condutoras deste programa.

Vestir a pele de um verdadeiro jornalista, ir para o terreno e enfrentar o desafio de confrontar novos rostos, novas opiniões, novos olhares mesmo correndo o risco de ouvir a dura resposta “não” é também considerado como um dos principais motores de aprendizagem. De acordo com Maria José Brites, em entrevista ao Jornalismo Porto Net: “A utilização da rádio facilita a expressividade, a expressão oral e a utilização de diversas componentes digitais.”

Numa sociedade onde cada vez cedo crianças e jovens têm acesso às novas tecnologias é importante estimular o conhecimento dos principais riscos e potencialidades do online. Desta forma, “Media educators mostly try to increase children’s and adolescents’ mass media knowledge and skills because this, in turn, will maximize positive media effects and minimize negative ones” (Martens, 2010, p. 6).

A voz como arma na era da Imagem

O poder de comunicar através do aparelho vocal numa sociedade onde a imagem impera deve ser preservado. A musicalidade do timbre, a sonoridade das palavras, a transparência do contacto auditivo preservam a capacidade de imaginar.

Artigos Consultados:

Brites, M. J. (2014). RadioActive101 Practices. Centro de Investigação Media e Jornalismo, 4-42. Obtido de https://cld.pt/dl/download/930e5ba6-fe88-4a65-9fd3-1cce909417d0/RadioActive101%20Practices%20PDF.pdf

Martens, H. (2010). Evaluating media literacy education: Concepts, theories and future directions. Journal of Media Literacy Education. 2(1), 1-22. Obtido de http://digitalcommons.uri.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1023&context=jmle

Sebastião, S. P. (2014). A Literacia Digital e a Participação Cívica. Educação, Sociedade & Culturas, nº 42, 111-132. Obtido de http://www.fpce.up.pt/ciie/sites/default/files/ESC42_S_P_Sebastiao.pdf

Fontes Consultadas:

Centro de Investigação Media e Jornalismo

http://www.cimj.org/

RadioActive101: Usar a rádio como método de aprendizagem

http://jpn.up.pt/2014/04/06/radioactive-101-usar-a-radio-como-metodo-de-aprendizagem/

No dia Mundial da Rádio: O RadioActive

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=4399047

Em Nome do Ouvinte, o Programa do Provedor do Ouvinte (IV Série) Porque é que a rádio é importante? Dia Mundial da Rádio | 13 de Fevereiro, 2015

http://www.rtp.pt/play/p933/em-nome-do-ouvinte-iv

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