Jornais desportivos: a isenção em xeque

A propósito da comemoração dos 30 anos de existência do jornal O JOGO no passado dia 22 de fevereiro, e numa altura em que os três principais clubes do futebol português estão em “estado de guerra” (por diferentes razões), surgiu a ideia de transpor para a escrita as minhas ideias sobre algo que, diariamente, é colocado em xeque: a isenção clubística dos três principais diários desportivos portugueses.

Referindo novamente o jornal O JOGO, há que recuar 30 anos, quando a fundação de um jornal desportivo sediado no norte do país foi vista com bons olhos, principalmente pelos adeptos do FC Porto, que há muito se queixavam da linha “centralista” evidenciada pelos dois jornais de Lisboa, e até então, os diários existentes. Desde os seus primórdios e, até pela questão da sua localização geográfica, O JOGO sempre foi associado a uma tendência azul e branca, ao contrário d’A Bola, associada ao Benfica e o Record que, com algumas oscilações, é regularmente identificado com o Sporting.

Os tempos mudaram, os três jornais têm hoje redações no norte e no sul do país. Ainda assim, tornou-se impossível de se dissociarem das conotações que lhes foram atribuídas. Obviamente, os diretores e pessosas ligadas a estes três meios zelaram sempre pela isenção dos mesmos, mas, aquele que é sempre um tema sensível, vem sempre à tona. Atualmente, os três grandes do futebol português vão digladiando argumentos em redor do tema de discórdia mais comum: a arbitragem. O Benfica é acusado pelo FC Porto de manipulação de arbitragens e os encarnados acusam o clube nortenho de “tentativas de condicionamento” dos árbitros. O problema entre Benfica e Sporting é mais profundo, já que envolve histórias passadas de indisciplina nas bancadas e referências (sob a forma de provocação) a essas mesmas histórias nos dias de hoje.

É normal e compreendo que os media se tentem distanciar o máximo deste tipo de situações, mas o código deontológico dos jornalistas impede-os de o fazer. As notícias têm que ser dadas. O problema está na forma como tal acontece. Se um dos três jornais chama determinado assunto à capa e os outros não, é prontamente acusado de ser “tendencioso”. Não que por vezes não o sejam, mas, na minha opinião, é a generalização da opinião que acaba por transformar estas suposições na realidade generalizada. Muitas vezes, as decisões nos jornais são tomadas tendo em conta o nicho de consumidores que cada um deles tem, mas isso é algo que ultrapassa o leitor comum.

Portanto, o tempo passa e o problema permanecerá. É muito difícil combater a opinião e a acusação em massa, mesmo para um meio de comunicação. Ainda mais quando os clubes também não ajudam e, através oralmente ou através de comunicados apontam o dedo a determinado jornal. Seria tudo mais simples se houvesse um pouco mais de razoabilidade e as pessoas pensassem mais por si. Mas isso é algo utópico, julgo, face ao modo de funcionamento do desporto português e, particularmente, do futebol, onde, na maioria das vezes, o plano desportivo é relegado para segundo plano e impera a “política”.

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