Mês: Março 2015

ThinkUp: guia para as redes sociais

ThinkUp é uma aplicação que analisa, diariamente, a atividade de pessoas ou empresas no Facebook e no Twitter. A empresa criadora desta app situa-se em Nova Iorque e oferece um teste gratuito por 14 dias para quem quiser experimentar. O intuito do serviço é resumir o que o utilizador fez nas redes sociais e, também, o que as suas ligações partilharam.

Marcas como a Nike e alguns membros do governo já aderiram ao serviço para melhorar a sua atuação online. Com o custo de 5 dólares por mês, o utilizador pode analisar uma conta de Facebook e uma de Twitter. Para outras redes o preço sobe para os 10 dólares. As grandes empresas e instituições podem criar contratos, que começam em 100 dólares por mês. O New York Times afirma que a aplicação é “um guia indispensável para navegar nas redes sociais”.

Segundo uma das fundadoras, Gina Trapani, a app permite ensinar os utilizadores a interagir melhor com a sua comunidade. O que é bastante útil para os meios de comunicação social. Qualquer meio, seja de que área ou temática for, deve estar presente nas redes sociais. É mais um veículo para chegar ao público. Como tal, o serviço ThinkUp pode ser útil para perceber o que é que os seguidores querem saber, quando querem ver e até o que pensam sobre o que visualizaram. Tudo isto de uma forma condensada, sem ter de recorrer às notificações que, por vezes, são em grandes quantidades e aparecem de uma forma desorganizada.

Esta aplicação integrou o top 10 das empresas mais inovadoras de 2015, eleito pela Fast Company. Mas ainda está em desenvolvimento, não possibilitando ainda a análise de páginas de Facebook e Instagram.

Links consultados:

Snapchat: O jornal do futuro

Em junho de 2014, o responsável pelas redes sociais do site noticioso “The Verge” decidiu criar uma conta no Snapchat em tom de brincadeira. Promoveu-o na sua conta pessoal do Twitter e era uma experiência até ter cerca de 10,000 visualizações em cada snap publicado. Foi aí que os mais futuristas abriram os olhos e viram a potencialidade desta rede social. E no início deste ano, o Snapchat lançou uma nova secção apelidada de “Discover” que reune “jornais e revistas que parecem vir do futuro”. Será o Snapchat o jornalismo de futuro?

CNN, MTV, Cosmopolitan, Daily Mail, B/R, Food Network, National Geographic, Vice News, Yahoo News e Fusian são os onze media presentes no Snapchat com um espaço totalmente pertencente às suas marcas editoriais. Estas podem publicar conteúdos de informação e entretenimento para os mais de 100 milhões de utilizadores do Snapchat. Cada um é responsável por publicar notícias e atualizar, a cada 24 horas, o seu espaço com conteúdo editorial, seja através de vídeos, fotografias, infografias ou artigos.

Os conteúdos são didáticos, apelativos e informativos. Três características que se juntam à interatividade, instantaneidade, ubiquidade e personalização fundamentais para um bom aproveitamento de todos os recursos multimédia característicos de um jornalismo de rede e para a rede. Os títulos são curtos e as notícia breves. Para além disso, esta plataforma ainda armazena num único sítio as notícias daqueles que nos são próximos (como amigos e colegas) e as notícias do dia.

Segundo Trushar Barot, editor da BBC e da Global News, “o Discover altera a visão de todos os meios de comunicação social ao obrigar-lhes a repensar na forma como os conteúdos funcionam nos dispositivos móveis”. Ou não teriam como objetivo  cativar a atenção de um público mais jovem através da plataforma. Aqui não é o número de visualizações ou partilhas que conta mas o conteúdo de vários editores e artistas. Ironicamente, esquece-se a definição de “popular” e valoriza-se a confiança dos leitores para com os meios de comunicação. Acabaram-se os títulos interrogativos, os vídeos virais e as notícias sensacionalistas que encontramos no Facebook. Meio caminho andado para a prática do tão aclamado jornalismo de qualidade em pleno século XXI. E se assim for, instalem todos esta aplicação: ainda há esperança para a sobrevivência da cobertura jornalística em tempos de euforia mediática.

Em busca de respostas (e de dinheiro)

Como financiar a produção online de jornalismo de qualidade? Como garantir o jornalismo independente? As questões, colocadas pelo pesquisador Caio Túlio Costa em artigo sobre novos modelos de negócio no mercado de comunicação, estão presentes em uma infinidade de outros trabalhos acadêmicos, pesquisas de mercado, conversas de corredor ou mesa de bar. Na era do chamado jornalismo pós-industrial, há uma certeza – “a velha fórmula se esgarçou” – e inúmeras tentativas de encontrar novos caminhos para a produção jornalística.

Um olhar sobre esses iniciativas revela duas expressivas formas de viabilizar a atividade no mercado digital contemporâneo: a comercialização de conteúdo e/ou serviços que rendam verba suficiente para custear o trabalho editorial; a busca de recursos por meio de crowdfunding e/ou fundos de apoio à comunicação mantidos por instituições filantrópicas, que garantam a sobrevivência do chamado jornalismo independente (aqui definido como aquele que não depende de anúncios públicos ou privados).

Entre os projetos que trilham a primeira vertente, estão organizações como Atavist e Narratively, ambas com sede nos Estados Unidos. O grupo Atavist publica na web uma longa história de não ficção por mês: é possível fazer uma assinatura (com direito a uma determinada quantidade de artigos) ou comprar cada reportagem individualmente. Paralelamente, a empresa criou e comercializa um software que permite a qualquer pessoa/empresa contar suas próprias histórias no ambiente digital sem necessariamente contar com a ajuda de designers ou programadores.

O Narratively também publica histórias de não-ficção em seu site (uma tema por semana, uma peça por dia), e conta com centenas de colaboradores free-lancers mundo afora. Entre as formas de viabilizar essas reportagens, disponibilizadas gratuitamente, está a produção de conteúdo customizado para empresas (como o vídeo sobre a nova tecnologia da GE) e native advertising (a exemplo da série de matérias sobre “recomeços” para a SundanceTV).

No grupo dos que procuram viabilizar a atividade jornalística por meio de crowdfunding e/ou verbas de instituições filantrópicas citamos duas organizações criadas recentemente no Brasil: Agência Pública e Fluxo. A Pública conta com recursos da Fundação Ford, Open Society Foundations e Omydiar Network, e declara produzir um jornalismo “sem fins lucrativos, para manter a independência”. As reportagens são veiculadas gratuitamente no site do grupo, e giram, prioritariamente, em torno de questões ligadas ao fortalecimento da democracia e dos direitos humanos.

O Fluxo segue um caminho semelhante, mas ainda menos estruturado do que a Pública, até porque mais recente (foi criado em 2014; a Pública, em 2012) – e talvez pelo próprio perfil do grupo. A organização define-se como “um campo de testes de uma nova viabilidade econômica para a produção de informação, dispensando anunciantes comerciais e buscando sua independência financeira na relação direta com a audiência”. O conteúdo é veiculado gratuitamente no site e as pessoas são convidadas a colaborar por meio de contribuições em dinheiro, produção de conteúdo e parcerias para a elaboração de reportagens, realização de cursos e outras atividades ligadas à comunicação jornalística. “Nós não confundimos o ofício com o modelo industrial, exclusivamente comercial, da imprensa — convenhamos, em franca decadência. Felizmente, grupos, nomes e modelos para um jornalismo diferente emergem todos os dias. Iniciativas de jornalismo independente não serão vistas como rivais em busca de mercado — mas como possíveis parceiros do Fluxo. Na idade de informação, em uma sociedade hiperconectada, hiperdigitalizada e hiperdiversa, acreditamos ser essa umas das fronteiras para a criação de uma nova mídia”, defende a equipe no texto de apresentação do Fluxo.

Há, ainda, exemplos de organizações (mais ou menos experientes, de maior ou menor porte) que dependem essencialmente de instituições filantrópicas, mas também desenvolveram formas de ganhar dinheiro a partir da comercialização de conteúdo e tecnologia. É o caso da ProPublica (ícone do jornalismo digital independente, com sede nos Estados Unidos) e sua Data Store, por meio da qual comercializa conteúdo do seu banco de dados/pesquisas. Outro exemplo vindo do Brasil (bemmm menor do que a ProPublica), é a InfoAmazonia, que disponibiliza, gratuitamente, um extenso acervo de dados sobre a região amazônica por meio de mapas digitais e, paralelamente, elabora mapas customizados (e pagos) por “encomenda”.

Esses são apenas alguns casos da miríade de experimentações que o novo momento vivido pelo jornalismo vêm produzindo. E quanto mais se tenta enquadrá-las para entendê-las, como arrisquei fazer acima, mais percebe-se a dificuldade de analisar (e viver) objetivamente este mercado, diante da mutação em looping que caracteriza a atividade desde o fim dos anos 1990.

Jornalismo de investigação: será este o caminho a seguir?

http://www.sol.pt/noticia/47837

http://www.publico.pt/media/noticia/o-jornalismo-de-investigacao-em-portugal-esta-em-crise-189878

Os links colocados em cima foram publicados pelos respetivos órgãos de comunicação social e a sua publicação dista 10 anos. O primeiro pertence ao Sol e é do ano de 2012 e o segundo do Público, do ano de 2002.

Com tão grande diferença temporal e com tantas evoluções e mudanças que o mundo e o jornalismo sofreram desde então, acho curioso o facto de ambos os artigos destacarem o mesmo: “O jornalismo de investigação está em crise”, aliás este é o título da notícia de 2002.

Muito se tem discutido este assunto, mas poucas são as conclusões a que se chega. Na minha opinião há vários fatores que estão a colocar o jornalismo de investigação de lado, reduzindo assim a qualidade do jornalismo praticado em Portugal.

No artigo do Sol, Sandra Felgueiras, jornalista da RTP, afirma: «não tenho tido todas as reportagens que quero porque não tenho orçamento para isso; mas não deixo de fazer as reportagens. se não posso ir ao havai, vou à costa da caparica». Aqui encontro um dos principais obstáculos ao jornalismo de reportagem, a falta de verbas para investir em trabalhos extensos e de qualidade, associada à falta de tempo que se vive hoje em dia nas redações. Valoriza-se a quantidade, ao invés da qualidade. Isso é notório no meio online, a importância do clique, de fazer o leitor abrir o artigo para dar audiência.

Este é um problema no jornalismo, não há tempo para trabalhos destes, trabalhos de investigação, que demoram o seu tempo e que não existe a certeza de serem bem sucedidos. E porque não há tempo? Porque as redações são curtas, têm poucas pessoas e esses profissionais são responsáveis por muitos trabalhos (de curta duração e de curto prazo) simultaneamente. Se existissem mais verbas, a possibilidade de aumentar as redações e ter Jornalismo de Investigação que se traduza em grandes reportagens, aumentaria.

Joaquim Vieira, jornalista e ex-diretor de Programas da RTP, corroborou ao Público em 2002 essa ideia: “é difícil conceber a ideia de afectar um ou dois jornalistas durante semanas a uma única história. (…) Os resultados são incertos e todo o trabalho de semanas pode não dar mais do que uma breve”.

Mas será que mais verbas resolveriam tudo?

No mesmo artigo, Joaquim Vieira falou sobre um caso que envolveu Paulo Portas e uns pagamentos a uns estudantes: “Se houvesse investigação jornalística em Portugal, os jornalistas teriam saído das redacções e iam para a rua à procura desses estudantes, faziam as contas de quanto estes tinham realmente recebido e conferiam se tais valores coincidiam com os dos cheques. Já passou um mês e ninguém publicou nada. Esta é a prova de que não há jornalismo de investigação.”

No meu entender, seria necessária sobretudo uma mudança de mentalidade das pessoas que ocupam os maiores cargos nas empresas. Um jornalista sentir-se-à mais realizado a fazer um trabalho de grande dimensão, de investigação em vez de breves ou a cobertura por vezes de acontecimentos banais, mas que fazem parte da agenda. A abertura para o jornalismo de investigação tem de partir do topo e isso não está a acontecer.

Existe uma extrema preocupação com os lucros (naturalmente),mas será que trabalhos resultantes do Jornalismo de Investigação não trariam lucros, ou melhor, mais lucros, nesta altura de crise? O jornal impresso vende cada vez menos e, talvez por isso, não há o investimento em trabalhos assim para colocar em páginas de jornais, mas o meio online está aí para ser aproveitado e para gerar lucros. Há poucos exemplos em Portugal, mas felizmente ainda vão surgindo alguns trabalhos deste género, que aproveitam todas as potencialidades da Internet. A reportagem do Expresso: “Matar e Morrer por Alá” (http://expresso.sapo.pt/jihad-pt/matar-e-morrer/) é um exemplo claro disso mesmo. O caminho não estará nestas reportagens? Nestes conteúdos?

A reportagem “O amor não mata”, (http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemsic/2015-03-05-O-amor-nao-mata), da SIC, é o exemplo televisivo disto mesmo. Numa época em que fazer scroll no facebook é passatempo e onde as pessoas têm cada vez menos tempo para sair da sua rotina, acho que estes dois trabalhos são exemplos de qualidade e que prenderiam qualquer um a ele. O caminho a seguir no jornalismo deve ser por aqui, pela qualidade, pela investigação! Pode demorar algum tempo, mas os retornos virão, e a classe e profissão só sairá beneficiada e credibilizada.

O futuro do jornalismo

“Has digital technology made journalism worse or better?”. Esta é a questão que introduz a problemática sobre o futuro do jornalismo discutida na última palestra de Tom Rosenstiel no TEDxAtlanta. Se a sua cara é conhecida, então o seu nome não passa despercebido. Para além de jornalista, autor e crítico, Tom Rosenstiel é o diretor executivo do American Press Institute. Este questiona o papel do jornalismo na atualidade ao afirmar que as audiências vão determinar as notícias no futuro. Quantas vezes já nos questionamos se os jornais impressos vão continuar a co-existir com o jornalismo online? E quantas vezes imaginamos como será o jornalismo no futuro? Quais são as suas problemáticas?

Não é novidade que atualmente temos acesso a mais notícias mas as redações estão a afundar-se. Hoje já não temos de esperar pelas 20h00 para sabermos as notícias que marcaram o dia. Agora “the news media have to adapt what they do to fit our behavior because we no longer have to fit our behavior to their cycles”. Muito pelo contrário: “news are more convenient and we can satisfy our curiosity whenever we want because we have news in our pockets”. E é por isso que Tom Rosenstiel acredita que estamos a evoluir da “trust me era” para a “show me era”  (mostrar à audiência porque deve acreditar nos media) onde as notícias tem de ser apresentadas de forma diferente. Este defende que os jornalistas devem dar provas do seu trabalho e serem mais transparentes na forma como dão as notícias.

Já a história dos media prova que as pessoas pensavam que quando a câmara foi inventada, a pintura ia desaparecer e que quando a rádio surgiu, os jornais também iam desaparecer. O mesmo com a televisão mas nada disto aconteceu. Estes meios adaptaram-se e especializaram-se naquilo que são bons e que os diferencia dos restantes. Tom Rosenstiel ainda refere que a tecnologia está a formar novas audiências de notícias que provavelmente não consumiria notícias nos formatos antigos. Este dá como exemplo a idade média de um leitor de jornais (que ronda os 54 anos) em comparação à idade de um leitor que usa dispositivos móveis que ronda os 37 anos.

Portanto sim, a tecnologia transformou o jornalismo e criou novos recursos através do quais o jornalismo só pode beneficiar. Seja através do “crowdsourcing” ou do “open journalism”. O desafio está em valorizar a actividade jornalística como uma profissão que se distingue por exigências éticas, cruciais para o exercício de um jornalismo com qualidade. Nas palavras do orador, “during a hurricane, citizen photographers can be many more places then the journalists in any one news organization ever could. But when the terrorist suspect in Boston has been interrogated we may need profissional journalists with sources to find out what’s going on in that room”. Então agora a questão que se segue é outra: “Who will pay for quality journalism?”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Rosenstiel, Tom; Kovach, Bill (2005) “Os elementos do jornalismo: o que os profissionais do jornalismo devem saber e o público deve exigir”, Porto Editora, Lisboa

Facebook quer receber notícias dos nossos sites de media favoritos

A última aula de Questões Contemporâneas do Jornalismo assentou na relação entre o jornalismo e as redes sociais. Estes dois conceitos estão cada vez mais interligados, através da dinâmica que se estabelece entre jornalista e utilizadores nas plataformas digitais.

Por isso, atualmente, as organizações noticiosas interessam-se cada vez mais pelo Facebook. Com mais de 1 bilião de utilizadores, esta rede social tornou-se uma fonte vital de tráfego para os editores que procuram atingir um público mais fragmentado e que possui smartphones. Por isso, nos últimos meses, o Facebook reuniu com várias empresas de media com o intuito de agregar o seu conteúdo dentro da própria rede social, ao invés de fazer os utilizadores clicarem num link para ir para um site externo. A medida representaria uma evolução para as organizações de notícias, que estão acostumadas a manter os seus leitores dentro dos seus próprios “ecossistemas”, acumulando informações e dados valiosos sobre eles.

O Facebook pretende testar o novo formato nos próximos meses, sendo que os parceiros iniciais serão o The New York Times, o Buzz Feed e o National Geographic, apesar de existir a possibilidade de outros sites serem adicionados a esta lista. Para tornar a proposta mais atraente para os editores, a rede social de Mark Zuckerberg tem discutido formas para as organizações de media ganharem dinheiro com publicidade que viria junto ao conteúdo. Esta proposta vem com o objetivo do Facebook tornar a experiência de consumo de conteúdo online mais estimulante. Na rede social, os artigos de notícias estão ligados aos próprios sites de media que os produzem, sendo abertos num browser que demora cerca de oito segundos para carregar. O Facebook considera o tempo exagerado, especialmente nos dispositivos móveis em que, para capturar a atenção dos utilizadores, todos os segundos contam.

Além de incluir o conteúdo diretamente no Facebook, a empresa está a discutir com os editores sobre outras formas para acelerar a entrega dos seus artigos. Segundo Edward Kim, chefe-executivo da SimpleReach, “aumentos na velocidade de um site geralmente significam grandes aumentos na satisfação do utilizador e no tráfego”. Por isso, Kim coloca a hipótese do plano do Facebook incidir sobre essas pequenas melhores, em vez de apenas receber dinheiro dos acordos com as empresas de media. Contudo, para Edward Kim existe uma série de implicações para as editoras e que a rede social tem um papel importante para mostrar às editoras que “isto pode ser uma vitória para ambos os lados”. A questão torna-se agora mais urgente porque, segundo Kim, as empresas de media têm visto uma queda no tráfego que pode ser atribuído à priorização do vídeo pela empresa, visto ser um meio mais lucrativo para as vendas de anúncios.

Tal como o Facebook, as empresas de media também querem melhores experiências para os utilizadores. Enquanto o BuzzFeed tem uma política de espalhar o seu conteúdo fora do seu próprio site, o The Times utiliza um modelo de assinatura que assegura uma parcela crescente da receita da empresa. Assim, o The Times teria que pesar os benefícios de alcançar os utilizadores do Facebook e a receita publicitária associada; contra a possibilidade de doar o seu conteúdo e perder os cliques no seu próprio site que, ao invés, ficariam dentro do Facebook.

Algumas organizações de notícias reagiram de forma negativa à proposta. Vários funcionários do The Guardian, por exemplo, têm sugerido, segundo o New York Times, a colegas de outras publicações para que os seus editores se unam para negociar acordos que funcionem para toda a indústria, mantendo assim o controlo da sua própria publicidade, esteja ou não o conteúdo hospedado no Facebook. A rede social recusou-se a comentar as notícias sobre as discussões que tem tido com as editoras de media, mas reiterou ao NYT que tem fornecido recursos para ajudar os editores a ter um maior sucesso no Facebook, a partir de ferramentas, reveladas em dezembro de 2014 e que lhes permitem direcionar os seus artigos para grupos específicos de utilizadores desta rede social. A companhia reconhece que o novo plano – defendido por Chris Cox, o “Chief Product Officer” do Facebook – removeria os anúncios habituais que os editores colocam em redor dos seus conteúdos. Embora as ideias sobre a partilha de receitas ainda estejam em discussão, a ideia permitiria aos editores mostrar um único anúncio num formato personalizado dentro de cada artigo no Facebook.

O Facebook nunca havia feito qualquer tipo de repartição de receitas com editores de conteúdo. Contudo, ultimamente o Facebook tem feito experiências neste sentido. Por exemplo, em dezembro, a rede social começou a mostrar clips da NFL patrocinados pela Verizon, uma holding estadunidense especializada em telecomunicações. A Verizon pagou para os clips serem enviados para os feeds de notícias dos utilizadores, publicando um anúncio no final desses clips. No final do processo, a NFL e o Facebook acabaram por dividir a receita publicitária deste modelo.

Ainda assim, a nova proposta do Facebook traz outro risco para os editores: a perda de dados sobre os consumidores. Quando os leitores clicam num artigo, um conjunto de ferramentas de monitoramento permitem agregar informações valiosas sobre quem os utilizadores são, quantas vezes eles visitam o site e o que eles têm feito mais vezes na web. Esses dados iriam agora para o Facebook, sendo que não foi divulgado quantos desses dados a rede social partilharia. Por outro lado, se para além do período experimental, o Facebook decide colocar o conteúdo no lugar comum (commonplace) do site, aquele que não participam neste programa poderiam perder tráfego substancial, fazendo com que os seus artigos carreguem e abram mais lentamente que os dos seus concorrentes diretos de media. E assim como o Facebook mudou o seu feed de notícias para reproduzir os vídeos diretamente no seu site – dando-lhes uma vantagem em comparação com os vídeos hospedados no YouTube – esta rede social poderia mudar o “feed” para dar prioridade aos artigos hospedados diretamente no seu site.

Artigos Consultados:

http://www.nytimes.com/2015/03/24/business/media/facebook-may-host-news-sites-content.html?_r=0

http://expresso.sapo.pt/o-proximo-negocio-do-facebook-sao-as-noticias=f916979

É uma inovação Portuguesa … com certeza !!!

Foi lançada ontem, dia 23 de Março, a primeira rede social portuguesa. Em criação desde 2013 e em teste há alguns meses, a Soccial, pretende facilitar o dia-a-dia das pessoas, criando um “conceito misto de rede social, portais sociais e um conjunto de funcionalidades que permitem ao utilizador encontrar, conectar-se e interagir com tudo o que está à sua volta.”

A forma mais fácil de encontrar o melhor conteúdo da Internet, tendo por base os gostos, a localização e a personalidade, utiliza a tecnologia Big Data. Além de permitir armazenar e contextualizar dados “sobre ruas, localidades, estabelecimentos, pontos de interesse, serviços, produtos, blogues e publicações”, é através dela que os criadores conseguem fazer uma previsão das preferências e das características de personalidade dos utilizadores pela forma como eles interagem na e com a plataforma.

Não é novidade para ninguém que a tecnologia está em tudo o que fazemos e que a forma como nos comportamos em sociedade é hoje moldada pelo contacto com a internet e com as redes sociais. A quantidade de informação com que somos “bombardeados” no meio digital torna-se difícil de digerir, interpretar, assimilar, compreender e agrupar.

A Soccial tem a solução para o problema porque entre outras potencialidades permite:

– Pesquisar de forma natural, o que significa que o utilizador pode escrever como se estivesse a perguntar:

  • “onde almoçar perto do meu trabalho”;
  • “o que conhecer com a minha namorada perto de Lisboa”;
  • “onde comer um bom bacalhau com natas”;
  • “pingo doce perto de mim”;
  • “notícias sobre tecnologia”;
  • “fotos sobre moda”.

A capacidade tecnológica da plataforma potencia a resposta às questões bem como a associação aos “gostos, localização e personalidade” do utilizador ou utilizadores interessados. E se, em muitas situações, a quantidade não implica qualidade, neste caso, quanto maior for o número de utilizadores a pesquisar mais inteligente se poderá tornar a pesquisa.

– Aceder a Portais sociais que se adaptam ao quotidiano e à personalidade de cada utilizador.

– Visitar Publicações de blogs e portais, com a possibilidade de acompanhar as novidades de blogs/sites que o utilizador segue.

– Ter acesso a Listas de inspiração que consistem em listas para organizar conteúdo inspirador, como fotografias, vídeos, pessoas, links, entre outros.

– Descobrir as melhores lojas, as mais reputadas, os melhores serviços, os melhores produtos e até os melhores descontos.

– Visitar a página de uma rua com possibilidade de conhecer pontos de interesse próximos, bem como notícias, fotografias e vídeos relacionados com o local.

– Encontrar pessoas com os mesmos interesses e estabelecer conexões com elas.

Reorganizar gradualmente a Internet e a informação sobre tudo o que nos envolve é a palavra de ordem dos criadores, Paulo Rodrigues, de 35 anos, Isabel Pinto, de 27, e Joana Coelho, de 22 anos. Prometem mudar o mundo tirando partido de todas as funcionalidades próprias de uma rede social: “o acesso aos perfis pessoais, amigos, fotografias, vídeos, feeds.” Contudo, assumem que esta rede não pretende absorver o individuo para o mundo digital mas sim colocá-lo em contacto com o mundo real através de uma plataforma.

Mas, o acesso aos conteúdos em quantidade e relevância suficiente para fazer jus ao conceito da plataforma não partiu apenas dos criadores, foi necessário aliar “à informação que o sistema indexa automaticamente, o sistema de colaboração mais avançado do mundo.” Uma troca simples e direta que promove a entreajuda e é um dos segredos do sucesso: “os utilizadores ajudam-nos a arrumar toda a informação e nós fornecemos um conjunto de funcionalidades, totalmente grátis, para facilitar o seu dia-a-dia.”

Assim, a criação da maior base de colaboração do mundo tem por missão fazer as pessoas mais felizes. Apostando em três princípios chave: “o utilizador em primeiro lugar, a privacidade garantida e a gratuitidade sem publicidade”, a Soccial privilegia o tempo, o lazer e a realização.

Esta é mais uma prova de que o que é “Nacional é Bom” e de que o Empreendedorismo veio para ficar !!!

Fontes consultadas:

SOCCIAL

http://www.soccial.com/

A rede social portuguesa Soccial está a iniciar uma nova era

http://pplware.sapo.pt/redes_sociais/a-rede-social-portuguesa-soccial-esta-a-iniciar-uma-nova-era/