Os pseudo-acontecimentos também são uma forma de manipulação?

Um dos temas abordados na aula de Jornalismo Político a que assisti na semana passada foi a questão dos pseudo-acontecimentos. Algo que me captou a atenção, tendo em conta que todos os dias nos deparamos com estes pseudo-acontecimentos e, na maioria das vezes, não nos apercebemos. Este conceito, desenvolvido por Daniel Boorstin, traduz um evento preparado por uma pessoa ou instituição com o objectivo de atingir o espaço mediático, sendo que os meios de comunicação depois divulgam factos noticiosos acerca dos mesmos.

Segundo Estrela Serrano, no seu estudo intitulado <i>Jornalismo e elites do poder</i>, “as notícias são representações da autoridade. Através delas os jornalistas e as fontes possuem o poder de decidir quem tem voz e quem é excluído do acesso ao espaço público. Alguns autores consideram existirem interesses convergentes entre fontes e jornalistas na organização de manifestações públicas com algum grau de espectacularidade: os jornalistas ganham a certeza de uma notícia palpitante e os organizadores conseguem o efeito “bola de neve”, porque os media anunciam, acompanham e amplificam o impacto da acção que eles organizaram.”

Assim, a autora dá como um dos melhores exemplos de pseudo-eventos as “fugas” de informação, que acabam por se transformar num modo de transmissão de informação capaz de estabelecer um ambiente de confiança entre os jornalistas e as fontes: “A arte de governar é a arte de fazer crer (…) e os media são as tecnologias da crença colectiva. O político tem de ocupar terreno, dia após dia, ou desaparece”.

Por outro lado, quando o acontecimento assume uma índole negativa, torna-se necessário desviar a atenção dos jornalistas daquilo que é realmente importante. Nesse caso criam-se as chamadas manobras de diversão, que são também consideradas por Carlos Fontes “um novo modo de fazer política”.

Assim, julgo que podemos concluir que a resposta à pergunta no título deste comentário é um “sim”. Quer seja na esfera política, ou noutras dimensões do quotidiano mediático, como o futebol, por exemplo, a criação dos pseudo-acontecimentos é uma forma declarada de manipulação da agenda noticiosa. Através de conferências de imprensa, comunicados, ou simples trocas de mensagens, os pseudo-acontecimentos são inevitáveis e o jornalismo acabará por estar sempre dependente destes.

Fontes consultadas:

http://www.bocc.ubi.pt/pag/serrano-estrela-jornalismo-elites-poder.html

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