O futuro das notícias televisivas

Para o comentário desta semana – referente à unidade curricular “Questões Contemporâneas do Jornalismo” – decidi utilizar como fonte principal o Reuters Institute for the Study of Journalism. Esta organização, tal como o nome indica, é um centro de pesquisa, localizado no Reino Unido,  que se destina ao estudo de questões que afetam os de todo o mundo.

Nesta reflexão, optei por uma análise realizada por Richard Sambrook – professor de Jornalismo e diretor do Centro de Jornalismo na Escola de Jornalismo de Cardiff – realizada numa conferência sobre a prática do jornalismo no passado dia 18 de fevereiro, no Green Templeton College, em Oxford, no Reino Unido. Na sua intervenção, Sambrook optou por analisar o futuro das notícias televisivas. Os canais de notícias de televisão por satélite tiveram um papel significativo no desenvolvimento do ciclo de notícias de 24 horas por dia, na década de 1980. Este ciclo justificava-se pela necessidade das organizações de media em transmitirem as notícias ao vivo antes dos seus concorrentes, numa prática que formava a base de grande parte da ética jornalística da época. Contudo, para Richard Sambrook, ex-diretor da BBC Global News, a TV por satélite tem sido invadida pela tecnologia digital inovadora nos métodos de consumo de notícias. Para o jornalista, a indústria noticiosa tem sido lenta a reconhecer essa mudança na recolha e distribuição de conteúdo como um fator essencial na captação dos espetadores mais jovens.

Com as emissoras a perderem público para as plataformas de TV e Internet digitais, o professor de Jornalismo questionou se a captação de notícias digital irá reinventar toda a forma de transmissão televisiva. Sambrook referiu mesmo que o mercado das “breaking news” (notícias de última hora) já não é o único que existe, pois foi parcialmente substituído pelas audiências do Twitter e Facebook,  ao nível da assimilação e distribuição de informação.

Richard Sambrook questionou a forma como os media “preenchem” o espaço televisivo. Aliás, o ex-diretor da BBC Global News dá mesmo o exemplo de um direto feito à porta do St. Mary’s Hospital, num momento em que o jornalista refere que a Duquesa de Cambridge ainda não deu à luz. Para o jornalista, este é um exemplo que não pode ser uma ideologia constante das emissoras televisivas, devido à falta de valor notícia no direto em questão. Deste modo, Richard Sambrook enaltece que este tipo de julgamentos editoriais – que optam sempre pelo direto apenas para preencher tempo de antena, mesmo quando não existe notícia para transmitir – é um conceito que vai acabar por afastar o público. Assim, e porque o público está cada vez mais exigente, o jornalista recomenda a necessidade de reavaliar o conceito de “breaking news” e de produzir conteúdos mais atraentes para preencher a antena e satisfazer os telespetadores.

No entanto, este considera que continuará a existir uma necessidade de verificação, análise e contextualização para as notícias. Além disso, Sambrook refere que 85 % dos consumidores continuam a usar a TV como a sua principal fonte de notícias; que canais de notícias continuam a aparecer na televisão, o que significa que há entusiasmo por notícias na Europa e, por fim, que as receitas de TV devem crescer na região para mais de 5% nos próximos 5 a 7 anos, com a publicidade a dar sinais de recuperação. Em contrapartida, o professor de jornalismo destaca o facto de que os consumidores irem continuar a utilizar múltiplas fontes para reunir informações e compartilhá-las online. Para Richard Sambrook, existe igualmente um problema demográfico, o que leva à necessidade da TV encontrar o seu futuro nos seus públicos pois os consumidores de notícias estão a envelhecer mais rapidamente do que o público de outros géneros.

O jornalista identifica ainda uma espécie de crise de identidade que desafia as redações do Reino Unido e EUA. Para Sambrook, a tecnologia está a mudar o comportamento do consumidor, permitindo que os novos operadores, como o Vice News e o BuzzFeed estejam a agarrar uma fatia significativa do mercado das audiências, em especial para o vídeo em plataformas como os tablets e os telemóveis. O autor refere que estes operadores conseguiram gerar recursos suficientes para recrutar correspondentes estrangeiros para publicarem na web, que podem cobrir histórias globais através de uma apresentação rápida, flexível e com menos “amarras”.

Sambrook vê, por isso, várias questões-chave para o futuro: 1 – Como o mercado de pacotes de notícias em profundidade está a encolher, o autor defende que as redações devem competir com conteúdo direcionado para a Internet (embora isso nem sempre seja original); 2 – Depois, Sambrook questiona de que modo os noticiários e a maior integração da web poderão ser fatores importantes na definição de como a indústria irá manter as suas audiências; 3- O jornalista defende que as notícias on-demand multiplataforma irão evoluir em 5 anos, mas continuarão a ser um território desconhecido. Para Richard Sambrook, a “tecnologia tem permitido colocar o consumidor no lugar do motorista e no controlo das escolhas que lhe são apresentadas”.

Fontes utilizadas:

https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/

https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/news/future-television-news

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