O avanço que trava o profissionalismo

A importância que a tecnologia tem no trabalho é incomensurável. Seja em que área for, a humanidade está cada vez mais dependente do progresso tecnológico. O setor dos media não é exceção. Na semana passada, depois de ter lido um texto do sueco Henrik Ornebring que se debruça essencialmente sobre o profissionalismo no Jornalismo, acabei por reter uma premissa em particular: “o domínio da tecnologia no local de trabalho obriga o jornalista a fazer mais trabalho em menos tempo e a descurar tarefas como a análise da informação e verificação de fontes (…)”. É isto possível, tendo em conta que está mais do que comprovado que a tecnologia dotou o trabalho jornalístico de uma maior eficiência e rapidez de difusão?

A minha opinião vai ao encontro daquela que Ornebring tão bem fundamenta. O avanço tecnológico no Jornalismo, principalmente através das facilidades proporcionadas pela Internet, conduziu, na minha opinião, volto a focar, a um “desleixe” por parte dos jornalistas em relação a tarefas tão fundamentais para o exercício de jornalismo de qualidade.

Quantas vezes vemos as mesmas notícias em diferentes órgãos e os mesmos erros reproduzidos vezes e vezes sem conta nesses mesmos órgãos? Isto deve-se à facilidade que todos nós (sim, quando falo em todos refiro-me ao cidadão comum) temos em aceder a todo e qualquer tipo de informação. A falta de verificação da veracidade da informação que é produzida e difundida pode estar relacionada com a ideia pré-concebida que há no Jornalismo, hoje em dia: tempo é dinheiro, e, quanto menos tempo se demorar a dar determinada notícia, mais à frente se está da concorrência. Com isto não quero dizer que o Jornalismo não deve estar sujeito à pressão temporal, até porque eficiência e rapidez são cada vez mais fulcrais na sociedade atual, mas há que haver uma sensibilização constante dos profissionais para que a noção de qualidade e até “jornalismo de referência” não se perca.

Assim, torna-se necessário para a esfera dos media rever esta situação e definir bem qual é a prioridade. Até porque se corre o risco de ver confirmada a teoria do “De-skilling” avançada por Ornebring, que prevê a perda de capacidades por parte dos jornalistas nas redações. Sempre ouvi dizer que “a pressa é inimiga da perfeição”. Sou honesto, já considerei este ditado popular mais realista, mas defendo vincadamente que a sua essência não deve ser perdida.

Artigo consultado:

http://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/sites/default/files/The%20Two%20Professionalisms%20of%20Journalism_Working%20Paper.pdf

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