As rádio locais e a proximidade estão em vias de extinção?

Como já é sabido as rádios locais tiveram e continuam a ter um papel crucial na população. Embora muitas delas estejam a ser “compradas” avulso pelos grandes meios de comunicação para serem nada mais nada menos que retransmissores das suas emissões. Esta é uma realidade que verdadeiramente me choca. Choca-me pelo facto de perdermos a proximidade que temos com a nossa cultura, com as nossas gentes, com os problemas da terrinha, com os discos que a vizinha dedica à outra, com as músicas populares, mas acima de tudo pela pouca informação regional/local e da falta de poder que este órgãos de comunicação têm para serem uma voz altiva na denúncia.

Os finais da década de 70 que marcaram o nascimento das rádios locais (legais). Estas evoluíram num contexto nem sempre favorável. O contexto económico e político afecta, veementemente a performance e o espaço que este meio deveria ter numa região. Os problemas económicos são o demónio das rádio locais ainda existentes em Portugal. Há cada vez mais rádios a fecharem as suas portas porque não há sustento para as manter.  Ou seja, o comércio local está na rua da amargura e uma das formas de sustentabilidade de uma rádio é a publicidade e se este está a cair a quebras na receita da publicidade são evidentes. Esta é uma das razões. Há boas rádios que para além das publicidades também têm meios próprios de financiamento. Exemplo disso e não puxando o braço à minha sardinha, a Rádio Campanário, tem para além desse sustento outras formas de obter verbas é o caso da realização de eventos – desde espectáculos de fados, musicais e até tauromáquicos – para ganhar mais dinheiro e assim fazer face a outras despesas. Embora existam algumas rádios que estão “subornadas” pelo poder local. As rádios subsidiadas pelas câmaras estão de certa forma dependentes daquilo que elas fazem e não só. Um dos objectivos dos media é serem uma voz activa e denunciar casos que estejam a causar mal estar social, ora se estas estão sobre a alçada das autarquias este poder ou esta vigilância – chamado Watchdog – é fortemente afectada prejudicando a cobertura local e regional.

Segundo a Lei da Rádio no artigo número 12 o fim da rádio é promover o direito de informar e ser informado com rigor e independência.

Artigo 12.º

Fins da actividade de rádio Constituem fins da actividade de rádio, de acordo com a natureza, a temática e a área de cobertura dos serviços de programas disponibilizados: a) Contribuir para a informação, a formação e o entretenimento do público; b) Promover o exercício do direito de informar, de se informar e de ser informado, com rigor e independência, sem impedimentos nem discriminações; c) Promover a cidadania e a participação democrática e respeitar o pluralismo político, social e cultural; d) Difundir e promover a cultura e a língua portuguesas e os valores que exprimem a identidade nacional; e) Contribuir para a produção e difusão de uma programação, incluindo informativa, destinada à audiência da respectiva área de cobertura.

A ideia das rádio locais remete-nos para a criação de um modelo alternativo de comunicação com o objectivo de ser próxima e de estar virada para os problemas daquela sociedade. É crucial existir um jornalismo de proximidade. Para que a população existente possa perceber aquilo que por lá se passa e não só. As rádios locais são bons exemplos de como os emigrantes se sentem próximos da sua terra e das suas gentes, promovendo uma interacção dinâmica e imprescindível nos dias que correm.

Tal como já tinha referenciado noutros artigos de opinião a migração das rádios locais para o online (internet) permitiu abrir fronteiras que estavam por si só fechadas e limitadas através da frequência. Quem quisesse ouvir uma rádio local ou ler um notícia da sua terra natal era complicado. A internet permitiu que as rádios se afirmassem enquanto órgão de comunicação, apesar das suas limitações (humanas, económicas e técnicas), e com isso proliferar para outros lugares.

À margem do lançamento do livro “Das piratas à Internet: 25 anos de rádios locais” o Observador aborda este assunto.

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