Éhhhhh… agora a publicidade faz parte do jornalismo?

Há muito que se fala sobre esta temática e que convive com o jornalismo de braço dado. Será que começa a existir uma tendência para criar um novo formato para o jornalismo, como por exemplo brand journalism – Jornalismo de Marcas – levando os jornalistas a acompanharem de forma exaustiva uma marca ou um evento associado?

Esta é, na minha opinião, uma verdade cada vez mais constante no jornalismo camuflado de campanhas de marketing de forma a publicitar produtos/marcas ao público. Esta é obviamente uma questão que arrepia toda a comunidade jornalística que tem que conviver entre o marketing e a notícia. As empresas estão cada vez mais preparadas para transmitir aos jornalistas/media uma informação cativante, motivante e muitas e não raras vezes já com todos os requisitos necessários para construir uma notícia (fontes, fotos, sons, vídeos, texto). Para o jornalista este trabalho torna-se rápido e fácil dando destaque a este tipo de eventos em detrimento de outros acontecimentos mais desenvolvidos (investigações jornalísticas, por exemplo). Esta ideia premente nos meios de comunicação em parte resulta da falta de meios de sustentabilidade, fica aos órgãos de comunicação muito mais barato fazer este tipo de eventos porque são pseudo-acontecimentos em que os relações públicas ou os assessores de comunicação têm a “papinha” feita para o jornalista replicar. Outro dos motivos para isto acontecer é o facto do evento ou marca interessar a uma grande fatia populacional, mas será que isto é justificação para esbarrar-mos contra os nossos valores deontológicos e éticos? Parece que em boa parte dos meios de comunicação isso é possível.

Podem até achar que estou a exagerar, mas eu achei um “exagero” a cobertura que os meios de comunicação não só os de Portugal, mas também os de todo o mundo, fizeram ao lançamento do novo relógio Apple. Eu percebo que a marca é um das mais importantes no que toca a tecnologia e que todas as pessoas querem saber o que a empresa da maça vai criar ou desenvolver, mas acho que deve haver um limite para este acompanhamento. A empresa é por si só influente, a palavra APPLE vende e é por isso que os media decidiram cobrir de forma massiva o lançamento. Aqui há uma clara aproximação da publicidade à noticiabilidade jornalística. Esta é a minha opinião.

Deixo aqui uns links de algumas notícias relacionadas com o lançamento do Apple Watch:

http://www.nytimes.com/2015/03/02/universal/es/apple-watch-la-nueva-mision-de-apple.html

http://www.washingtonpost.com/entertainment/tv/apple-event-live-the-watch-a-gold-macbook-hbo-on-iphone/2015/03/09/60383e40-c6cd-11e4-bea5-b893e7ac3fb3_story.html

http://www.lefigaro.fr/secteur/high-tech/2015/03/09/01007-20150309ARTFIG00422-uber-instagram-twitter-decouvrez-les-premieres-applications-de-l-apple-watch.php

http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/tim-cook-deve-tirar-hoje-ultimas-duvidas-sobre-o-apple-watch-1688539

http://expresso.sapo.pt/apple-watch-vamos-poder-falar-com-ele-mas-compra-lo-em-portugal-so-mais-tarde=f914305

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