Facebook quer receber notícias dos nossos sites de media favoritos

A última aula de Questões Contemporâneas do Jornalismo assentou na relação entre o jornalismo e as redes sociais. Estes dois conceitos estão cada vez mais interligados, através da dinâmica que se estabelece entre jornalista e utilizadores nas plataformas digitais.

Por isso, atualmente, as organizações noticiosas interessam-se cada vez mais pelo Facebook. Com mais de 1 bilião de utilizadores, esta rede social tornou-se uma fonte vital de tráfego para os editores que procuram atingir um público mais fragmentado e que possui smartphones. Por isso, nos últimos meses, o Facebook reuniu com várias empresas de media com o intuito de agregar o seu conteúdo dentro da própria rede social, ao invés de fazer os utilizadores clicarem num link para ir para um site externo. A medida representaria uma evolução para as organizações de notícias, que estão acostumadas a manter os seus leitores dentro dos seus próprios “ecossistemas”, acumulando informações e dados valiosos sobre eles.

O Facebook pretende testar o novo formato nos próximos meses, sendo que os parceiros iniciais serão o The New York Times, o Buzz Feed e o National Geographic, apesar de existir a possibilidade de outros sites serem adicionados a esta lista. Para tornar a proposta mais atraente para os editores, a rede social de Mark Zuckerberg tem discutido formas para as organizações de media ganharem dinheiro com publicidade que viria junto ao conteúdo. Esta proposta vem com o objetivo do Facebook tornar a experiência de consumo de conteúdo online mais estimulante. Na rede social, os artigos de notícias estão ligados aos próprios sites de media que os produzem, sendo abertos num browser que demora cerca de oito segundos para carregar. O Facebook considera o tempo exagerado, especialmente nos dispositivos móveis em que, para capturar a atenção dos utilizadores, todos os segundos contam.

Além de incluir o conteúdo diretamente no Facebook, a empresa está a discutir com os editores sobre outras formas para acelerar a entrega dos seus artigos. Segundo Edward Kim, chefe-executivo da SimpleReach, “aumentos na velocidade de um site geralmente significam grandes aumentos na satisfação do utilizador e no tráfego”. Por isso, Kim coloca a hipótese do plano do Facebook incidir sobre essas pequenas melhores, em vez de apenas receber dinheiro dos acordos com as empresas de media. Contudo, para Edward Kim existe uma série de implicações para as editoras e que a rede social tem um papel importante para mostrar às editoras que “isto pode ser uma vitória para ambos os lados”. A questão torna-se agora mais urgente porque, segundo Kim, as empresas de media têm visto uma queda no tráfego que pode ser atribuído à priorização do vídeo pela empresa, visto ser um meio mais lucrativo para as vendas de anúncios.

Tal como o Facebook, as empresas de media também querem melhores experiências para os utilizadores. Enquanto o BuzzFeed tem uma política de espalhar o seu conteúdo fora do seu próprio site, o The Times utiliza um modelo de assinatura que assegura uma parcela crescente da receita da empresa. Assim, o The Times teria que pesar os benefícios de alcançar os utilizadores do Facebook e a receita publicitária associada; contra a possibilidade de doar o seu conteúdo e perder os cliques no seu próprio site que, ao invés, ficariam dentro do Facebook.

Algumas organizações de notícias reagiram de forma negativa à proposta. Vários funcionários do The Guardian, por exemplo, têm sugerido, segundo o New York Times, a colegas de outras publicações para que os seus editores se unam para negociar acordos que funcionem para toda a indústria, mantendo assim o controlo da sua própria publicidade, esteja ou não o conteúdo hospedado no Facebook. A rede social recusou-se a comentar as notícias sobre as discussões que tem tido com as editoras de media, mas reiterou ao NYT que tem fornecido recursos para ajudar os editores a ter um maior sucesso no Facebook, a partir de ferramentas, reveladas em dezembro de 2014 e que lhes permitem direcionar os seus artigos para grupos específicos de utilizadores desta rede social. A companhia reconhece que o novo plano – defendido por Chris Cox, o “Chief Product Officer” do Facebook – removeria os anúncios habituais que os editores colocam em redor dos seus conteúdos. Embora as ideias sobre a partilha de receitas ainda estejam em discussão, a ideia permitiria aos editores mostrar um único anúncio num formato personalizado dentro de cada artigo no Facebook.

O Facebook nunca havia feito qualquer tipo de repartição de receitas com editores de conteúdo. Contudo, ultimamente o Facebook tem feito experiências neste sentido. Por exemplo, em dezembro, a rede social começou a mostrar clips da NFL patrocinados pela Verizon, uma holding estadunidense especializada em telecomunicações. A Verizon pagou para os clips serem enviados para os feeds de notícias dos utilizadores, publicando um anúncio no final desses clips. No final do processo, a NFL e o Facebook acabaram por dividir a receita publicitária deste modelo.

Ainda assim, a nova proposta do Facebook traz outro risco para os editores: a perda de dados sobre os consumidores. Quando os leitores clicam num artigo, um conjunto de ferramentas de monitoramento permitem agregar informações valiosas sobre quem os utilizadores são, quantas vezes eles visitam o site e o que eles têm feito mais vezes na web. Esses dados iriam agora para o Facebook, sendo que não foi divulgado quantos desses dados a rede social partilharia. Por outro lado, se para além do período experimental, o Facebook decide colocar o conteúdo no lugar comum (commonplace) do site, aquele que não participam neste programa poderiam perder tráfego substancial, fazendo com que os seus artigos carreguem e abram mais lentamente que os dos seus concorrentes diretos de media. E assim como o Facebook mudou o seu feed de notícias para reproduzir os vídeos diretamente no seu site – dando-lhes uma vantagem em comparação com os vídeos hospedados no YouTube – esta rede social poderia mudar o “feed” para dar prioridade aos artigos hospedados diretamente no seu site.

Artigos Consultados:

http://www.nytimes.com/2015/03/24/business/media/facebook-may-host-news-sites-content.html?_r=0

http://expresso.sapo.pt/o-proximo-negocio-do-facebook-sao-as-noticias=f916979

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s