O futuro do jornalismo

“Has digital technology made journalism worse or better?”. Esta é a questão que introduz a problemática sobre o futuro do jornalismo discutida na última palestra de Tom Rosenstiel no TEDxAtlanta. Se a sua cara é conhecida, então o seu nome não passa despercebido. Para além de jornalista, autor e crítico, Tom Rosenstiel é o diretor executivo do American Press Institute. Este questiona o papel do jornalismo na atualidade ao afirmar que as audiências vão determinar as notícias no futuro. Quantas vezes já nos questionamos se os jornais impressos vão continuar a co-existir com o jornalismo online? E quantas vezes imaginamos como será o jornalismo no futuro? Quais são as suas problemáticas?

Não é novidade que atualmente temos acesso a mais notícias mas as redações estão a afundar-se. Hoje já não temos de esperar pelas 20h00 para sabermos as notícias que marcaram o dia. Agora “the news media have to adapt what they do to fit our behavior because we no longer have to fit our behavior to their cycles”. Muito pelo contrário: “news are more convenient and we can satisfy our curiosity whenever we want because we have news in our pockets”. E é por isso que Tom Rosenstiel acredita que estamos a evoluir da “trust me era” para a “show me era”  (mostrar à audiência porque deve acreditar nos media) onde as notícias tem de ser apresentadas de forma diferente. Este defende que os jornalistas devem dar provas do seu trabalho e serem mais transparentes na forma como dão as notícias.

Já a história dos media prova que as pessoas pensavam que quando a câmara foi inventada, a pintura ia desaparecer e que quando a rádio surgiu, os jornais também iam desaparecer. O mesmo com a televisão mas nada disto aconteceu. Estes meios adaptaram-se e especializaram-se naquilo que são bons e que os diferencia dos restantes. Tom Rosenstiel ainda refere que a tecnologia está a formar novas audiências de notícias que provavelmente não consumiria notícias nos formatos antigos. Este dá como exemplo a idade média de um leitor de jornais (que ronda os 54 anos) em comparação à idade de um leitor que usa dispositivos móveis que ronda os 37 anos.

Portanto sim, a tecnologia transformou o jornalismo e criou novos recursos através do quais o jornalismo só pode beneficiar. Seja através do “crowdsourcing” ou do “open journalism”. O desafio está em valorizar a actividade jornalística como uma profissão que se distingue por exigências éticas, cruciais para o exercício de um jornalismo com qualidade. Nas palavras do orador, “during a hurricane, citizen photographers can be many more places then the journalists in any one news organization ever could. But when the terrorist suspect in Boston has been interrogated we may need profissional journalists with sources to find out what’s going on in that room”. Então agora a questão que se segue é outra: “Who will pay for quality journalism?”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Rosenstiel, Tom; Kovach, Bill (2005) “Os elementos do jornalismo: o que os profissionais do jornalismo devem saber e o público deve exigir”, Porto Editora, Lisboa
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