Snapchat: O jornal do futuro

Em junho de 2014, o responsável pelas redes sociais do site noticioso “The Verge” decidiu criar uma conta no Snapchat em tom de brincadeira. Promoveu-o na sua conta pessoal do Twitter e era uma experiência até ter cerca de 10,000 visualizações em cada snap publicado. Foi aí que os mais futuristas abriram os olhos e viram a potencialidade desta rede social. E no início deste ano, o Snapchat lançou uma nova secção apelidada de “Discover” que reune “jornais e revistas que parecem vir do futuro”. Será o Snapchat o jornalismo de futuro?

CNN, MTV, Cosmopolitan, Daily Mail, B/R, Food Network, National Geographic, Vice News, Yahoo News e Fusian são os onze media presentes no Snapchat com um espaço totalmente pertencente às suas marcas editoriais. Estas podem publicar conteúdos de informação e entretenimento para os mais de 100 milhões de utilizadores do Snapchat. Cada um é responsável por publicar notícias e atualizar, a cada 24 horas, o seu espaço com conteúdo editorial, seja através de vídeos, fotografias, infografias ou artigos.

Os conteúdos são didáticos, apelativos e informativos. Três características que se juntam à interatividade, instantaneidade, ubiquidade e personalização fundamentais para um bom aproveitamento de todos os recursos multimédia característicos de um jornalismo de rede e para a rede. Os títulos são curtos e as notícia breves. Para além disso, esta plataforma ainda armazena num único sítio as notícias daqueles que nos são próximos (como amigos e colegas) e as notícias do dia.

Segundo Trushar Barot, editor da BBC e da Global News, “o Discover altera a visão de todos os meios de comunicação social ao obrigar-lhes a repensar na forma como os conteúdos funcionam nos dispositivos móveis”. Ou não teriam como objetivo  cativar a atenção de um público mais jovem através da plataforma. Aqui não é o número de visualizações ou partilhas que conta mas o conteúdo de vários editores e artistas. Ironicamente, esquece-se a definição de “popular” e valoriza-se a confiança dos leitores para com os meios de comunicação. Acabaram-se os títulos interrogativos, os vídeos virais e as notícias sensacionalistas que encontramos no Facebook. Meio caminho andado para a prática do tão aclamado jornalismo de qualidade em pleno século XXI. E se assim for, instalem todos esta aplicação: ainda há esperança para a sobrevivência da cobertura jornalística em tempos de euforia mediática.

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