Jura? Agora posso ser substituído por um robô?

Que o mundo informático estava avançado já tinha percebido e notado. As mudanças são plausíveis de alguma perplexidade em várias áreas da sociedade. Mudanças essas que no mundo da saúde também são verificáveis e muitas delas louváveis, que de uma forma ou de outra representam melhorias significativas nos cuidados de saúde. Acho que deve existir um desenvolvimento tecnológico, mas que este não sirva para despedimentos contínuos e, consequentemente, maus tratamentos médicos. Muito se especula sobre’ a forma como vai ser o futuro da medicina. Haverão médicos para tratar os pacientes? Ou serão meramente robôs a tratar dos doentes, como em muitos filmes de ficção cientifica? Se pensarmos internamente será que conseguiríamos submeter-nos a uma análise clínica com uma “lata de metal”? Não descredibilizo a importância destas máquinas, mas na minha opinião as mãos humanas ainda continuam a ser muito importantes. O que seria um robô fazer uma cirurgia, uma transplantação? É à luz dos nossos dias uma probabilidade ainda muito reduzida mas poderá acontecer daqui a uns anos. Será bom, será mau? Não sei, só o tempo dirá, aquilo que para já posso dizer é que acho a presença de um médico crucial. Se um robô servir como auxilio, ah ok tudo bem, mas caso contrario não concordo que um robô possa ser comandado por um iPad e com isso fazer um diagnóstico.

A minha opinião surge com base no artigo publicado na revista globo quando dizem que os “Robôs-médicos que andam sozinhos podem ser o futuro da medicina”. No interior do artigo pode ler-se que “as máquinas podem ser controladas à distância, por meio de um iPad. Através de um monitor instalado na parte de cima do robô, paciente e médico mantêm contacto visual, aspecto considerado crucial para um diagnóstico minimamente decente. Por outro lado, sua câmara conta com um zoom que aumenta a imagem em até 120 vezes. O dispositivo pode baixar imagens, artigos científicos e outras fontes de conhecimento em poucos segundos, além de oferecer a chance de especialistas e autoridades em determinadas áreas darem palestras e treinamentos à distância para equipes de outros hospitais”.

Desta situação muito em particular, podemos estender esta mudança tecnológica a outras áreas da sociedade. A tecnologia é bom em muitos pontos, mas como em tudo na vida também é má em muitos outros. Por exemplo, há cada vez mais jovens que através de um iPad, computador ou telemóvel optam por falar com pessoas sem contacto físico. Esta falta de conversações pessoais torna e está a tornar jovens cada vez menos preparados para as relações sociais, mais tímidos, mais receosos, mais deprimidos. Tudo isto faz com que as pessoas não tenham confiança em si próprios e isso vai afectar a sua vida profissional.

Esta é uma de muitas consequências indirectas do desenvolvimento da tecnologia. À semelhança daquilo que mencionei acima na área da saúde parece que o papel do robôs pode estar a tornar-se viral e capaz de chegar a todas as áreas como é o caso do jornalismo.

Sim, alguma vez nada vida pensei que podia ficar em casa a ver televisão, a ouvir música e o meu robô está a trabalhar por mim na redacção. Meu robô? Talvez seja mais uma tentativa para diminuir a redacção em número e também em qualidade.

Narrative Science, empresa norte-americana, quer substituir os jornalistas por robôs. A empresa pretende que com a tecnologia desenvolvida o software seja capaz de escrever textos sem necessidade de um jornalista e muito mais rápidos. Segundo a empresa este robô consegue publicar um artigo sobre dados estatísticos que vão desde a economia ao desporto. Por exemplo no final de um jogo de futebol este software consegue publicar um artigo sobre o jogo quase de forma imediata quando o árbitro dá o apito final.

“Transformamos informação em conteúdos editoriais. A nossa tecnologia produz novas histórias, títulos e mais, em grande escala e sem escrita ou edição humana”, diz a empresa Narrative Science.

António Granado, jornalista e docente na FSCH, que integrou o projecto de jornalismo computacional REACTION, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, refere em entrevista ao Expresso que “os robôs-jornalistas são um software capaz de extrair automaticamente informação de tabelas ou de bases de dados e, a partir deles, ‘escrevê-los’ em forma de notícia”.

Estes robôs vêem colocar em cima da mesa várias questões sérias em volta do jornalismo. Serão estas máquinas capazes de substituir um jornalista numa investigação? Como irão fazer para contactar fontes? No momento de decidir aquilo que é ou não é ético o robô será capaz de discernir o correcto? Enfim, são algumas questões que me surgem na cabeça e poderão também suscitar a quem lê o artigo e acima de tudo para quem é jornalista. Este é um processo ainda embrionário mas já se consegue perceber aquilo que irá acontecer. É tudo muito bonito quando estas tecnologias surgem, mas depois quando vamos analisar a sua aplicabilidade e as consequências que estão por detrás delas já é tarde para reparar os danos. Tudo bem que estes robôs poderão vir a ser uma forma de ajuda ao jornalista que no meio de tanta informação disponível consegue sintetizar e depois escrever uma notícia. E os jornalistas o que fazem? Ficam sentados a ver o robô de forma autónoma trabalhar? Aquilo que na minha opinião poderá vir a acontecer é o jornalista tradicional ser descartado como se de papel se tratasse. Ridículo não é? As empresas principalmente as dos media estão a viver momentos complicados e esta mais valia robótica é a luz dos olhos dos proprietários que vêm aqui um motivo claro para despedimentos em massa.

António Granado refere algumas destas questões na sua entrevista ao Expresso dizendo que “há cuidados a ter e questões éticas que se levantam. A credibilidade e confiança nas instituições jornalísticas podem, por vezes, sair abaladas deste novo quadro, pelo que a introdução destes robôs no jornalismo não deve ser feita sem se levantar algumas questões. Se um robô repete o que lê noutros locais sem confirmar nada, então a tarefa de autenticação que atribuímos aos jornalistas desaparece. E se alguém entrar na base de dados onde os robôs vão ler as informações e as modificar? De quem é a culpa de difusão de informação errada?”.

Que a tecnologia evolui não podemos desmentir, agora criar máquinas para substituir pessoas acho lamentável e depurável. No jornalismo aprecio o ideal romântico do jornalista com o seu caderno e a sua caneta para recolher os dados.

Links: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI338252-17770,00-ROBOSMEDICOS+QUE+ANDAM+SOZINHOS+PODEM+SER+O+FUTURO+DA+MEDICINA.html

http://expresso.sapo.pt/robos-a-escrever-noticias-para-onde-caminha-o-jornalismo=f899262

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