Previsões para o jornalismo no futuro

Como será o jornalismo no futuro? O que podemos esperar para 2015? Perguntas simples que envolvem respostas complexas e suscitam a curiosidade de quem acompanha a realidade mediática contemporânea. Será que os jornais impressos vão desaparecer e o Facebook vai ser a principal fonte de notícias? Ou será que vamos assistir a um crescimento abrupto do jornalismo participativo e ao surgimento de meios de comunicação unicamente concebidos para serem acedidos através de smartphones? Questões que Nic Newman decidiu dar resposta no seu recente artigo “Media, journalism and technology predictions 2015”.

Na sua opinião, este ano vem carregado de grandes desafios para os meios tradicionais onde estes serão obrigados a focarem-se mais nos seus consumidores. Os anunciantes, preocupados no que irão investir no futuro, vão encontrar nas redes sociais, no formato vídeo e mobile a próxima aposta. E é assim que os media digitais vão crescer globalmente e atingir históricos nunca antes vistos. Por outro lado, acresce um aumento da publicidade e de conteúdos patrocinados. O autor dá o exemplo do Buzzfeed que está na vanguarda da mudança. Para além dos tradicionais banners, esta plataforma incentiva os seus leitores a partilharem os conteúdos. Surge assim o termo “social advertising”. Então, a tendência surge em tornar os anúncios mais parecidos ao conteúdo.

Outra tendência passa pelos vídeos de notícias online. Os meios de comunicação têm vindo a experimentar publicar conteúdos em formato vídeo e assim continuará. Isto deve-se, evidentemente, aos dispositivos móveis que continuam a incentivar o consumo de diferentes tipos de conteúdo. Por exemplo, o The New York Times duplicou a sua equipa multimédia no último ano e agora contam-se cerca 60 pessoas responsáveis pelos vídeos. Já a BBC tem experimentado criar pequenos vídeos para o Instagram com o objetivo de atrair uma audiência mais jovem.

“Explainer journalism” é um novo termo mas também não passa despercebido. É um tipo de jornalismo emergente, através de meios como o Vox e FiveThirtyEight, que preferem explicar em vez de comunicar a notícia. Isto é, fornecem uma análise e contextualização que se revela mais profunda. A nível nacional, temos o “Explicador” do Observador por exemplo. A nível internacional, destacam-se o The Telegraph e o Wall Street journal que responde a questões como “O que é Alibaba?”. Em último lugar, Nic Newman ainda prevê que 2015 será o ano em que o Facebook aumenta a sua influência. Esta rede social está a mudar a forma como as pessoas consomem notícias e o futuro do jornalismo passa pelo Facebook. Aqui, o autor apela à formação de novas equipas especializadas na publicação de conteúdos em redes sociais e sugere à utilização de novas ferramentas nas redações que orientem o trabalho dos jornalistas.

E é assim que se prevê que o futuro do jornalismo irá rondar à volta de um único algoritmo. O chamado “EdgeRank”. O algoritmo que determina em que ordem aparecem as notícias no nosso feed do Facebook e, consequentemente, as notícias que chegam (ou não) aos leitores . Isto independentemente de valores-notícia como a relevância, atualidade, proximidade ou notoriedade. Por outras palavras, o jornalismo está entregue a um algoritmo caracterizado por resolver um problema de forma procedural a partir de padrões e regras. Salvos estejam Nelson Traquina e Pierre Bourdieu.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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