A Rádio está a morrer? Sim ou Não?

Que a rádio está a mudar já nós sabíamos. Estará a mudar para melhor ou para pior? Eis a questão que muitos investigadores tentam analisar com alguma minucia. Será que a rádio está a caminhar para o sítio certo ou a “cavar” a sua própria sepultura?

Quando falo em radio não falo, necessariamente, da área da informação, mas também da área do entretenimento. Há uma larga distância entre o entretenimento e a informação. Aliás ambas as áreas não se podem cruzar profissionalmente. Uma coisa é informação outra coisa é entretenimento. Da área da informação já dei vários exemplos de como a rádio tem desenvolvido mecanismos para ser um órgão de informação presente e activo na actualidade noticiosa. Hoje, neste comentário semanal, vou abordar uma das minhas áreas preferidas e aquela que move a minha vontade insaciável pela rádio que é o entretenimento. Lembro-me, tinha eu 11 anos, quando comecei a fazer rádio a forma como se fazia “magia” era completamente diferente daquela que se faz hoje. Poucas foram as diferenças existentes em 8 anos. Talvez dizer pouco é uma redundância porque a rádio deu aos olhos de muitas pessoas um salto de gigante, ao nível tecnológico como também ao nível dos modelos de comunicação.

Durante três dias Milão recebeu aquele que é o maior evento de rádio na Europa – Radiodays Europe – “três dias que reúnem conferências e debates, bem como uma exposição e programas de rádio realizados para várias estações em toda a Europa. 1.370 participantes de 60 países, 50 sessões, 100 oradores, cinco milhões e meio de posts nos sites de redes sociais e um alcance (reach) online de mais de sete milhões de pessoas. Cinco anos depois da primeira edição, o Radiodays Europe é objetivamente o maior evento de rádio na Europa, com operadores e organizações parceiras em diferentes países. Ser o maior em dimensão não significa que seja o melhor mas, no caso, também o é. No Radiodays Europe encontramos uma programação diversificada que procura dar resposta às principais necessidades de formação e informação da indústria europeia de radiodifusão. E estas, não se limitam à rádio. Os sites de redes sociais, aplicações móveis e a integração do vídeo na comunicação radiofónica são os temas mais relevantes do Radiodays”, artigo http://observador.pt/2015/03/20/radiodays-europe-2015-paula-cordeiro/

Quando comecei, embora tenha-o feito num meio local, a forma de fazer rádio ainda era muito arcaico. Digamos que o leitor de cd´s era o elemento estético mais importante do estúdio de rádio. Talvez noutras estações de rádio também o tenha sido. O estúdio tinha a tradicional cortiça que servia de isolamento, uma mesa de mistura completamente ultrapassada, dois leitores de cd´s, um transmissor da Rádio Renascença, um computador que debitava músicas do tempo da avó e e e um vinil. Sim, ainda existia um vinil no estúdio. Se me assustava esta falta de modernidade? Não, aliás só o cheiro quando entrava em estúdio me contagiava logo. O meu propósito não era observar os equipamentos, embora tivesse que os utilizar para compor o meu programa, mas aquilo que era mais importante naquele momento era abrir o microfone e entreter o meu público.

“Numa das sessões mais comentadas, Ben Cooper (Radio One) afirmou a morte da rádio e, enquanto uns vaticinam o seu fim, outros reiventam-na (Sam Cavanagh, Southern Austereo) ou arregaçam as mangas (Anna Sale, WNYC) para testar aquilo que os habituais treinadores de bancada não se cansam de afirmar”, artigo do Observador.

Aquilo que é importante é saber utilizar os matérias que temos à nossa disposição e fazer o melhor que conseguirmos. É claro que em 8 anos de casa, a rádio, pelo qual ainda sou a voz principal da estação, evoluiu. Em boa parte graças aos subsídios provenientes do Estado, mas o que é certo é que evoluiu. Hoje quando chego ao estúdio vejo dois monitores com o software da programação, um microfone condensador, uma televisão LED e uma mesa de mistura DIGITAL. Aquela “morte” que Bem Cooper afirmava talvez estivesse relacionada com este factor do digital. Tudo é digital. Para poder frequentar o mestrado em Lisboa nas quintas e nas sextas-feiras eu consigo, graças aos computadores, gravar os meus programas sem que se pareça um programa gravado. Consigo até fazer isto: “Muito Boa Tarde, são 16:17 esta foi uma informação foi oferecida por ….”. Isto era impensável fazer antigamente. Eu consigo dizer a hora no exacto momento que a vt – Voice Track – vai para o AR. Estes mecanismos criam alguma dependência e no meu ponto de vista nefasta para a continuação da magia radiofónica. As novas gerações não vão conseguir perceber isto. Ah já me esquecia os iPads também começam a ser ferramentas crucias no desenvolvimento desta modernização. Durante o meu programa recorro com regularidade ao iPad, seja para controlar a emissão ou para receber conteúdos do programa.

Se me perguntarem se a rádio morreu eu respondo que não. Posso dizer que está fragilizada com a mudança para o digital, mas nada como a força, a persistência em mudar as mentalidades não o consigam fazer. É certo que os jovens preferem ouvir as suas próprias playlist´s no smartphone, ipad ou mp3, mas mais dia menos dia vão perceber que a voz que está do outro lado tem muita força. Há obviamente pela frente um grande trabalho que deve ser feito pelas rádios. Os modelos arcaicos devem ser colocados de parte. A voz grossa e dura no meu entender já não cola e aliás repudia os ouvintes. Deve sim existir uma voz doce, cativante e acima de tudo que consiga prender o ouvinte ao rádio!!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s