A “lealdade” à ética jornalística

Hoje a palavra de ordem é ética. Porquê ética? A ética é inerente à profissão jornalística e não só como a ética dos médicos, dos advogados e por aí fora. É importante repensarmos no conceito de ética, porque me parece em meu entender que está um pouco esquecida. Como todos sabemos o jornalismo vive de enquadramento ético, moral e deontológico, que se pode dividir em Ética dos Media, Ética da Informação, Deontologia do Jornalismo tudo isto são áreas que comprometem a actividade jornalísticas. Quando acabamos de tirar o curso de jornalistas temos como missão mostrar aquilo que se passa sob o ponto vista ético e moral. É claro que temos uns óculos especiais que conseguimos filtrar muito melhor a informação que um cidadão normal, mas há que filtrar e saber dar a informação de uma forma também ela correta. Nós por exemplo não podemos receber uma denúncia anónima de um individuo X ou Y que se queixa do presidente de Câmara e no momento a seguir interrogar o autarca com base em depoimentos anónimos. Até podem ser verdade, mas cabe então ao jornalista investigar e se isso se vier a confirmar aí partiremos para a argumentação com o presidente. Este é apenas um exemplo de como o jornalista deve ser fiel aos seus pensamentos e à ética da profissão. Nós não podemos ter à força um exclusivo sem na verdade termos um exclusivo, é importante que haja sempre alguma ponderação e reflexão perante os acontecimentos que um jornalista enfrenta ao longo da sua vida profissional.

Em caso de dúvida perante algum acontecimento o jornalista deve consultar o Livro de Estilo do seu órgão de comunicação e aí adoptar a melhor forma de escrever e elaborar a sua notícia seguindo regras deontológicas e estilísticas. Por falar em deontologia, o jornalista deve por isso reger o seu trabalho de acordo com o código deontológico, porque é através dele que assegura os seus direitos e também deveres. O jornalista, por exemplo, não deve revelar fontes que tenham informações confidenciais, deve existir o direito à verdade, deve-se respeitar o respeito pela vida privada das pessoas e não se deve utilizar métodos desleais da procura de informação.

Chegámos à palavra que eu também esperava escrever – desleal – será que é problema do “des” ou do “leal”, um ou outro tem problemas com a seriedade. Não estão a perceber, pois não? Certo é que isto é uma crónica e tem o meu cunho pessoal, a minha opinião, daí estar a ironizar a palavra “desleal” que por si só já tem uma conotação negativa. Há bem pouco tempo foi difundida uma reportagem com o nome “1 hora e 35 minutos” que muito desprestigia a profissão jornalística como também os grandes profissionais desta área comunicativa. É uma reportagem de Ana Leal com imagem de Romeu Carvalho e edição de João Pedro Ferreira que retrata o caos nas urgências. Segundo o site da TVI 24 pode ler-se que “Depois do caos nas urgências durante o pico da gripe, os principais problemas que levaram ao congestionamento dos hospitais mantêm-se de norte a sul do país. Há falta de médicos e enfermeiros que chegam a acumular 300 horas a mais de trabalho. Durante um mês, a jornalista da TVI, Ana Leal, e o repórter de imagem, Romeu Carvalho, infiltraram-se em 15 hospitais.  As filmagens foram feitas em dias diferentes e mostram-lhe um cenário de quase terceiro mundo. Macas amontoadas pelos corredores, doentes que esperam horas para serem observados por um médico. Há hospitais onde chega a faltar papel, roupa, fraldas e detergente para as mãos”. Não critico o conteúdo da reportagem até porque é bem verdade em alguns centros hospitalares espalhados pelo país. Aquilo que critico é a forma fria, desmedida, inescrupulosa de retractar um assunto dantesco e real. Esta reportagem merece uma boa reflexão para os limites éticos e deontológicos. Captar imagens sem autorização e no mínimo medíocres deviam ser repensadas e até denunciadas pelos jornalistas. Como eu disse anteriormente não vale tudo na guerra por um exclusivo, devemos ser nós próprios e honrar os compromissos que estabelecemos para com a comunidade, porque afinal de contas estamos a contar histórias de pessoas para pessoas.

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/reportagem/reporter-tvi-na-integra-caos-nas-urgencias-mesmo-depois-da-gripe

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