Códigos de conduta para jornalistas nas redes sociais: sim ou não?

Na última sexta-feira fui a uma entrevista e uma das primeiras coisas que me perguntaram era o porquê de ter todas as minhas redes sociais (como o Twitter e o Facebook) completamente privadas. Ora bolas, é assim tão difícil de perceber? Em primeiro lugar, não há nada que preze mais do que a minha privacidade (que muitas vezes pode ser confundida com antipatia mas não importa). E em segundo lugar, tenho medo de dar uma opinião que seja mal interpretada. Ou não seria eu uma pseudo-jornalista que tem mais de jornalista do que pseudo por ver na objetividade e imparcialidade dois critérios para a vida.

A reação à minha resposta foi quase automática. Afinal de contas um franzir de testa nunca mentiu a ninguém. “Mas pelo menos deve manter públicas as publicações que divulgam o seu trabalho como jornalista”. Pronto, aqui admito que tem razão. E quando, passado umas horas, comecei a tratar disso é que me deparei com uma notícia intitulada “vêm aí regras para os jornalistas nas redes sociais”. E já vêm tarde. O que me custa a acreditar é que só em 2015 é que os meios de comunicação social portugueses começaram a discutir as primeiras regras de conduta no sentido de “regular a actividade dos seus jornalistas nas redes sociais”. Esta discussão pública não é nova e meios como “New York Times”, o “Guardian” ou o “Washington Post” já criaram códigos de conduta para os seus jornalistas. Agora é a vez da SIC, TVI, Diário de Noticias e Expresso. Já a RTP como a estação de televisão pública “promete debater o assunto primeiro”.

Mas o que me custa mais a acreditar é que, até agora, os profissionais portugueses não tinham noção de que a sua profissão não é das 9h às 17h mas uma forma de estar na vida que inclui responsabilidades e uma bagagem de obrigações profissionais que qualquer outra profissão não requere. Para além de levarmos a imparcialidade para casa, estarmos sempre à procura das histórias, olhamos para elas de outra perspetiva e começamos a fazer perguntas mesmo antes de nos apercebermos que o estamos a fazer. Não, não é aquela necessidade de controlarmos a vida dos outros mas uma insaciável curiosidade do desconhecido.

Se a liberdade de expressão dos jornalistas fica condicionada? Não. Tal com uma cabeleireira não anuncia na montra os penteados que não gosta porque o seu trabalho é agradar a vontade do cliente, um jornalista também não deve anunciar ao mundo que não gosta de uma figura pública e perder a sua imparcialidade. E quando digo “mundo” refiro-me ao seu sinónimo “internet”. Inocente é aquele que não valoriza o seu poder superior a qualquer outro media atual.

Cabe aos jornalistas manterem plataformas pessoais e profissionais de forma a não colocarem em causa a ética jornalista do seu meio e evitarem polémicas de rigor, objetividade e imparcialidade. Se estes novos códigos de conduta não os agrada, não há problema. Há uma nova geração desempregada com uma visão futurista pronta a substitui-los no seu cargo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Nobre, Adriano (2015) “Vêm aí regras para os jornalistas nas redes sociais” em http://expresso.sapo.pt/vem-ai-regras-para-os-jornalistas-nas-redes-sociais=f917303
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