Mês: Maio 2015

Top nacional das redes sociais

Por curiosidade consultei o website Social Bakers e decidi ver qual o top de seguidores dos media portugueses. Esta plataforma funciona como um contador estatístico de várias redes sociais, dando a hipótese ao utilizador de consultar o alcance de determinada página, em determinado país. É uma pesquisa interessante que pode ser utilizada em vários trabalhos, mas também pelas empresas que podem comparar-se com os seus concorrentes.

Focando a pesquisa apenas no Facebook, com as variáveis ‘media’ e ‘Portugal’ percebe-se que a Playboy Portugal Magazine está em primeiro lugar, a Rádio Comercial em segundo e o Jornal de Notícias em terceiro. Sendo que todas têm mais de 1 milhão de ‘gostos’.

No Twitter, aparece em primeiro lugar o El País Deportes (que não é português), em segundo a SIC e em terceiro a RTP. O número de seguidores não ultrapassa os 500 mil, sendo que os canais generalistas têm perto de 300 mil.

No Google+ a informação generalista ganha destaque. O top três é constituído pelo Jornal de Notícias, pelo Jornal i e pelo Observador, em primeiro, segundo e terceiro lugar, respetivamente. Os números não ultrapassam os 6 mil seguidores.

Por último, no Youtube a RTP, o CanalOficialTVI e a Rádio Comercial são os três primeiros. Sendo o canal da RTP o único que é seguido por mais de 200 milhões. Enquanto a TVI é seguida por cerca de 72 milhões e a Rádio Comercial por 42 milhões.

Assim podemos concluir que a preferência dos portugueses nas redes sociais não vai apenas para a informação, havendo uma grande quantidade de seguidores em página de media de entretenimento. O Social Bakers dá ainda a hipótese de especificar que tipo de media queremos procurar. ‘Blog’, ‘Media house’, ‘News’ ou ‘Online Media’ são algumas das variáveis em que o utilizador pode clicar e explorar mais.

Link consultado:

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Fotojornalismo nas asas do Condor

joao pina fotojornalismo

Onde está o fotojornalismo português?

João Pina será um dos nomes que mais se tem falado. O fotojornalista retrata a Operação Condor num livro lançado em Fevereiro. «Condor – o plano secreto das ditaduras sul-americanas» é o resultado de quase dez anos de trabalho na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, sobre o massacre das ditaduras sul-americanas nos anos 70 e 80.

As fotografias são um «tributo à memória das vítimas da Operação Condor, um plano militar secreto instituído em 1975 por seis países latino-americanos, governados por ditaduras militares de extrema-direita, para eliminar a oposição política.»

O vazio da morte de cerca de 60.000 pessoas é retratada por João Pina num estilo intimista, direto e incomodativo – uma expressão a preto e branco do belo horroroso que alerta para as consequências de um massacre pouco explorado.

Este livro está esgotado, mas será caso único de sucesso? Que outros fotojornalistas têm tido o devido reconhecimento nos dias que correm?

Uma pesquisa rápida revela que os primeiros artigos referentes ao fotojornalismo português datam de 2010. Paulo Pimenta foi o vencedor do Grande Prémio Internacional de Fotojornalismo, enquanto o fotojornalista Nelson Garrido do Público venceu na categoria Notícias.

Não será a fotografia uma componente essencial do jornalismo? Será necessário publicar um livro para o fotojornalismo ser valorizado?

Referências:

Uma app para ganhar eleições?

Blerim Bunjaku é um jovem muçulmano de origem albanesa que se candidata para as próximas eleições na Suíça por um partido evangélico. Se esta ideia não é suficientemente caricata atentem no seguinte: Blerim Bunjaku tenciona ganhar as eleições com uma app.

A ideia é combater a abstenção e motivar a ida às urnas. Bunjaku acredita que é esta iniciativa que o distingue dos restantes candidatos.

«Eu sou o primeiro político do país com um aplicativo no App Store e que tenta, através desse canal mais moderno, de politizar. Hoje em dia as pessoas “vivem” literalmente o seu celular, ou seja, elas passam 24 horas por dia com o aparelho. Por isso acredito que chegou a hora de refletir alguns instrumentos, inclusive mesmo o do ato de votar.», lê-se na entrevista publicada na swissinfo.ch

Na sua app, Bunjaku comunica os seus valores e objetivos, o que acredita permitir um contacto mais direto com o público. A app tem uma secção de notícias, um calendário para as eleições, e um polémico «questionário para se tornar suíço».

Inspirado no filme «Fazedor de Suíços de Rolf Lyssy, um sucesso de bilheteira de 1978,  Bunjaku decidiu desafiar os utilizadores a medir até que ponto eles são suíços. O questionário é semelhante aos testes de naturalização da Suíça. O feedback foi positivo. Bunjaku recebeu comentários de muitos suíços, alguns que até admitiam não conseguir acertar todas as questões! O questionário acaba por ter uma ação pedagógica uma vez que aborda os modelos políticos suíços e outros assuntos difíceis de tratar.

Se for eleito, Bunjaku pretende utilizar a app como ferramenta para ouvir a população – servirá para fazer sondagens sobre como preferem que ele vote um determinado assunto no parlamento – e também para entrar em contacto com os utilizadores, por exemplo, através de notificações push. «Para mim o importante é ser a voz do povo. A minha própria opinião não importa, mas sim a dos meus eleitores. Eu quero saber o que as pessoas sentem falta. E para isso, as novas mídias são o instrumento ideal», explica na entrevista.

Para este jovem político, a tecnologia pode ser a solução para combater a abstenção. A 14 de Junho saberemos quais serão os resultados das eleições, e se a app de Blerim Bunjaku tem o efeito pretendido.

Referências:

Swiss Info inova com a iniciativa “Democracia Direta”

No âmbito do Fórum Global da Democracia Direta Moderna em Túnis, o parceiro de media oficial SWI swissinfo.ch lança um Dossiê da Democracia Direta.

Sob o lema «Povo. Participação. Poder.», o portal está disponível em: www.swissinfo.ch/democraciadireta (na versão em português) e foi também lançada uma plataforma parceira em inglês, a People 2 Power.

São várias as versões do portal, nomeadamente: inglês, francês, alemão, espanhol, português, japonês, chinês, coreano, tailandês e malaio. O objetivo é reunir políticos, investigadores, jornalistas e promotores da democracia de todo o mundo. Para tal, a iniciativa pretende criar pontes entre  indivíduos e organizações nas categorias: cidadãos ativos, democracia participativa, iniciativas locais e sociedade civil.

Este modelo integra várias plataformas distintas (website, fórum, hashtags, Twitter, Facebook, Youtube, galerias de fotografia, …) para alcançar o mais número possível de pessoas, incentivando à participação, partilha, crítica e reflexão.

Apesar de estar aplicado a um tema muito específico, a política, não deixo de considerar que esta será uma receita válida para outros assuntos em debate. Um modelo replicável pelos media nacionais e internacionais, tanto em iniciativas próprias, como em parcerias; podendo ser utilizado para temas como política, economia, solidariedade social, para fazer a cobertura de eventos desportivos, ou mesmo para acompanhar um referendo, entre outras possíveis adaptações.

Referências:

Arizona Storytellers

Talvez todas as grandes ideias nasçam de uma experiência. É o caso dos Arizona Storytellers.

Há quatro anos, Megan Finnerty decidiu arriscar e organizar uma noite de open mic journalism. Num ambiente intimista, o objetivo era juntar colegas do The Arizona Republic, e convencê-los a partilhar as suas histórias. Reunidas 70 pessoas, Megan sabia que teria de entrar em palco para conseguir compor uma equipa coesa de storytellers.

Hoje, os eventos esgotam e com a participação de 150 a 250 pessoas são raras as noites em que Finnerty é chamada ao palco para compor o cartaz da noite.

It’s a program that takes some lessons from the rise of popular storytelling series like The Moth or Mortified, which invite everyday people in to share their — sometimes heartwarming, other times hilarious — personal tales.

Este pequeno projeto experimental é atualmente uma das principais ferramentas de bonding entre o The Arizona Republic e o público. As receitas de bilheteira são suficientes para cobrir todos os custos dos 16 eventos anuais e ainda algumas despesas do jornal.

The Arizona Republic descobriu uma receita para criar laços com o público e parceiros. Os eventos dos Arizona Storytellers nasceram de uma experiência incerta e transformaram-se numa inteligente jogada de Relações Públicas para o jornal.

Media companies around the world are busy developing event strategies on all levels, and while Arizona Storytellers has helped the Republic create new lines of revenue, it has also created stronger ties to the community. The program has not only put the paper in front of new audiences, but created new relationships with businesses, the local NPR affiliate, and the local community college.

O mais importante é que este projeto recorda-nos que o jornalismo funciona em duas faces que não se podem desenlaçar: a perspetiva empresarial em que é importante atentar aos fatores económicos do jornalismo, e a perspetiva fundamental do jornalismo que se sustenta no storytelling mais genuíno possível. Esta simbiose é quase paradoxal no sentido em que a perspetiva empresarial se alimenta da genuinidade do storytelling e que este último consagra o aspeto empresarial do jornalismo.

Referências:

A Estrada da Revolução

Este livro é a aventura de três amigos pela Primavera Árabe. No início de 2012, o jornalista Tiago Carrasco, o repórter de imagem João Fontes e o fotógrafo João Henriques embarcaram nesta viagem quando decidiram perceber «Como nasce uma revolução?» A crise que afundou Portugal inspirou-os e partiram de Istambul de transportes públicos para chegar ao «berço da Primavera Árabe», passando por dez países do Médio Oriente e Magreb: Líbia, Egipto, Tunísia, Turquia, Líbano, Jordânia, Israel, Argélia, Marrocos e a «proibida» Síria.

A Estrada da Revolução é um modelo de jornalismo desafiante, pois através de crowdfunding e patrocínios, os três jornalistas tiveram de organizar a viagem de forma a testemunhar o extremo do mundo árabe. O objetivo era conseguir um retrato fiel do povo anónimo e sem voz.

Desta viagem, nasceu um livro, escrito por Tiago Carrasco e um documentário realizado por Dânia Lucas, com argumento de Tiago Carrasco e João Fontes. A produção ficou a cargo da beActive e as parcerias com o semanário Sol e com a Oficina do Livro contribuíram para a expansão do projeto.

A Estrada da Revolução é uma prova de que o jornalismo não tem de ser difundido através dos canais mais comuns, e que uma boa organização pode resultar num projeto jornalístico economicamente sustentável. É sempre necessário equacionar os riscos e benefícios, no entanto, o interesse do público é a primeira prova de que um modelo jornalístico possa ser comerciável.

Talvez o longform journalism não tenha de estar morto e possa até ser rentável:

«Nunca irei saber se o Johnny impossibilitou a recolha de provas sobre os crimes que devastavam a Síria ou se me salvou a vida.» (pp. 116 – 117)

«Não tínhamos dinheiro. Ora aí está uma coisa que os apóstolos de Antakya deviam ter imortalizado no Evangelho: não se deve chegar às portas da guerra sem dinheiro. É uma atitude que a guerra não preza e, já se sabe, não é senhora de aceitar fiado. Como na guerra se mata e morre tão facilmente, as regras são cobrar o máximo possível e não aceitar dívidas. Como se não houvesse amanhã.» (p. 82)

«Assim, até ao último passo, ao último aceno, ao último beijo à pessoa pela qual não podemos morrer: “Está descansada. Prometo. Não vamos à Síria.” E o virar de costas com o coração partido, também ele recíproco, porque ambos sabíamos que não era verdade.»

«Venderam a companhia de energia aos chineses? Curioso. Nós também. Têm um imposto extraordinário na factura da electricidade? Bate certo. Nós também.» (p. 150)

«Parámos diante de um hotel espelhado. Seguia-se um bloco de prédios semidestruídos. Aras anunciou: “Daqui em diante fica Tarlabasi, o honrado bairro dos Curdos, dos Ciganos, dos traficantes e dos transexuais.”»

 

Nota: Tiago Carrasco, João Henriques e João Fontes já tinham documentado a travessia de África de carro, de Marrocos à Africa do Sul, a caminho do Mundial de Futebol – uma viagem que originou o livro Até Lá Abaixo.

Referências:

Video in Video: uma “app” para os jornalistas

Video in Video é mais uma daquelas invenções que pode vir a ser muito útil para os jornalistas. Criada para Iphone e Ipad, esta aplicação do IOS permite a inserção de um vídeo dentro de um vídeo – ou quanto muito, de uma imagem dentro do próprio vídeo. Para os profissionais da comunicação, poderá vir a ser muito útil dado que torna as filmagens mais envolventes.

A “app” destaca-se pelo efeito de contraste que pode ter. Os utilizadores podem criar vídeos em vários formatos e poderão utilizá-los nas mais diversas plataformas e redes sociais. Primeiro, terão a oportunidade de filmar ou tirar uma foto e esta ficará incluída no primeiro quadrado. Depois, numa caixinha mais pequena, terão a mesma possibilidade, escolhendo mediante as suas pretensões. Além do mais, quem utiliza esta “app” pode alterar o volume dos vídeos e aumentar ou diminuir o tamanho da caixa de imagem mais pequena.

Como já foi referido anteriormente, os vídeos/imagens poderão ser partilhados através do Facebook, Instagram ou YouTube. Para os jornalistas, revela-se tremendamente útil para fazer o contraste entre duas imagens, por exemplo na sequência de um desastre natural. Também para vídeos de acção ou de desporto pode ser interessante pois permite aliar vídeo à possibilidade de tirar uma foto de um determinado momento ou de fazer outro vídeo na sequência.

 

Fonte: https://www.journalism.co.uk/news/app-for-journalists-video-in-video-for-multi-video-montages/s2/a565110/