Rádio na Internet – Uma nova realidade?

Até há bem pouco tempo, a rádio foi apenas som. A internet mudou o panorama radiofónico, fundindo caraterísticas dos dois meios. Ouve-se, mas também se vê e lê: é um novo meio, hipermédia e interactivo, tal como todos os outros, jornais e televisões. As caraterísticas do novo meio – hipertextualidade, multimedialidade e interatividade – são absorvidas e potenciadas pela rádio. Há caraterísticas do velho meio que se reforçam e potenciam, outras que desaparecem ou são enfraquecidas e outras ainda que são transformadas. Depois de uma fase em que se olhou a internet como um risco para o futuro da rádio (tal como aconteceu com o futuro dos jornais impressos), a velha rádio começou a experimentar as possibilidades que o novo suporte abriu, dando-lhe uma nova dimensão e recriando o conceito de rádio.

A internet deixa de ser apenas um suporte para seguir o seu curso como um novo meio com caraterísticas e uma narrativa novas para satisfazer os desejos das novas audiências – o ciberouvinte. A rádio na internet dá-lhe uma nova dimensão e abre “uma nova via de expansão e, por consequência, reclama também a ampliação do conceito de rádio para integrar as mudanças produzidas. É um novo conceito de rádio: vê-se, escuta-se, (…) participa-se” (Herreros, 2003). Perante isto, a rádio (e os seus conteúdos jornalísticos) absorve e potencia as características da internet enquanto meio de comunicação e transmissão: hipertexto, multimedialidade e interactividade. Características que se interligam ou completam criando uma nova linguagem e uma nova discursividade. A rádio como um “produto hipermédia”, Merayo Pérez (2000).

No mundo digital, é impossível falarmos apenas de jornais impressos, rádios ou televisões, mas de um novo meio de comunicação com uma linguagem própria que incorpora as caraterísticas desses meios e com uma unidade discursiva à qual se junta a interatividade. Orihuela chama-lhe cibermeio: “Ciber’ porque usa a linguagem multimédia, porque recorre à interactividade e à hipertextualidade, porque se actualiza e se publica na rede de Internet. ‘Meio’ porque tem vontade de mediação entre a acção e o público, porque emite conteúdos, porque emprega critérios e técnicas jornalísticas. ‘Cibermeio’ porque é, antes de tudo, um meio dinâmico.” (Orihuela, 2005:40). Desde que se enquadrem nestes parâmetros, rádios, televisões ou jornais deixam de ser entendidos no sentido tradicional do termo para serem ciber-rádios, cibertelevisões e ciberjornais consoante a linguagem e o recurso multimédia predominante.

É nesta linha de pensamento que Herreros desenvolve o conceito de ciber-rádio. Independentemente da tecnologia de difusão e das plataformas, o que define os modelos de rádio são os conteúdos, e assim sendo, o conceito de ciber-rádio abarca todas as emissoras com presença na web. Herreros (2003:1) fala da ciber-rádio como um novo conceito que se vê, se escuta, e se participa e quando os conteúdos sonoros são o elemento dominante. Um conceito abrangente que se adapta aos actuais sites das rádios hertzianas e às rádios que emitem exclusivamente na web com ou sem fluxo contínuo de emissão. O som continua a ser o elemento definidor; mas não é o único, e a interactividade é agora um dos elementos que define o novo meio: “não há que associar a ciber-rádio exclusivamente ao som”, a ciber-rádio tal como os outros cibermeios “aspiram a converter-se num serviço multimédia” (2008:12:14). A ciber rádio é, então, um modelo convergente e multimédia, em que o som do modelo hertziano se mantém como elemento definidor, tal como a interactividade que é o elemento caracterizador da net. A ciber-rádio faz uma simbiose das características da rádio tradicional e da internet.

Olhando para os modelos hertzianos, Bogado (2001) conclui que a rádio decidiu “abandonar” as crianças e os jovens. Os mais jovens são o público-alvo da radio na internet e podem vir a ser os futuros consumidores dos conteúdos jornalísticos na web. “A juventude é uma grande consumidora de meios de comunicação, não como os concebem os adultos mas como eles querem, com os seus próprios objectivos e modelos” (Herreros, 2001). Nas novas audiências, nos novos usos da informação e da rádio na internet, há uma palavra-chave: interactividade. É nela que se centra a caracterização que Cebrián Herreros faz do ciberouvinte: “o que gosta da interactividade, sentir-se condutor do processo de busca e comunicação. Os jovens navegam pela música e emissoras da internet em busca de emoções sonoras fortes e surpreendentes” (2001). Uma audiência activa e que interage em comparação com a audiência passiva da rádio tradicional.

A evolução dos conteúdos e formatos da rádio na rede surge como uma resposta ou uma antecipação às necessidades e expectativas dos internautas. Da escuta online paralela à emissões tradicionais saltou-se para a criação de canais áudio, webradios ou ciber-rádios e para a criação das rádios pessoais. As webradios ou ciber-rádios (e em especial as rádios pessoais) surgem como uma alternativa para quem não se revê nos modelos que existem nas ondas hertzianas, criando o seu próprio modelo de rádio.

Fontes Utilizadas:

– Bogado, Benjamin Fernández, (2001), “La rádio como modelo de participación democrática” http://www.saladeprensa.org.art198.htm

– Herreros, Mariano Cebrián (2001a) “Expansión e incertidumbres de la radio”, revista Telos, nº51 in http://www.feyalegria.org/images/office/La%20radio%20est%C3%A1%20en%20un%20proceso%20de%20cambio%20%20_2580.doc

– Herreros, Mariano Cebrián (2003) “La rádio en Internet”, in http://www.nebrija.com/eventos/dca/ciberperiodismo/Ponen_Cebrian_12-03-03.pdf

– Merayo Perez, Arturo (2000) “ Formación, nuevos contenidos y creatividad sonora: apuestas para un tiempo de incertidumbre tecnológica” http://www.unav.es/fcom/jornadas2000/Comunicaciones/arturo14.htm

– Orihuela, José Luis (2005) “Cibermedios, el impacte de Internet en los médios de comunicación en España” org. Ramón Salaverría, Comunicación Social Ediciones y Publicaciones, Sevilla

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