Internet continua a dominar… mas só se não se pagar!

A ERC divulgou, a 19 de maio, o primeiro relatório do projeto ERC – Públicos e Consumos de Média que tinha por objetivo central analisar a evolução dos consumos de média em Portugal. A primeira edição do projeto privilegiou a análise dos consumos de notícias em plataformas digitais. O estudo centrou-se em onze tópicos principais: 1 – Internet e Interesse por notícias; 2 – Consumos de notícias; 3 – Notícias e Dispositivos; 4 – O visual e os formatos de consumo; 5 – Pagar por notícias online; 6 – Imparcialidade e credibilidade; 7 – Redes sociais e notícias; 8 – Notícias e Envolvimento Político e 9 – Participação online dos consumidores.

Como principais conclusões, podemos destacar o facto deste estudo da ERC ter concluído que os jornais são as fontes de noticias que os portugueses mais consultam através da Internet. “Os jornais impressos são os meios noticiosos cujo índice de consulta através da Internet é amplamente superior ao índice de consulta exclusivamente offline“, adianta o estudo desenvolvido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), com base num inquérito nacional. Relativamente ao binómio “jornal impresso vs jornal digital”, basta atentar no exemplo do Jornal de Notícias: neste caso, 84% dos inquiridos afirmaram que utilizam a Internet para aceder a notícias deste jornal contra os restantes 16% que o fazem apenas em papel”, aponta.

“Esta tendência verifica-se, ainda que em diferentes proporções, para todos os restantes”, no entanto, tal “sucede apenas com órgãos de imprensa, à excepção do canal Económico TV, cuja utilização como fonte noticiosa online é também francamente superior à sua utilização exclusiva em modo offline“, lê-se no estudo. Segundo o documento, e tal como temos visto ao longo das aulas de QC Jornalismo, “estes dados ilustram bem o impacto do digital, em particular sobre os jornais, sugerindo que os processos de migração para o online são absolutamente incontornáveis e cada vez mais decisivos”. O estudo considera que, face a estes resultados, “os jornais impressos (e em particular as suas marcas de origem em papel) detêm um potencial de agregação de públicos em plataformas digitais muito superior ao dos restantes meios tradicionais”.

Relativamente aos diários a que as pessoas mais recorrem para aceder a informação, o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã destacaram-se, com 44 e 34 % dos inquiridos, seguidos do PÚBLICO (16%), Diário de Notícias (14%) e jornal I, com 2% das preferências dos consumidores. Nos semanários, o Expresso foi apontado por 7%, seguido da Visão (4%), do SOL (2%) e da Sábado, com 2% também. Em contrapartida, o estudo revela que ” os jornais exclusivamente online registam baixos índices de frequência: Notícias ao Minuto (4%), Expresso Diário (2%), Observador (2%), Dinheiro Vivo e Diário Digital (ambos 1%)”, adianta o estudo.

Escolhas em Televisão e rádio

No segmento televisão, “a SIC foi identificada como fonte noticiosa mais utilizada entre as televisões (68%), seguindo-se a TVI (63%) e a RTP1 (42%)”, enquanto a RTP2 “é identificada por 12% dos inquiridos”. Dos canais de notícias, a SIC Notícias lidera, seguida da TVI24 e da RTP Informação. Entre as televisões, o estudo revela que “são os canais temáticos de informação que os inquiridos mais utilizam na Internet para consumir notícias”, mas em termos globais, o “acesso a notícias de fontes televisivas através da Internet é reduzido, sugerindo-se, assim, que os canais de televisão em geral não surgem como fontes noticiosas preferenciais no espaço online”.

Em relação ao espectro radiofónico, este é um tópico que requer alguma reflexão, até por se centrar dentro daquilo que é o meu trabalho de investigação, relativo à Rádio Renascença. De acordo com o estudo “Públicos e Consumos de Média”, a rádio é para pouco mais de um quarto dos inquiridos a principal fonte de notícias (28%). O estudo revela ainda que a rádio é para apenas 1% dos inquiridos a primeira fonte de notícias e para 2% dos respondentes a segunda fonte. O documento revela ainda que o principal momento em que os inquiridos consomem notícias é justamente “Logo pela manhã”, ou seja o período do dia em que tradicionalmente a rádio era a mais escutada e aquele em que as rádios mais apostam. Outro dado para reflexão é a circunstância de a rádio representar para apenas 8% dos inquiridos uma fonte para a atualização de notícias, quando essa é também, tradicionalmente, uma das principais vantagens face aos outros meios de comunicação. Dentro deste tópico, destaque para o facto de 70% dos inquiridos ter confessado que não dedica tempo para a escuta de notícias na rádio; 9% dedica menos de 10 minutos a ouvir notícias na rádio e apenas 4% o faz mais de uma hora por dia.

Nas rádios, as três fontes noticiosas mais consultadas são a RFM (26%), a Rádio Comercial (16%) e a Rádio Renascença (11%), com a TSF e Antena 1 a registarem 7% cada. “Verifica-se que são também poucos os utilizadores que recorrem a fontes noticiosas radiofónicas por via da Internet, em proporções ainda mais reduzidas do que sucede com a televisão”, aponta o estudo. É curioso o facto de as duas rádios mais procuradas para consumo de notícias sejam duas rádios “não-informativas”, estando com uma larga margem para rádios como a TSF e a Antena 1, essas sim de cariz informativo. Esta ordenação é seguida também no caso da consulta para consumo de notícias online. Aqui é ainda mais estranho, pois se é verdade que a RFM e a Comercial possuem noticiários na rádio, no online não há qualquer aposta no campo da informação.

O último grande destaque deste estudo prende-se com a questão das notícias online e se as pessoas estão ou não dispostas a pagar por elas. Neste ponto, os números do estudo não são nada animadores para os grupos de media já que revelam que 99% dos portugueses nunca terão pago pelo acesso a qualquer conteúdo noticioso no digital e 7 em cada 10 inquiridos não tencionam vir a fazê-lo no futuro. Numa análise sobre a predisposição dos inquiridos para “pagar por conteúdos noticiosos online”, quase três quartos (74%) respondem ser “improvável” ou “muito improvável” vir a pagar por esse tipo de conteúdos no futuro. Neste momento, apenas 1% admitem já ter pago pelo acesso em alguma ocasião. Os esmagadores 99% que afirmam nunca ter pago constrastam drasticamente com a média global dos outros países onde o estudo foi realizado, que se situa nos 11%. Na vizinha Espanha, por exemplo, o valor é de apenas 8%.

O estudo contou com o apoio científico de uma equipa de investigadores do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia – Instituto Universitário de Lisboa (CIES – IUL), coordenado pelo professor Gustavo Cardoso, com a Eurosondagem responsável pela realização do inquérito nacional, com entrevistas presenciais a uma amostra de 1035 pessoas representativa da população residente em Portugal com 15 ou mais anos. As entrevistas que estão na origem da elaboração do estudo foram realizadas entre 20 de Setembro e 12 de Outubro do ano passado. “A análise que se desenvolve neste relatório, dada a especificidade do seu objecto”, centra-se essencialmente numa subamostra constituída por 625 inquiridos, “que foram identificados no decurso da aplicação do inquérito como aqueles que utilizam Internet e que denotam algum grau de interesse pelo consumo de notícias”, adianta.

Fontes Utilizadas:

http://www.erc.pt/

http://www.erc.pt/download/YToyOntzOjg6ImZpY2hlaXJvIjtzOjM5OiJtZWRpYS9maWNoZWlyb3Mvb2JqZWN0b19vZmZsaW5lLzE4My5wZGYiO3M6NjoidGl0dWxvIjtzOjM1OiJlc3R1ZG8tcHVibGljb3MtZS1jb25zdW1vcy1kZS1tZWRpYSI7fQ==/estudo-publicos-e-consumos-de-media

http://www.meiosepublicidade.pt/2015/05/estudo-da-erc-revela-que-99-nunca-pagaram-por-conteudos-noticiosos-online-e-a-grande-maioria-nao-tenciona-vir-a-pagar/

http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/jornais-sao-as-fontes-de-noticias-que-os-portugueses-mais-consultam-por-internet-1696092

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