A Estrada da Revolução

Este livro é a aventura de três amigos pela Primavera Árabe. No início de 2012, o jornalista Tiago Carrasco, o repórter de imagem João Fontes e o fotógrafo João Henriques embarcaram nesta viagem quando decidiram perceber «Como nasce uma revolução?» A crise que afundou Portugal inspirou-os e partiram de Istambul de transportes públicos para chegar ao «berço da Primavera Árabe», passando por dez países do Médio Oriente e Magreb: Líbia, Egipto, Tunísia, Turquia, Líbano, Jordânia, Israel, Argélia, Marrocos e a «proibida» Síria.

A Estrada da Revolução é um modelo de jornalismo desafiante, pois através de crowdfunding e patrocínios, os três jornalistas tiveram de organizar a viagem de forma a testemunhar o extremo do mundo árabe. O objetivo era conseguir um retrato fiel do povo anónimo e sem voz.

Desta viagem, nasceu um livro, escrito por Tiago Carrasco e um documentário realizado por Dânia Lucas, com argumento de Tiago Carrasco e João Fontes. A produção ficou a cargo da beActive e as parcerias com o semanário Sol e com a Oficina do Livro contribuíram para a expansão do projeto.

A Estrada da Revolução é uma prova de que o jornalismo não tem de ser difundido através dos canais mais comuns, e que uma boa organização pode resultar num projeto jornalístico economicamente sustentável. É sempre necessário equacionar os riscos e benefícios, no entanto, o interesse do público é a primeira prova de que um modelo jornalístico possa ser comerciável.

Talvez o longform journalism não tenha de estar morto e possa até ser rentável:

«Nunca irei saber se o Johnny impossibilitou a recolha de provas sobre os crimes que devastavam a Síria ou se me salvou a vida.» (pp. 116 – 117)

«Não tínhamos dinheiro. Ora aí está uma coisa que os apóstolos de Antakya deviam ter imortalizado no Evangelho: não se deve chegar às portas da guerra sem dinheiro. É uma atitude que a guerra não preza e, já se sabe, não é senhora de aceitar fiado. Como na guerra se mata e morre tão facilmente, as regras são cobrar o máximo possível e não aceitar dívidas. Como se não houvesse amanhã.» (p. 82)

«Assim, até ao último passo, ao último aceno, ao último beijo à pessoa pela qual não podemos morrer: “Está descansada. Prometo. Não vamos à Síria.” E o virar de costas com o coração partido, também ele recíproco, porque ambos sabíamos que não era verdade.»

«Venderam a companhia de energia aos chineses? Curioso. Nós também. Têm um imposto extraordinário na factura da electricidade? Bate certo. Nós também.» (p. 150)

«Parámos diante de um hotel espelhado. Seguia-se um bloco de prédios semidestruídos. Aras anunciou: “Daqui em diante fica Tarlabasi, o honrado bairro dos Curdos, dos Ciganos, dos traficantes e dos transexuais.”»

 

Nota: Tiago Carrasco, João Henriques e João Fontes já tinham documentado a travessia de África de carro, de Marrocos à Africa do Sul, a caminho do Mundial de Futebol – uma viagem que originou o livro Até Lá Abaixo.

Referências:

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