E agora? Vamos regulamentar?

Desde que surgiram que as redes sociais tiveram um grande impacto na profissão de jornalista. E, desde sempre, que se coloca a questão da ética do jornalista nestas redes sociais. O que podem ou não partilhar os profissionais de jornalismo nas suas contas pessoais? Será sensato um jornalista de política apoiar ou criticar um político no seu Twitter ou Facebook? Ou um jornalista desportivo apoiar uma qualquer equipa?

Estas questões têm sido levantadas e já há países com códigos de conduta em execução, como é o caso dos Estados Unidos e da França – agência de notícias francesa, AFP, implementou um código de conduta para as redes sociais em 2011. No entanto, só agora os órgãos de comunicação social portuguesa decidiram reunir e debater sobre o assunto.

A SIC, a TVI, o Diário de Noticias e o Expresso meteram em marcha novos códigos de conduta que se prevê serem implementados brevemente. A RTP, a estação de televisão pública prometeu debater o assunto primeiro.

As medidas, que levantaram polémicas entre os jornalistas portugueses, fizeram surgir a confusão entre o que se pode considerar âmbito pessoal e âmbito profissional. Se uns acham que a preocupação vem tarde, outros condenam as restrições que os meios de comunicação querem fazer.

A questão é complicada e se um jornalista não pode perder o direito intransmissível à liberdade de opinião e de expressão que, de acordo o 19º artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem, implica o direito de não ser perturbado pelas suas opiniões, por outro lado, os jornalistas têm de ter noção de que não deixam de ser jornalistas quando utilizam esse espaço. Têm uma responsabilidade social e ética acrescida pela profissão que desempenham.

Assim, levanta-se a questão se o Código deontológico do jornalista está actualmente adequado aos desafios que a profissão levanta.

No Código Deontológico pode ler-se que “o jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.” Assim, seguindo aquilo que deve ser o seu trabalho, estará um jornalista a tornar-se menos capaz de o fazer por ter um clube, um partido ou uma religião?

Fontes:

Código Deontológico do Jornalista: http://static.publico.pt/nos/livro_estilo/29-codigo-d.html

Declaração Universal dos Direitos do Homem: http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhuniversais/cidh-dudh.html

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