Autor: Sílvia Silva

O Jornalismo no Tumblr

O Tumblr é mais uma das redes sociais que permite a publicação de texto, audio, vídeo, imagens, links e citações. Então o que tanto atrai os jornalistas nesta plataforma? Para além de ser uma ótima forma de estabelecer uma relação com os leitores, também é o local ideal para atrair um público-alvo jovem. O segredo está em não utilizar para direccionar o tráfego para os seus sites mas como uma plataforma independente.

Que o diga Anthony De Rosa (editor de social media da Reuters) que afirma que “once you establish an audience on the Tumblr, then you can be more generous with links to the main site, but you should first gain the appreciation and loyalty of the Tumblr audience, otherwise they may feel like you’ve only joined Tumblr to promote your other website”.

Desta forma, e para dar seguimento a esta série de publicações sobre a prática de jornalismo em várias redes sociais, o Tumblr deve ser usado para destacar certos conteúdos que vivem de elementos visuais cativantes como imagens e vídeo. “Social platforms like Tumblr should be about growing a community. If a news organization is focused on growing their community first, they’ll find their numbers will grow eventually”, acrescenta.

O Tumblr também se revela a rede social ideal para alimentar conversas e criar fóruns de discussão com os leitores de um meio de comunicação social. Mas para isso é necessário conhecer a audiência e o público-alvo que quer alcançar como é o caso do The Guardian The Los Angeles Times. “It’s providing a human face behind the news brand and delivering worthwhile content to the specific audience on Tumblr that makes your news organization matter to them”. Um dos muitos exemplos a nível international que deveriam servir de exemplos para os meios de comunicação em Portugal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Malig, Jojo (2014) “Journalists learn what works (& doesn’t work) on Tumblr” em http://www.poynter.org/news/media-innovation/127531/journalists-learn-what-works-doesnt-work-on-tumblr/ (consultado a 2 de junho de 2015)

Periscope: mas afinal o que é isso?

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“Just over a year ago, we became fascinated by the idea of discovering the world through someone else’s eyes. What if you could see through the eyes of a protester in Ukraine? Or watch the sunrise from a hot air balloon in Cappadocia? It may sound crazy, but we wanted to build the closest thing to teleportation. While there are many ways to discover events and places, we realized there is no better way to experience a place right now than through live video. A picture may be worth a thousand words, but live video can take you someplace and show you around.”

É assim que Kayvon Beykpour e Joe Bernstein descrevem a mais recente aplicação que desenvolveram. O Periscope. Mas afinal o que é isso? Não é nada mais nada menos do que uma aplicação gratuita de transmissão de vídeo em direto para o sistema operacional iOS da Apple – mas calma que a versão android deverá ser lançada no próximo mês. Nada de novo, portanto. A surpresa está no 1 milhão de utilizadores que conquistou em apenas dez dias após o seu lançamento a 26 de março de 2015. Data essa em que foi comprada pelo Twitter por cerca de 100 milhões de dólares.

O seu funcionamento é simples. Basta aceder à conta através de um smartphone e percorrer o feed onde estão presentes todas as pessoas e páginas seguidas pelo usuário. E também pode transmitir vídeo em direto para quem quiser ver online. Para além disso, existe uma  enorme base de vídeos de todo o mundo que podem ser vistos em qualquer lugar. Tal como o snapchat, os livestreams estão ativos durante 24 horas e ainda podem ser comentados ou partilhados.

O sucesso desta nova aplicação deve-se em grande parte a celebridades e meios de comunicação como o nosso querido Observador que acaba de comemorar um ano e partilhou em direto imagens no Periscope da sua festa de aniversário. Os utilizadores estão a multiplicar-se dia após dia e inicia-se uma nova etapa no jornalismo digital. Esta app revela-se assim um novo desafio e uma ótima oportunidade para as redações abrirem às portas a um novo jornalismo que é composto por uma grande percentagem de jornalistas cidadãos interessados em capturar os melhores momentos de todos os dias. É caso para dizer: digam olá ao jornalismo do futuro.

O Facebook à conquista dos media

Snapchat, Vine e Pinterest. Três redes sociais que estão a dar passos largos no mundo do jornalismo e prometem revolucionar o mundo dos media. No entanto, o Facebook continua a ser o principal veículo de partilha e divulgação de notícias. Esta rede social criada por Mark Zuckerberg tem uma enorme influência nos meios de comunicação social e no seu próprio futuro. E é por isso que o Facebook acaba de lançar uma nova aplicação direcionada à visualização de notícias em suportes mobile. Intitulada “Instant Articles”, esta app vai permitir a visualização de conteúdo jornalístico no telemóvel ou tablet de forma mais rápida e interativa onde os artigos irão conter “características para melhorar a experiência de leitura do utilizador e trazer as histórias à vida”.

À semelhança do Snapchat, a aplicação irá ter como parceiros o New York Times, a National Geographic, o BuzzFeed, a NBC News, a The Atlantic, o The Guardian, a BBC News, a Spiegel Online e o Bild. E num piscar de olhos, os artigos carregam de forma automática e permitem uma maior interatividade através da ampliação de fotos de alta resolução com gestos simples e da visualização de vídeos automaticamente à medida que lê a notícia. Segundo o site oficial do Facebook ainda é possível “explorar mapas interativos, ouvir legendas audio e até mesmo gostar e comentar partes individuais de um artigo”.

O que começou com um problema (para visualizar uma notícia na aplicação móvel do Facebook espera-se cerca de 8 segundos) deu origem aos artigos instantâneos. O objetivo principal é entrar no mundo do jornalismo e usar a imprensa como fonte de conteúdo para todos os artigos. E engane-se quem pensa que os meios de comunicação social não ganham o seu lucro com a publicidade apresentada em cada um dos seus artigos. A receita gerada por anúncios negociados pelo media que publicou o conteúdo vai, integralmente, para a mesma. Já o total dos anúncios acordados pelo Facebook é dividido entre a entidade e a rede social.

No entanto, a problemática não fica por aqui: a contagem de pageviews vai diretamente para o Facebook. A solução passa por ceder aos editores o acesso aos dados sobre os leitores numa espécie de dashboard (à semelhança das pages do Facebook). Agora resta-nos esperar que o número de parceiros aumente significativamente e que os meios em Portugal se prepararem para a chegada de uma das maiores mudanças no jornalismo. Afinal de contas, o futuro está aí e o Facebook está pronto a conquistar o mundo dos meios de comunicação social em todo o mundo.

A privacidade digital e as novas tecnologias

A privacidade sempre foi algo a ser valorizado e protegido, mesmo antes do advento das novas tecnologias digitais, a noção de intimidade surgiria a partir do nascimento da burguesia e do amadurecimento urbano. A privacidade digital é a principal questão a respeito do uso legal das novas tecnologias digitais. Esse tipo de privacidade refere-se à possibilidade de uma pessoa utilizar uma rede como a internet, mantendo sigilo a respeito das suas informações pessoais, bancárias e profissionais, revelando apenas informações de uso público. A privacidade digital permite, por meio de sistemas e softwares de navegação a segurança de dados registados pelo utilizador, sem que os mesmos caiam em mãos de desconhecidos.

Porém, a privacidade digital também é debatida no âmbito da utilização das redes sociais, no reconhecimento do limite da auto-exposição por meio de fotos, comentários e opiniões. Mesmo havendo um controlo do utilizador por meio dos próprios sistemas oferecidos pelos sites e servidores, as empresas e as instituições públicas podem visitar o perfil público de uma pessoa numa rede social para investigar a sua postura/opiniões, e analisar se a pessoa investigada possui o perfil ideal para determinada vaga de emprego, ou se o seu comportamento é compatível com determinado caso investigado pelas autoridades competentes. Esse novo tipo de privacidade implica a responsabilidade de empresas e servidores no que diz respeito ao armazenamento de dados dos seus clientes, sendo proibido o repasse de informação dos mesmos à outras empresas sem prévia autorização. Enviar notificação e mensagens sem autorização também é uma desobediência ao direito de privacidade digital.

Com os avanços tecnológicos, a privacidade revelou-se umas das preocupações principais dos utilizadores e usuários das redes sociais. De acordo com a Declaração dos Direitos Digitais, enquanto cidadãos democráticos os nossos direitos devem ser aplicados no ciberespaço tal como no espaço real. “Agora, a privacidade é um bem transacionável pois é algo que possuímos e que pode ser negociado” (Naughton, 2013) É assim que um dos estudiosos do fenómeno da privacidade na internet, John Naughton, resume as recentes polémicas/escândalos da falta de privacidade no Facebook. A ironia da questão é que é tudo permitido pelos utilizadores, sem eles saberem ou terem dado permissão para isso, como comprovado previa- mente pela quantidade de pessoas que lê os termos e condições de serviço.

Ao entrar nestes serviços gratuitos que facilitam a vida, no registo somos convidados a aceitar um contrato de termos e condições que alegam garantir a nossa privacidade apenas para descobrir que o tratamento da informação pessoal é semelhante a um bem transacionável – sem autorização expressa. A questão da falta de privacidade nas redes sociais já toma contornos agressivos quando empresas como a Google e o Facebook violam os direitos dos seus utilizadores, ao não proteger os dados dos seus utilizadores e facultá-los a terceiros. O objetivo disto tanto pode ser criar publicidade mais direcionada, visto que é a principal fonte de lucro destes serviços, ou facilitar supostas operações governamentais de espionagem, como revelado recentemente nas notícias. A privacidade digital é um tema que, face ao modo como escasseia progressivamente, ainda irá fazer correr muita tinta. Uma das grandes questões que irão permanecer é por quanto tempo os utilizadores das redes sociais se manterão por perto, agora que é sabido que privacidade já não existe.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Naughton, John (2013) “Here’s how data thieves have captured our lives on the internet” em http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/dec/29/internet-corporate-surveillance

Códigos de conduta para jornalistas nas redes sociais: sim ou não?

Na última sexta-feira fui a uma entrevista e uma das primeiras coisas que me perguntaram era o porquê de ter todas as minhas redes sociais (como o Twitter e o Facebook) completamente privadas. Ora bolas, é assim tão difícil de perceber? Em primeiro lugar, não há nada que preze mais do que a minha privacidade (que muitas vezes pode ser confundida com antipatia mas não importa). E em segundo lugar, tenho medo de dar uma opinião que seja mal interpretada. Ou não seria eu uma pseudo-jornalista que tem mais de jornalista do que pseudo por ver na objetividade e imparcialidade dois critérios para a vida.

A reação à minha resposta foi quase automática. Afinal de contas um franzir de testa nunca mentiu a ninguém. “Mas pelo menos deve manter públicas as publicações que divulgam o seu trabalho como jornalista”. Pronto, aqui admito que tem razão. E quando, passado umas horas, comecei a tratar disso é que me deparei com uma notícia intitulada “vêm aí regras para os jornalistas nas redes sociais”. E já vêm tarde. O que me custa a acreditar é que só em 2015 é que os meios de comunicação social portugueses começaram a discutir as primeiras regras de conduta no sentido de “regular a actividade dos seus jornalistas nas redes sociais”. Esta discussão pública não é nova e meios como “New York Times”, o “Guardian” ou o “Washington Post” já criaram códigos de conduta para os seus jornalistas. Agora é a vez da SIC, TVI, Diário de Noticias e Expresso. Já a RTP como a estação de televisão pública “promete debater o assunto primeiro”.

Mas o que me custa mais a acreditar é que, até agora, os profissionais portugueses não tinham noção de que a sua profissão não é das 9h às 17h mas uma forma de estar na vida que inclui responsabilidades e uma bagagem de obrigações profissionais que qualquer outra profissão não requere. Para além de levarmos a imparcialidade para casa, estarmos sempre à procura das histórias, olhamos para elas de outra perspetiva e começamos a fazer perguntas mesmo antes de nos apercebermos que o estamos a fazer. Não, não é aquela necessidade de controlarmos a vida dos outros mas uma insaciável curiosidade do desconhecido.

Se a liberdade de expressão dos jornalistas fica condicionada? Não. Tal com uma cabeleireira não anuncia na montra os penteados que não gosta porque o seu trabalho é agradar a vontade do cliente, um jornalista também não deve anunciar ao mundo que não gosta de uma figura pública e perder a sua imparcialidade. E quando digo “mundo” refiro-me ao seu sinónimo “internet”. Inocente é aquele que não valoriza o seu poder superior a qualquer outro media atual.

Cabe aos jornalistas manterem plataformas pessoais e profissionais de forma a não colocarem em causa a ética jornalista do seu meio e evitarem polémicas de rigor, objetividade e imparcialidade. Se estes novos códigos de conduta não os agrada, não há problema. Há uma nova geração desempregada com uma visão futurista pronta a substitui-los no seu cargo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Nobre, Adriano (2015) “Vêm aí regras para os jornalistas nas redes sociais” em http://expresso.sapo.pt/vem-ai-regras-para-os-jornalistas-nas-redes-sociais=f917303

O Jornalismo no Pinterest

Depois do Vine, chega a vez de potencializar a nível jornalístico o uso do Pinterest. Nacionalmente existem vários orgãos de comunicação social (especialmente os que vivem de imagens e conteúdos editoriais como moda e lifestyle) que estão presentes nesta rede social. O problema é que ou está desatualizada ou não usam corretamente as suas ferramentas. Então qual é a maneira mais correta para divulgar e partilhar conteúdos jornalísticos no Pinterest?

Em primeiro lugar, é importante referir que esta rede social é composta por quadro de inspirações onde os seus utilizadores podem partilhar fotos ou imagens sobre um determinado tema que corresponde a uma coleção. À semelhança do Twitter e Facebook, os utilizadores acompanham as últimas atualizações das pessoas que seguem através do feed da página inicial. A diferença do Pinterest é que este é um espaço onde reina a criatividade. Um dos tópicos mais populares desta rede social é comida. A lista prossegue com moda e casamentos.

O The Wall Street Journal foi um dos primeiros meios de comunicação a aderir ao Pinterest por iniciativa da editora de redes sociais Emily Steel. O suficiente para o transformar num dos media mais populares com presença nesta rede social ao lado do The New York Times. Neste último caso, grande parte das coleções baseiam-se em fotografias de comida às quais são acrescentadas receitas, reviews de restaurantes e histórias. E foi assim que descobriram que o Pinterest é a plataforma ideal para destacar conteúdo de grande qualidade que acabou por se perder nos sites de notícias. De destacar as coleções de “histórias inspiradoras” ou a coleção “em forma” que contempla todos os artigos publicados que incentivam um estilo de vida saudável através de conselhos e dicas.

Mas não fica por aqui. O Pinterest, quando eleito um dos melhores sites em 2011 pela revista Time contava com cerca de 12 milhões de utilizadores dos quais grande maioria são mulheres de uma faixa etária jovem. O que o transforma na plataforma ideal para atrair novas audiências e novos leitores que valorizam a forma sobre o conteúdo. Só a presença de um meio nesta rede social já se torna relevante só pelo facto de mostrar ao público o tipo de conteúdo que normalmente publicam. Mais do que razões suficientes para acrescentar o Pinterest à lista das redes sociais dos diversos meios de comunicação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Buttry, Steve (2012) “How journalists and newsrooms can use Pinterest” em https://stevebuttry.wordpress.com/2012/05/09/how-journalists-and-newsrooms-can-use-pinterest/
  • Tenore, Mallary (2012) “5 ways journalists are using Pinterest” em http://www.poynter.org/how-tos/writing/197303/5-ways-journalists-are-using-pinterest/

Vine, da comédia ao jornalismo

Toda a gente conhece o Vine como uma rede social que permite gravar, editar e partilhar um vídeo de seis segundos com todos os seguidores. A aplicação foi desenvolvida pelo Twitter e o seu funcionamento é semelhante. Desde o seu lançamento a 24 de Janeiro de 2013, esta tem sido maioritariamente usada em prol de entretenimento através da publicação de vídeos criativos com humor. Mas atualmente está à margem da extinção e já são poucos os usuários que criam conteúdo original para esta plataforma.

Por culpa do Snapchat (ou não), hoje o Vine é apenas usado para encontrar vines de utilizadores populares com vídeos virais. No entanto, esta plataforma tem a capacidade de permanecer relevante no campo do jornalismo. Porquê? É a ferramenta ideal para os meios de comunicação conseguirem ser os primeiros a divulgar notícias de última hora ao seu público-alvo que, neste caso, são os seus seguidores. Os exemplos de meios que usam esta aplicação são poucos mas bons. O suficiente para os seus criadores criarem os “Vine Journalism Awards” onde destacaram os melhores exemplos jornalísticos nas categorias de “breaking news”, “sports”, “inspirational” e “behind the scenes”.

O Vine vem assim corresponder às exigências das novas audiências que consomem maioritariamente notícias provenientes de redes sociais através dos seus smartphones. Nic Newman, um dos responsáveis pelo Reuters Institute for the Study of Journalism at Oxford University, relembra que atualmente os jornalistas têm de conquistar a atenção dos seus leitores como resultado da convergência mediática. Para tal, devem usar serviços como o Vine da melhor forma possível. “In journalism there’s always the tradeoff between what you want to say in the story and the time you have to say it. Six seconds is barely 20 words. A journalist who tries to summarise a story in a Vine is on much shakier ground than a journalist who might use it to show one aspect of a story”, acrescenta.

Desta forma, os jornalistas devem usar esta ferramenta para se focarem apenas num dos capítulos da história que queremos contar. Mais tarde, podemos complementar com um artigo desenvolvido sobre esse assunto. Entre vários exemplos, o Vine pode ser usado para partilhar uma notícia de última hora, para promover a próxima edição de um jornal e até para levar os seguidores até aos bastidores de uma redação.

No fim, o objetivo do jornalismo é o mesmo: informar independentemente da plataforma. Nas palavras de Newman, “you want people to take notice and be interested and I don’t care if people are interested in five and a half minutes of [a TV news package] on a news programme like Channel 4 News or whether they’re going to go for six seconds. I care about them making the journey”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Perraudin, Frances (2014) “Vine shifts from comedy clips to a valid journalistic tool” em http://www.theguardian.com/media/2014/nov/23/vine-comedy-clips-journalistic-tool-alex-thomson